Justiça reprodutiva e gestações não planejadas na Atenção Primária Saúde

Authors

  • Sophia Azevedo Porto de Miranda Graduada em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Residente em Saúde da Família pelo Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi)

Abstract

A presente investigação insere-se no campo dos estudos sobre Justiça Reprodutiva e políticas de saúde, articulando contribuições da psicologia social e da perspectiva interseccional para analisar os impactos da gravidez não planejada na saúde mental de pessoas que gestam. Compreende-se que a autonomia reprodutiva é acessada de forma desigual, sendo atravessada por marcadores como raça, classe, gênero e território, o que condiciona diferentes experiências no campo da reprodução (Brandão & Alzuguir, 2022). No contexto brasileiro, marcado por heranças do colonialismo, da escravização e de profundas desigualdades sociais, as gestações não planejadas  configuram um importante desafio para a saúde pública, especialmente em territórios vulneráveis (Lugones, 2008; Collins, 2021). Seus efeitos extrapolam a dimensão biológica, produzindo repercussões psicossociais como sofrimento emocional, insegurança econômica e sobrecarga de cuidados. Ainda assim, tais experiências subjetivas não são homogêneas, sendo moduladas pelas condições concretas de vida e pelos suportes disponíveis. 

Published

2026-08-20