A violência contra a juventude negra no bairro da terra firme: uma experiência a partir do estágio em direitos humanos no estado do Pará
Resumen
A Terra Firme é um bairro periférico da área metropolitana de Belém-PA ao longo de tempos presencia a morte dos jovens por grupos de extermínio, com maior incidência nos últimos cinco anos, a ponto de ter ocorrido uma chacina nos diversos bairros de Belém, no mês de novembro de 2014, com repetição no início deste ano, onde foram executados 37 jovens. A vida cotidiana dessa população é marcada pelos problemas decorridos da precariedade dos serviços públicos básicos e da fragilidade do poder público em todos os aspectos.
O objetivo deste trabalho é discutir a violência contra a juventude negra da periferia é de que forma o estado vem respondendo por meio de politicas publicas na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado do Pará.
Este estudo tem como base aproximações ao método Dialético marxista fundamentado numa investigação e exposição crítica do objeto. Foi realizado revisão bibliográfica por meio de acesso as leituras especializadas na área das ciências sociais e a pesquisa de campo com o processo de estagio supervisionado em Direitos Humanos, na Gerência da Política de Promoção de Igualdade Racial através da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos.
De acordo com os dados do Mapa da violência publicado em 2016, no Pará foram mortos cerca de 2.115 negros, desses 1.133 eram jovens . Diante dos 150 municípios mais violentos do Brasil, o Pará aparece representado por 09 municípios, estando Ananindeua em 07º lugar no ranking. Os índices apontam que a maior vítima de violência por arma de fogo é a juventude negra da periferia.
Os índices da violência contra a juventude negra dispostos acima estão relacionado com diversas questões que estão intercruzadas como o racismo, pobreza, descriminação, a falência do sistema de segurança e justiça. Nota-se que há um conjunto de fatores que vem historicamente violando os direitos humanos e constitucionais da juventude negra. Diante disso, Compreende-se a necessidade de interseccionalizar as categorias juventude, raça e classe do estado do Pará.
A secretária de Justiça e direitos humanos do estado se constitui enquanto órgão de promoção da cidadania plena na qual preconiza a universalidade, indivisibilidade e interdependência dos Direitos Humanos, porém encontra-se fragilizada, pois atualmente não possui ações voltadas à prevenção, promoção e monitoramento de políticas específica a população negra pelo fato do conselho não estar legitimado pela secretária.
Evidencia-se que a gerência possui déficits nas políticas de combate a violência contra a juventude negra. Sendo assim, nota-se a necessidade de uma discursão mais aprofundada voltada às políticas públicas do Pará para a juventude negra, uma vez que a questão da violência contra os jovens negros vem se intensificando no estado do Pará, e que o estado é uma instituição que regula a vida social a partir das políticas, no entanto, se faz necessário estudar quais as políticas públicas voltadas para a juventude negra são efetivadas pelo estado do Pará no sentido de garantir os direitos humanos, como o direito à vida, a igualdade racial, e a dignidade de pessoa humana dentre outros.
Segundo manifestado pelo CFESS (2014) “O extermínio da juventude pobre e negra da periferia das cidades tem revelado uma das faces mais cruéis dessa sociabilidade capitalista, centrada especialmente na forte atuação do aparelho repressivo do Estado”. Declara a existência de uma verdadeira guerra conta essa juventude e nessa conjuntura “temos o dever de estimular a sociedade a refletir e a discutir sobre estas questões”. E é a isso que este estudo se destina.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Licença Creative Commons
Creative Commons Attribution 4.0 International License
Política de acesso livre
Acesso aberto imediato (open access). Os Anais atendem à definição de acesso aberto, possibilitando acesso completo a todo o conteúdo publicado, licenciado sob uma licença Creative Commons. Os usuários deste periódico poderão ler, baixar, copiar e distribuir o conteúdo disponível, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original.