Entre acesso e permanência: mulheres negras de primeira geração
Abstract
Nas últimas décadas, o Brasil institucionalizou políticas sociais voltadas à democratização do acesso ao ensino superior (Moraes; Spessatto, 2020). A política de cotas abrange estudantes oriundos da rede pública ou de instituições comunitárias, incluindo pessoas negras (pretas e pardas), indígenas, pessoas com deficiência (PcD) e, mais recentemente, comunidades quilombolas, além daqueles provenientes de famílias com renda familiar bruta mensal per capita igual ou menor a um salário mínimo (Brasil, 2012; 2024). Se por um lado, as ações afirmativas são resultado de históricas lutas sociais protagonizadas pelo Movimento Estudantil e pelo Movimento Negro (Silva; Borba, 2018), por outro, o acesso traz consigo demandas por permanência e pós-finalização do Ensino Superior. A Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) (Brasil, 2010), recentemente reformulada (Brasil, 2024), busca garantir condições materiais à permanência de estudantes no ensino superior. A nova PNAES ampliou o público atendido, mas não aumentou o orçamento (Prada et al, 2026), evidenciando os limites históricos para sua execução. Este trabalho2 investiga as trajetórias de mulheres negras de primeira geração no ensino superior federal localizadas no sudeste do Brasil, analisando a relação entre a assistência estudantil e a manutenção ou superação das desigualdades sociais. Realizado Survey, com uso de questionário online com estudantes de 19 Universidades Federais localizadas na região (recebidas 124 respostas de 16 IES). Para análise utilizamos estatística descritiva e 2 eixos: a) quem são as estudantes (idade, renda); b) que modalidade de assistência estudantil acessam.
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