Justiça reprodutiva e gestações não planejadas na Atenção Primária Saúde
Abstract
A presente investigação insere-se no campo dos estudos sobre Justiça Reprodutiva e políticas de saúde, articulando contribuições da psicologia social e da perspectiva interseccional para analisar os impactos da gravidez não planejada na saúde mental de pessoas que gestam. Compreende-se que a autonomia reprodutiva é acessada de forma desigual, sendo atravessada por marcadores como raça, classe, gênero e território, o que condiciona diferentes experiências no campo da reprodução (Brandão & Alzuguir, 2022). No contexto brasileiro, marcado por heranças do colonialismo, da escravização e de profundas desigualdades sociais, as gestações não planejadas configuram um importante desafio para a saúde pública, especialmente em territórios vulneráveis (Lugones, 2008; Collins, 2021). Seus efeitos extrapolam a dimensão biológica, produzindo repercussões psicossociais como sofrimento emocional, insegurança econômica e sobrecarga de cuidados. Ainda assim, tais experiências subjetivas não são homogêneas, sendo moduladas pelas condições concretas de vida e pelos suportes disponíveis.
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