Escravidão, raça e classe: Florestan Fernandes e a historicização da dependência
Abstract
O artigo examina a contribuição de Florestan Fernandes para a teoria do capitalismo dependente brasileiro, com foco na articulação entre escravidão, raça e classe social. O objetivo é demonstrar como Fernandes confere maior historicidade à análise da dependência ao inserir, no centro do debate, a questão da formação nacional — especialmente a escravidão moderna e seu processo de abolição — como determinantes estruturais da constituição do mercado de trabalho, do regime de classes e da luta de classes em si no Brasil. Ao final, evidencia-se que a abolição da escravatura, realizada "pelo alto" e sem integração real dos negros à nova ordem social, é elemento fundamental para a apreensão do capitalismo dependente e subdesenvolvido, com implicações que se estendem até a contemporaneidade.
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