Algumas considerações acerca da mistura de povos ou raças no pensamento de Nietzsche

Autores

  • Wilson Antonio Frezzatti Junior Universidade Estadual do Oeste do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.47456/en.v15i2.47736

Palavras-chave:

Bom europeu, Cultura, Fisiopsicologia, Gobineau, Raça

Resumo

A mistura (Mischung) de raças e povos aparece de modos contrastantes nos textos de Nietzsche. Algumas vezes, a mistura é exaltada por sua riqueza de características; outras vezes, ela é denunciada por sua estreita relação com a degeneração. Os objetivos deste artigo são, primeiro, investigar se a segunda perspectiva é justificada por uma possível influência das ideias de Arthur de Gobineau e, depois, se podemos, no contexto da fisiopsicologia nietzschiana, encontrar algum papel positivo para a mistura. Após estabelecermos que: 1) a noção nietzschiana de raça que se adequa às metas de sua própria filosofia, isto é, multiplicidade, mudança contínua e criação de novas culturas, é a de tipo cultural; e 2) não há razões para pensarmos em uma influência de Gobineau sobre Nietzsche, propomos que a personagem do bom europeu é o tipo fisiopsicológico, resultado da mistura de povos europeus, que possibilita a elevação da cultura.

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Biografia do Autor

Wilson Antonio Frezzatti Junior, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Professor associado do Curso de Filosofia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná

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Publicado

19-03-2025

Edição

Seção

Dossiê Temático