Gênero e anticomunismo no jornal O Imparcial da Bahia (1931-1944)

Autores

  • Raiane Souza Ferreira dos Santos Mestranda em História e Culturas Políticas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Resumo

Esta pesquisa, de caráter documental e em estágio inicial, investiga o papel do jornal baiano O Imparcial na consolidação de um projeto de gênero conservador e anticomunista durante a Era Vargas, mais precisamente entre 1931 e 1944. O objeto central de análise são os editoriais da Página Feminina, editoria semanal escrita por e para mulheres, que serviu como espaço de disseminação de um ideal feminino tradicional em contraposição às subjetividades emergentes do período. O objetivo geral é verificar como o periódico, sob uma fachada de neutralidade e imparcialidade, atuou como um reprodutor de um projeto político alinhado aos interesses das classes dominantes para prescrever papéis sociais às mulheres leitoras. A fundamentação teórica ancora-se no materialismo histórico-dialético e no feminismo marxista, utilizando as contribuições de Heleieth Saffioti (1976), Silvia Federici (2019) e Angela Davis (2016). Saffioti (1976) oferece a base para compreender que a inferioridade social da mulher não é um problema isolado, mas uma necessidade estrutural do sistema capitalista para alocar mão de obra que o setor produtivo não absorve, mantendo o equilíbrio do sistema através do confinamento doméstico. Complementarmente, Federici (2019) permite analisar como o trabalho reprodutivo não remunerado constitui a base indispensável da acumulação de capital, sendo frequentemente naturalizado e invisibilizado por aparelhos ideológicos como a imprensa. 

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Publicado

2026-08-20