O assistente social enquanto intelectual orgânico nas organizações dos trabalhadores

Autores/as

  • David William Queiroz Paixão

Resumen

De acordo com a teoria de Gramsci, sobre a questão dos intelectuais orgânicos, todas as classes sociais nascem sobre o terreno de uma função essencial no mundo da produção, pois criam e recriam organicamente uma camada de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência de sua própria função, não apenas no campo da produção material, mas, sobretudo,no campo social e político. (GRAMSCI, 1971)

            Portanto, a teoria gramsciana afirma que cada classe social produz intelectuais organicamente para projetar sua hegemonia, sendo assim, estes se tornam importantes figuras nos processos de luta sociais e de classe, posto que, sua influência organizativa tem um grande potencial sobre as massas. (CARNOY, 1988)            

O Serviço Social, enquanto especialização do trabalho coletivo, se insere na divisão social e técnica do trabalho na reprodução das relações sociais. Nesse sentido, Iamamoto (1995) afirma que “[...] a reprodução social é a reprodução da totalidade do processo social, que envolve o cotidiano de vida em sociedade” (IMAMOTO, 1995, p. 72).

Desse modo, o assistente social historicamente se coloca no bojo das contradições de classe, sobretudo, no que diz respeito às desigualdades engrenadas sobre a lógica da exploração da força de trabalho de uma classe (burguesa) sobre a outra (trabalhadora). Cabe ressaltar, que a partir da década de 1980, sob a influência da teoria social crítica marxiana e gramsciana a categoria profissional se coloca ao lado das lutas sociais das classessubalternas, sobretudo, porquê pós o movimento de reconceituação o conjunto da categoria assume um novo status de maturação teórico-metodológica.

Assim, acredita-se que o trabalhado desenvolvido pelo conjunto da categoria de assistentes sociais, embasado em sólidos referenciais teórico-críticos, munidos de uma direção social comprometida com a projeção de outra lógica societária, que não seja a capitalista, poderá potencializar mudanças favoráveis em direção ao projeto profissional hoje assumido pelas entidades representativas do Serviço Social.

Sobretudo, posto que, a atuação do assistente social ocupa um lugar estratégico na divisão social do trabalho, tento em vista que estes atuam em espaços sócio-ocupacionais como os sindicatos, associações profissionais, movimentos sociais, coordenadoria de recursos humanos em contato direto com os trabalhadores, programas e projetos comunitários, conselhos de bairros e dentre outros.

            Portanto, a intervenção profissional dos assistentes sociais deve assumir um caráter emancipatório para os sujeitos demandantes de sua intervenção, entretanto, sabe-se que para esta feita os assistentes sociais devem aliar esforços com “[...] movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios de seu Código de Ética e com a luta geral dos trabalhadores” (CFESS, 1993).

Desse modo, diante do atual estágio do capitalismo e das estratégias efetivadas pela classe burguesa para a manutenção de seu status quo, acredita-se que o potencial circunscrito na intervenção direta nas entidades de base dos trabalhadores poderá efetivar ganhos significativos no que tange a efetivação dos direitos sociais para uma nova sociabilidade. Assim, nas palavras de Leon Trotsky “Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução”.

 

Referências

 

BRASIL. Código de Ética do Assistente Social. Lei 8662/93 de regulamentação da profissão. – 3. ed. Brasília (DF): Conselho Federal de Serviço Social, 1997.

 

CARNOY, Martin. Estado e teoria política. (Equipe de trad. PUCCAMP) 2. ed. Campinas: Papirus, 1988.

 

GRAMSCI, ANTONIO. Selections from Prison Notebooks. New York: International Publishers, 1971.

 

IAMAMOTO, M. e CARVALHO, R. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 10. ed. São Paulo: Cortez, 1995.

 

PIZZINGA, R. TRÓTSKY, L. Pensamentos. Disponível em: <paxprofundis.org-livros-leontrotsky- leontrotsky.htm>. Acesso em: 7 mar. 2017. 

Referencias

AMADO, Jorge. 2006. Navegação de cabotagem: apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei. Rio de Janeiro: Record.

BAKUNIN, Mikhail; KROPOTKIN, Piotr; JOYEUX, Maurice; CHAUVET, Paul; DELHOM, Joël. 2011. A Comuna de Paris: considerações libertárias. Tradução: Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Editora Imaginário.

BAKUNIN, Mikhail. 2003. A instrução integral. tradução: Luiz Roberto Malta. São Paulo: Imaginário: Instituto de Estudos Libertários: Núcleo de Sociabilidade Libertária do programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP.

CALSAVARA, Tatiana da Silva. 2012. A militância anarquista através das relações mantidas por João Penteado – estratégias de sobrevivência Pós anos 20. São Paulo. Doutorado. Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo.

CANDEIAS, António. 1994. Educar de outra forma: a Escola Oficina n.1 de Lisboa 1905-1930. Lisboa. Doutorado. Instituto de Inovação Educacional. Universidade de Lisboa

CASTRO, Rogério Cunha de. 2014.Nem prêmio, nem castigo! A Escola Moderna como ação revolucionária dos sindicatos operários durante a Primeira República (São Paulo, 1909-1919). Rio de Janeiro. Doutorado. Faculdade de Educação. Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

FERRER y GUARDIA, Francisco. 1976. La Escuela Moderna. Madrid: Ediciones Jucar.

GALLO, Sílvio. 2007. Pedagogia libertária: anarquistas, anarquismos e educação. São Paulo: Imaginário; Editora da Universidade Federal do Amazonas.

KROPOTKIN, Piotr. s.d. El apoio mutuo: um factor de la evolución. Cali: Ediciones Madre Tierra.

MORAES, Sylvia Vidigal (Org.). 2013. Educação Libertária no Brasil – Acervo João Penteado: Inventário de Fontes. São Paulo: FAP-Unifesp: Edusp.

PERES, Fernando Antonio. 2010. Revisitando a trajetória de João Penteado: o discreto transgressor de limites. São Paulo. Doutorado. Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo.

PROUDHON, Pierre-Joseph. s.d.La capacidad politica de la clase obrera. Madrid: Librería DERSA.

ROBIN. Paul, 1981. Manifesto a los partidos de la educacion integral (Um antecedente de la Escuela Moderna). Barcelona: José J.de Olañeta Editor.

ROMANI, Carlo. 2002. Oreste Ristori: uma aventura anarquista. São Paulo: Annablume: FAPESP.

SAFÓN, Ramón. 2003. O racionalismo combatente: Francisco Ferrer y Guardia. tradução: Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Editora Imaginário: Instituto de Estudos Libertários: Núcleo de Sociabilidade Libertária do programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP.

SAMIS, Alexandre Ribeiro. 2009. Minha pátria é o mundo inteiro. Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos. Lisboa: Letra Livre.

SANTOS, Luciana Eliza dos. 2009. A trajetória anarquista do educador João Penteado: leituras sobre educação, cultura e sociedade. (Mestrado). Faculdade de Educação da Universidade de São

Publicado

2017-08-08