O estatuto dos sofistas em Nietzsche

Autores

  • Arnaud Sorosina

Resumo

O exame do estatuto dos sofistas em Nietzsche é a ocasião de dar conta de sua evolução intelectual, sob uma perspectiva singular: os textos de juventude, entre 1869 e 1876, testemunham uma posição ambígua em relação aos sofistas, que são, de início, assimilados à decadência socrática, depois reabilitados como campeões do agôn, característico da cultura grega.  De 1876 a 1888, Nietzsche os percebe cada vez mais como um fenômeno cultural tipicamente grego: sem se interessar às doutrinas de cada sofista, ele interroga sua significação histórica e genealógica, fazendo do historiador Tucídides o coroamento do espírito sofístico. 

Referências

Há na temática da miscigenação um aspecto contraditório, pois, ao mesmo tempo em que seria a salvação do país, porque os negros desapareceriam, também era vista como elemento que “estragaria o potencial de progresso dos brancos”. No entanto, foi por meio da miscigenação se deu a construção do que é divulgado como “identidade brasileira”. O resultado da miscigenação, para tal ideologia daria para o negro a esperança, o sonho, à ilusão de que os seus herdeiros, talvez, pudessem ser incluídos como parte da sociedade, mas, porque “carrega um duplo sentido negativo: o de denegação de identidade de grupo e o de denegação de uma humanidade comum”. (ANDRÉ, 2008, p.120 e 121).

A discriminação e preconceito raciais não são mantidos intactos após a abolição, pelo contrário, adquirem novos significados e funções dentro das novas estruturas e as práticas racistas do grupo dominante branco que perpetuam a subordinação dos negros não são meros arcaísmos do passado, mas estão funcionalmente relacionadas aos benefícios materiais e simbólicos que o grupo branco obtém da desqualificação competitiva dos não brancos. (HASENBALG, 1979. p.84).

As ações afirmativas se definem como políticas públicas (e privadas) voltadas à concretização do principio constitucional da igualdade material e à neutralização dos efeitos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de compleição física. Na sua compreensão, a igualdade deixa de ser simplesmente um princípio jurídico a ser respeitado por todos, e passa a ser um objetivo constitucional a ser alcançado pelo Estado e pela sociedade (GOMES, 2001, p. 21).

Mas, eu, homem de cor, na medida em que me é possível existir absolutamente, não tenho o direito de me enquadrar em um mundo de reparações retroativas. Eu, homem de cor, só quero uma coisa: que jamais o instrumento domine o homem. Que cesse para sempre a servidão do homem pelo homem. Ou seja, de mim por outro. Que me seja permitido descobrir e querer bem ao homem, onde quer que ele me encontre. (FANON, 2008, p.p 190 e 191).

[...] A naturalização do que é histórico ganha legitimidade pelo poder hegemônico e oculta a violência, as hierarquias (de poder nas relações sociais) produzidas por estereótipos cuja função é biologizar o que é social nas relações e práticas sociais. A naturalização é a mediação para a essencialização da vida social. É, por assim dizer, a perpetuação da hegemonia do capital sob a experiência de vida dos sujeitos sociais concretos: negros (as), índios (as), população LGBT (lésbicas, gays bissexuais e travestis), crianças, idosos, pessoas com deficiência e o legado religioso não hegemônico [...]. (ALMEIDA, 2013, p.138).

[...] a escala e a radicalidade da questão racial no Brasil podem ser consideradas condições fundamentais não só da luta pela eliminação do preconceito racial, mas também da transformação da sociedade brasileira como um todo e, fundamentalmente, da verdadeira construção de uma sociedade nacional, articulada, viva, em movimento, que a sociedade civil e o Estado desenvolvam-se de forma articulada e fluente e que a “população” se transfigure em “povo”, no sentido de que o povo se constitui quando se compõe de “cidadãos”, de pessoas situadas e integradas, participantes e ativas, em todas as esferas da sociedade, públicas e privadas [...] (IANNI, 2005, p. 11).

[...] silenciar, invibilizar o negro não é um ato restrito à história do Serviço Social, uma vez que “no registro que o Brasil tem de si mesmo o negro tende à condição de invisibilidade” (HASENBALG, 1982, p. 105). Cumpre desvendar os motivos pelos quais essa invisibilidade registra-se [...]. Afinal, “é preciso pensar nas especificidades dessa história brasileira, que fez da desigualdade uma etiqueta e da discriminação um espaço não formalizado” (SCHWARCZ, 2001, p. 36). Esta análise tem em mira que o silêncio sobre os negros na produção incipiente do Serviço Social não é um acidente mnemônico, mas um silêncio – e “silêncio não é sinônimo de ausência” (SCHWARCZ, 2001, p. 52). (FERREIRA, 2010. p. 13).

[...] a escala e a radicalidade da questão racial no Brasil podem ser consideradas condições fundamentais não só da luta pela eliminação do preconceito racial, mas também da transformação da sociedade brasileira como um todo e, fundamentalmente, da verdadeira construção de uma sociedade nacional, articulada, viva, em movimento, que a sociedade civil e o Estado desenvolvam-se de forma articulada e fluente e que a “população” se transfigure em “povo”, no sentido de que o povo se constitui quando se compõe de “cidadãos”, de pessoas situadas e integradas, participantes e ativas, em todas as esferas da sociedade, públicas e privadas [...] (IANNI, 2005, p. 11).

O discurso competente é crítico quando vai à raiz e desvenda a trama submersa dos conhecimentos que explica as estratégias de ação. Essa crítica não é apenas mera recusa ou mera denúncia do instituído, do dado. Supõe um diálogo íntimo com as fontes inspiradoras do conhecimento e com os pontos de vista das classes por meio dos quais são construídos os discursos: suas bases históricas, a maneira de pensar e interpretar a vida social das classes (ou segmentos de classe) que apresentam esse discurso como dotado de universalidade, identificando novas lacunas e omissões. (IAMAMOTO, 2009. p. 2).

[...] um profissional culturalmente versado e politicamente atento ao tempo histórico; atento para decifrar o não-dito, os dilemas implícitos no ordenamento epidérmico do discurso autorizado pelo poder [...] capazes de elaborar estratégias de ação estabelecidos a partir da elucidação das tendências presentes no movimento da própria realidade, decifrando suas manifestações particulares no campo sobre o qual incide a ação profissional. (IAMAMOTO, 2009. p. 3).

Downloads

Publicado

2016-04-17

Edição

Seção

Artigos