Nietzsche e a música do futuro
Um diálogo com Berlioz e Wagner
DOI:
https://doi.org/10.47456/chczmg21Palavras-chave:
Nietzsche, Wagner , Berlioz, Música do futuroResumo
A partir do o veredito de Nietzsche de que teria se tornado wagneriano quando conheceu a redução para piano de Tristão, o artigo analisa o quanto é confiável essa afirmação. Ao considerar a relação de Nietzsche com a música desde sua primeira juventude, uma investigação sobre a música do futuro e do debate em torno dessa polêmica nos permite não apenas conhecer os seus posicionamentos, como também matizar aquela afirmação sobre sua adesão a Wagner. O que os textos anteriores ao contato pessoal entre Nietzsche e Wagner revelam é um gosto nem sempre inequívoco do filósofo em relação à obra wagneriana. Descobrimos que é com a música de Berlioz que essa aproximação primeiro acontece. Dessa forma, quando, a partir de Humano, demasiado humano, a ruptura com Wagner ocorrer, muitos elementos dessa primeira crítica, anterior a O nascimento da tragédia, voltarão à tona, ainda que inserida no contexto da obra em que são retomadas.
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