O exercício profissional na área de gestão de pessoas
Resumen
O presente trabalho refere-se a uma proposta de pesquisa cujo objetivo consiste na investigação acerca do trabalho realizado pelos assistentes sociais na área de gestão de pessoas do serviço público. O interesse pela pesquisa escolhida foi suscitado a partir da vivência profissional no Colégio Pedro II (CPII). O CPII é a mais tradicional instituição pública de ensino federal do Rio de Janeiro. Trata-se de uma instituição de educação básica que possui destaque no cenário nacional por seu importante papel na história educacional brasileira.
Pretendemos nessa pesquisa compreender as particularidades do trabalho do Serviço Social presentes na área de gestão de pessoas em especial nas instituições federais de ensino do Rio de Janeiro. Consiste, portanto, num esforço de conhecer um espaço que tem demandado aos profissionais novas formas de pensar e atuar no cotidiano.
Importa dizer que não é possível debater esse assunto sem abordar as transformações ocorridas no mundo do trabalho a partir da reestruturação produtiva, uma vez que tais transformações provocaram alterações no mercado de trabalho do assistente social e também novas requisições à profissão. Essas alterações não são dissociadas da dinâmica social, mas, ao contrário, são reflexo do próprio movimento da sociedade inserido no sistema capitalista de produção. Por isso, esse estudo também se propõe a analisar essas inflexões sobre o mundo do trabalho e suas influências no fazer profissional do assistente social.
Podemos afirmar que as mudanças engendradas pelo processo de reestruturação afetam as condições objetivas em que o trabalho do assistente social se realiza. Como estas mudanças não são alheias à sua prática, provocam inflexões na direção social, no conteúdo e nos meios objetivos para materialização dos resultados (CESAR, 2010, p.143).
Vale dizer que construir um trabalho nessa área requer considerar que as correlações de forças existentes nesse espaço tendem a produzir uma lógica produtivista que conduz ao controle e enquadramento do trabalhador. Contudo, descontruir essa lógica capitalista é tarefa crucial para desenvolvimento do trabalho profissional. O exercício profissional é cercado de tensões que atravessam as estruturas engessadas das instituições, a burocratização dos serviços e a tentativa de padronização/controle do comportamento humano. Dessa forma, compreender a complexidade desse campo contribui na elucidação dos desafios que se desdobram durante o fazer profissional.
Se a correlação de forças entre as classes e grupos sociais cria, nas várias conjunturas, limites e possibilidades em que o profissional pode se mover, suas respostas se forjam a partir das marcas que perfilam a profissão na sua trajetória, da capacidade de análise da realidade acumulada, de sua capacitação técnica e política em sintonia com os novos tempos. Assim o espaço profissional não pode ser tratado exclusivamente na ótica das demandas já consolidadas socialmente, sendo necessário, a partir de um distanciamento crítico do panorama ocupacional, apropriar-se das demandas potenciais que se abrem historicamente à profissão no curso da realidade (IAMAMOTO, 2009, p. 4).
A hipótese que atravessa essa pesquisa se baseia na premissa de que embora o Serviço Social esteja ocupando mais espaço na área de gestão de pessoas do serviço público, o trabalho do assistente social ainda possui pouca legitimidade e reconhecimento dentro das instituições. A experiência empírica junto ao CPII tem mostrado que o fazer profissional e o saber profissional são frequentemente questionados e tratados como assistencialismo através de demandas administrativas e burocráticas.
Referências
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