O FINANCIAMENTO DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO PERÍODO DE 2005 A 2012 NO MUNICÍPIO DE VILA VELHA
Resumen
O Estado, através de taxas, impostos e contribuições, se apropria de parte da mais-valia produzida pelos trabalhadores, transformando-a em forma de financiar o capital e permitir a reprodução da força de trabalho (BEHRING, 2010). O Fundo Público exerce função de ser um instrumento na lógica da sociedade capitalista, pois: gera as funções indiretas do Estado para aprofundar a acumulação do capital e transfere recursos para o capital dos juros. Ainda, evidencia a luta de classes, pois os trabalhadores concebem o orçamento como uma forma de acesso à riqueza que foi socialmente produzida, mas não por eles apropriada; e a burguesia concebe o orçamento como forma de ampliar os lucros e a apropriação da mais-valia (SALVADOR, 2010).
O foco do trabalho consistiu em analisar o financiamento da Política de Assistência Social do município de Vila Velha, compreendendo o período de 2005 a 2012, de forma a identificar a distribuição dos recursos destinados à Assistência Social entre os entes federados, analisar o comprometimento do pacto federativo; levantar as principais receitas municipais e o orçamento total do município de Vila Velha; verificar os valores previstos e os valores executados do orçamento da Assistência Social; analisar a direção dos gastos realizados com a Política de Assistência Social e por fim, verificar se o financiamento da Assistência Social no município segue as diretrizes da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e da Lei do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Trata-se de um estudo de caso do financiamento da política de Assistência Social no município de Vila Velha, desenvolvido como parte de um projeto do Programa Institucional de Iniciação Científica da UFES (PIIC/UFES), edital de 2015-2016. Para realizar este trabalho, levantou-se e analisou-se nos sites da prefeitura e Portal da Transparência municipais e nos arquivos físicos da Secretaria Municipal de Assistência Social os seguintes documentos: LOAs, LDOs, PPAs, QDDs e Relatórios de Gestão da Assistência Social, todos compreendendo aos anos de 2005 a 2012. Utilizou-se a proposta metodológica de Fagnani (1988) para identificar as fontes de financiamento, a magnitude dos gastos e o destino ou direção do gasto.
Dos resultados podemos apontar como relevante que a maior parte da receita advém das receitas tributárias e transferências correntes. Ou seja, que o orçamento municipal é definido principalmente pelos tributos dos cidadãos e por receitas advindas de empresas privadas; que as Funções de Administração, Educação e Urbanismo obtiveram maior dotação de recursos, com média no período entre aproximadamente 15 a 25% dos recursos alocados cada uma. Em contrapartida, a função Assistência Social, durante os anos citados, 1,07%, 1,30%, 2,00%, 1,52% respectivamente; com média de 1,47%; o FMAS em média deteve 52,75% dos recursos, o Gabinete do Secretário em média 24,60% e destaca-se ainda o FIA com 21,59% dos recursos; as despesas de juros, encargos e amortização da dívida em muitas vezes correspondem a mais de 160% do orçamento autorizado da Assistência Social acarretando direitos sociais cogelados e favorecimento do Capital financeiro; as despesas com a Assistência Social são mínimas perante a riqueza produzida em Vila Velha; o Estado transfere grande parte dos recursos públicos a entidades de caráter privado a fim de que estas ofereçam e executem serviços socioassistenciais; a prevalência e preferência do Estado por estes programas e direitos de transferência de renda; a execução orçamentária demonstra o pagamento massivo e quase exclusivo dos programas e ações relacionados à esfera administrativa da política e não de sua execução junto ao usuário; a maior parte dos recursos destinados à Política de Assistência Social não concretizam-se em despesas pagas.
Referências
BEHRING, Elaine R. Crise do capital, fundo público e valor. In: BOSCHETTI, I. et al. (orgs.). Capitalismo em crise, política social e direitos. São Paulo: Cortez, 2010.
FAGNANI, Eduardo. Avaliação do ponto de vista do gasto e financiamento das políticas públicas. In: RICO, Elizabeth Melo. Avaliação de políticas sociais: uma questão em debate. São Paulo: Cortez; Instituto de Estudos Especiais. 1998.
SALVADOR, Evilásio. Fundo público e seguridade social no Brasil. São Paulo. Cortez. 2010.
Referencias
ACCÁCIO, L. O. A criação do instituto de educação do Rio de Janeiro. In: Anped/18ª Reunião anual. GT2 – História da Educação. Caxambu/MG, 1995. http://www.labev.uerj.br/textos/tecnicas-pesquisa_pesquisa-bibliografica.pdf.
ANDERSON, Benedict R. Comunidades Imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo, Companhia das Letras, 2008.
ADICHIE, Chimamanda. O perigo da história única. TED Ideas Worth Streading, 2009. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ>. Acessado em: 10 nov. 2015.
BARROSO, João. Políticas Educativas e Organização escolar – Temas Universitários. Universidade Aberta, Lisboa, 2005.
BIGNOTTO, Newton. Pensar a República. Editora UFMG, 2002.
CARLOS, Afonso; SANTOS, Marques dos. A invenção do Brasil. Ensaios de história e cultura. Editora UFRJ, 2007.
CARVALHO, Carolina; SOUZA, Florbela de; PINTASSILGO, Joaquim. A educação para a cidadania. Coleção Educação – Teoria e Prática. Porto Editora Ltda., Porto, 2005.
FARIA, L. CIEP: A Utopia Possível. São Paulo: Livros Tatu, 1991.
CHAVES, Iduina Mont´Alverne. Vestida de azul e branco como manda a tradição. Cultura e Rituais na Escola. Rio de Janeiro: Intertexto: Quartet, 2000.
CHAVES, Iduina Mont´Alverne. SOUZA, Sílvio (org.). Ecos e Memórias da Escola Fluminense. Rio de Janeiro: Quartet, Faperj, 2008.
CHAVES, Iduina Mont´Alverne. NOLASCO-SILVA, Leonardo. Chico Buarque no feminino e no masculino. In Revista Gênero, EdUFF, Niterói, RJ, 2010.
CHAVES, Iduina Mont´Alverne. Chaguismo e o brizolismo: territorialidades políticas da escola fluminense. Rio de Janeiro: Quartet, 2011.
LE GOFF, Jacques. Memória-História. In Enciclopédia Einaudi. V.1. Verbetes “história”, “memória”, “documento/monumento”. Lisboa: imprensa nacional-casa da moeda, 1984.
LÔBO, Yolanda; FARIA, Lia (org.). Vozes femininas no império e na república. RJ: Quartet, 2008.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. A cultura material no estudo das sociedades antigas. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/viewFile/61796/64659>. Acesso em 13/11/2015.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Memória e Cultura Material: Documentos Pessoais no Espaço Público. Seminário Internacional sobre Arquivos Pessoais, Rio de Janeiro/São Paulo, CPDOC/FGV-IEB. USP, 1997.
NORA, Pierre. O retorno do fato. In: História novos problemas. Rio de Janeiro, RJ: Francisco Alves, 1979.
OLIVEIRA, Inês Barbosa de. Utopias praticadas: justiça cognitiva e cidadania horizontal na escola pública. Instrumento: R. Est. Pesq. Educ. Juiz de Fora, v. 15, n. 2, jul./dez. 2013
RIBEIRO, Darcy. O Livro preto dos CIEPs. RJ: Bloch Editores S.A., 1986.
SOUZA, S. C.; VILLANOVA, C. ; FARIA, L. C. M. Henriette Amado: uma aventura interrompida.. Labrys (Edição em Português. Online), v. 1, p. 1-150, 2011.
SPOSITO, Marília Pontes. Escola pública e movimentos sociais. São Paulo, Revista da ANDES, n. 7, p. 15-20, 1984.
POLLAK, Michael. Memória, Esquecimento, Silêncio. Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 2, n. 3, 1989, p. 3-15.
PAIS, José Machado. Nas Rotas do Quotidiano. Revista Crítica de Ciências Sociais. N.37, p.105-115, Junho, 1993.
PAIS, José Machado. Vida cotidiana: enigmas e revelações. São Paulo: Cortez, 2003.
PASSOS, Mailsa Carla Pinto. Encontros cotidianos e a pesquisa em Educação: relações raciais, experiência dialógica e processos de identificação. Educar em Revista, Curitiba: Editora UFPR, n. 51, jan./mar. 2014, p. 227-242.
SANTOS, Boaventura de Souza. Para um novo senso comum: a ciência, o direito e a política na transição paradigmática. São Paulo: Cortez, 4ed, 2002.
WILLIAMS, Raymond. Cultura e materialismo. Editora Unesp, 2011.