A energia feminina a serviço do capital através do TikTok
Abstract
O presente artigo analisa o fenômeno contemporâneo das tradwives nas plataformas digitais, com foco na estetização da domesticidade e na retórica da energia feminina como ferramentas funcionais à lógica neoliberal. Ao analisar duas das maiores influenciadoras desse estilo, Hannah Neeleman e Nara Smith, investiga-se como a nostalgia e a simplicidade são convertidas em mercadorias de luxo, operando uma sofisticada monetização do trabalho reprodutivo. Fundamentado nas teorias de Silvia Federici (2017) e Heleieth Saffioti (2013) sobre a exploração do trabalho feminino, e na crítica de Catherine Rottenberg (2018) ao feminismo neoliberal, o trabalho discute como a performance da esposa tradicional privatiza o cuidado e desonera o capital das responsabilidades de reprodução social. Conclui-se que o movimento, embora se apresente como um refúgio ao caos do mercado de trabalho, reitera a subjetividade neoliberal ao transformar a vida privada em um espetáculo de consumo e performance, evidenciando a urgência de retomar a autonomia política e econômica feminina frente ao essencialismo de gênero.
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