Ecumenismo, diversidade e deficiência em Nietzsche
A inoculação do novo e o cultivo das culturas em Humano, demasiado humano
DOI:
https://doi.org/10.47456/a54n4k30Palavras-chave:
Ecumenismo, Deficiência, Cultivo, Perspectivismo, DiversidadeResumo
Pretende-se apresentar e discutir aspectos relacionados ao que aqui tratamos por cultivo das culturas, isto é, à dinâmica de inoculação de novos valores e favorecimento à expansão de uma cultura, conforme apresentada em Humano, demasiado humano, ressaltando a importância da fixação de objetivos ecumênicos para tal tarefa, bem como o papel da diversidade e da deficiência dentro de tal dinâmica. Pautada por uma leitura de teor naturalista e por princípios ecumênicos, guiados pelo conhecimento das condições específicas de gestação de cada cultura, as hipóteses de Nietzsche buscam se contrapor à iminência da tirania baseada em um conhecimento universal oniabrangente, sem com isso legar ao acaso o destino das culturas. Por outro lado, ao mesmo tempo em que demarcam um posicionamento crítico em relação à sociobiologia spenceriana, fornecem também elementos para se pensar as deficiências para além de sua compreensão usual. Isto é, não apenas como carências a serem suprimidas pelo nivelamento físico e psíquico – em relação à mediania e homogeneidade própria aos agrupamentos sociais, submetida a certa lógica da eficiência –, mas como potências transvalorativas que, pela inclusão ou inoculação do diverso, impediriam o embotamento e promoveriam, em sentido específico, o progresso de uma cultura.
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