Resistências de trabalhadores rurais na zona da mata mineira (1964-1986)
Abstract
O projeto de modernização autoritário-conservadora implementado pela Ditadura Militar brasileira (1964-1985) integrou a questão agrária ao processo de expansão econômica nacional, promovendo a mecanização agrícola, o fortalecimento da lógica empresarial no campo e a concentração fundiária, através da expulsão violenta de posseiros (Medeiros, 2020; Camisasca, 2022). Em Minas Gerais, esse processo impulsionou a expansão das usinas açucareiras e aprofundou a exploração dos trabalhadores rurais, sobretudo dos trabalhadores assalariados permanentes e boias-frias vinculados ao corte da cana-de-açúcar (Gomes, 1995). Nesse contexto, a presente pesquisa, de caráter inicial, tem como objetivo investigar as formas de resistência dos trabalhadores rurais ligados à Companhia Açucareira Riobranquense, no município de Visconde do Rio Branco (MG) e região, entre 1964 e 1986, considerando suas relações com agentes mediadores, forças repressivas locais, o processo da modernização conservadora no campo mineiro e marcos da luta camponesa no Brasil. O recorte temporal abrange a Ditadura Militar brasileira e se estende até a greve dos trabalhadores canavieiros de 1986 em municípios da Zona da Mata mineira, movimento que evidenciou a continuidade dos conflitos trabalhistas e agrários durante a transição
democrática.
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