A moralização da precarização: discurso religioso, alienação e trabalho
Abstract
Este artigo analisa o papel do discurso religioso na naturalização da precarização do trabalho no capitalismo contemporâneo. A partir de Karl Marx, especialmente suas noções de ideologia, alienação e crítica da religião, em diálogo com outros teóricos, investiga-se como formas simbólicas participam da construção da subjetividade do trabalhador. Parte-se da compreensão de que o trabalho é estruturado por relações de exploração baseadas na extração de mais-valia, disciplina do tempo e controle da atividade produtiva. Contudo, essas condições não são vividas de forma imediata, sendo mediadas por sistemas ideológicos que reorganizam seu sentido. Assim, a precarização pode ser interpretada como flexibilidade, oportunidade ou exigência individual. A alocução religiosa conservador atua nesse processo ao atribuir valores morais positivos ao trabalho, como sacrifício e recompensa futura, ressignificando a exploração como vocação ou missão.
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