Paralelos possíveis entre Nietzsche e Celso

Sedição e ressentimento

Autores

  • Adilson Felicio Feiler Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

DOI:

https://doi.org/10.47456/pbnj0f48

Palavras-chave:

Nietzsche, Celso, Cristianismo, Moral, Crítica

Resumo

Em que medida é possível aproximar as invectivas de Celso de conciliar o monoteísmo filosófico com o politeísmo político da filosofia e do Estado das críticas ao Cristianismo em seu aspecto moral é uma das metas a que se propõe esta investigação. Todo o esforço de Celso contra a sedição que envolve a política e a cultura da essência do Cristianismo, a revolta contra a própria essência do Cristianismo se aproxima do problema do ressentimento que se depreende das análises de Nietzsche do Cristianismo como dispositivo de contraforças, ou seja, de sentimentos de vingança e de ódio. A revolta das ações contra as leis do Estado se aproxima do ressentimento em Nietzsche. Por essa razão, as críticas de Celso ao Cristianismo têm em Nietzsche a sua atualização. Consistem estas em críticas no que tange à relação entre Igreja e Estado, precisamente à tendência de imposição da Igreja sobre as questões relativas ao Estado. Portanto, trata-se, em ambos os autores, de uma crítica ao Cristianismo subversivo, de se impor sobre o Estado. E, desta crítica do Cristianismo sobre o Estado, se depreende uma visão de ressentimento, pela incapacidade de interposição de forças capazes de superação.

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Publicado

17-03-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático