Escravidão, raça e classe: Florestan Fernandes e a historicização da dependência

Authors

  • Thiago Marques Mandarino Doutor em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Professor Associado do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Membro do Grupo de Estudos em Desenvolvimento Econômico Brasileiro (GEDEB)

Abstract

O artigo examina a contribuição de Florestan Fernandes para a teoria do capitalismo dependente brasileiro, com foco na articulação entre escravidão, raça e classe social. O objetivo é demonstrar como Fernandes confere maior historicidade à análise da dependência ao inserir, no centro do debate, a questão da formação nacional — especialmente a escravidão moderna e seu processo de abolição — como determinantes estruturais da constituição do mercado de trabalho, do regime de classes e da luta de classes em si no Brasil. Ao final, evidencia-se que a abolição da escravatura, realizada "pelo alto" e sem integração real dos negros à nova ordem social, é elemento fundamental para a apreensão do capitalismo dependente e subdesenvolvido, com implicações que se estendem até a contemporaneidade.

Published

2026-08-20

Issue

Section

Comunicações Orais - Acumulação, Estado e financeirização: perspectivas críticas sobre o desenvolvimento