Percepção de risco em destinos turísticos costeiros: estudo de caso no Serrote da Pedra Furada, Jericoacoara, Ceará, Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/geo.v5i41.51013

Palavras-chave:

percepção de risco, turismo, Jericoacoara

Resumo

Os destinos costeiros de alta visitação, como Jericoacoara, no litoral oeste do Ceará, Brasil, apresentam riscos naturais frequentemente subestimados pelos visitantes. O presente estudo analisou a percepção de risco no Serrote da Pedra Furada, no Parque Nacional de Jericoacoara, por meio da aplicação de formulários a 107 turistas. Os resultados revelaram uma contradição importante: embora 58,9% afirmem conhecer o conceito de falésias, apenas 34,9% identificam o local como tal. A percepção de risco mostrou-se predominantemente sensorial, baseada em elementos imediatos, como a inclinação do terreno e a dificuldade de acesso, em vez da compreensão dos processos geomorfológicos como o de instabilidade. Fatores como primeira visita, idade e origem influenciaram significativamente essa percepção. Além disso, 74,8% dos participantes destacaram a ausência de sinalização adequada, indicando que a comunicação sobre os riscos é insuficiente no local. Os resultados sinalizam a necessidade de implementação de estratégias de comunicação de risco e sinalização educativa como medidas essenciais para mitigar a vulnerabilidade dos visitantes.

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Biografia do Autor

  • Juliana Moreira dos Santos, Universidade Estadual do Ceará

    Cursando doutorado em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia (ProPGeo/UECE). Graduanda do 8 semestre do curso de licenciatura em Geografia pela Universidade Federal do Ceará - UFC. Mestre em Geografia (2021) pelo Programa de Pós-graduação em Geografia (ProPGeo/UECE) na linha de pesquisa Análise Geoambiental, Ordenação e Produção do Território. Vinculada ao Laboratório de Geologia e Geomorfologia Costeira e Oceânica (LGCO/UECE). Bacharel em Geografia (2017) pela Universidade Estadual do Ceará - UECE. Especialização em Geoprocessamento Aplicado à Análise Ambiental e Recursos Hídricos pela UECE em andamento.

  • Tais Amorim Lindoso, Universidade Estadual do Ceará

    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Graduada em Geografia Bacharelado pela Universidade Estadual do Ceará (2020) e Mestra (2023) pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (ProPGeo) da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Foi bolsista do Programa de Monitoria Acadêmica (PROMAC) da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD/UECE) entre 2018-2019 na disciplina de Hidrologia de Superfície. É membra pesquisadora do Grupo de Pesquisa Sistemas Costeiros e Oceânicos, vinculado ao Laboratório de Geologia e Geomorfologia Costeira e Oceânica da Universidade Estadual do Ceará. Foi estagiária na Célula de Conservação da Diversidade Biológica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Ceará no ano de 2019. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geografia Física e desenvolve estudos sobre temas como Unidades de Conservação, Uso Público, Turismo, Gestão Ambiental e Impactos Ambientais.

  • Davis Pereira de Paula, Universidade Estadual do Ceará

    Davis de Paula é Geógrafo e possui doutorado em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente, com especialização em Gestão Costeira pela Universidade do Algarve, Portugal (2012). Concluiu o mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará (UECE) em 2006, com área de concentração em Análise Geoambiental e Ordenação do Território nas Regiões Semiáridas e Litorâneas. É bacharel (2003) e licenciado (2004) em Geografia pela UECE. Em 2020, concluiu o Pós-Doutorado em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente, é professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará, onde exerce a função de Vice-Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia (ProPGeo/UECE). É coordenador do curso de Curso de Graduação em Licenciatura em Geografia da UECE na modalidade à distância. Desde 2000 é pesquisador associado ao Laboratório de Geologia e Geomorfologia Costeira e Oceânica (LGCO) e membro do Grupo de Pesquisa Sistemas Costeiros e Oceânicos do CNPq. Entre 2017 e 2019, foi coordenador dos cursos de Geografia do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT/UECE). Além disso, atuou como professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) entre 2013 e 2016 e integrou o quadro permanente de docentes do Mestrado Acadêmico em Geografia (MAG/UVA) de 2014 a 2019. É coordenador do subprojeto Planejamento Espacial Ambiental no âmbito do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente do Governo do Estado do Ceará, em parceria com a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) e a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (SEMA-CE). Entre 2022 e 2024, foi conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (CREA-CE) e representante na Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia de Agrimensura do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). No âmbito da cooperação internacional, é membro da Rede Braspor desde 2012, tendo sido coordenador brasileiro da rede entre 2015 e 2017. Trata-se de uma rede interdisciplinar que reúne cientistas do Brasil e de Portugal dedicados ao estudo dos ambientes costeiros e suas dinâmicas. Seus interesses de pesquisa estão voltados para a Geografia Costeira, com ênfase na Gestão e nos Impactos Costeiros. Atua principalmente nos seguintes temas: história ambiental, interação homem-meio, dinâmica de praias, dunas e falésias, eventos extremos costeiros (ressacas do mar), gestão e ordenamento de ambientes costeiros, além dos impactos socioambientais em comunidades litorâneas. Suas pesquisas incluem abordagens interdisciplinares, combinando métodos de análise espacial, geotecnologias e estudos de percepção ambiental para subsidiar estratégias de mitigação e adaptação às mudanças costeiras.

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Localização da área de estudo, no trecho do Serrote, um dos principais acessos à Pedra Furada

Publicado

20-03-2026

Como Citar

Percepção de risco em destinos turísticos costeiros: estudo de caso no Serrote da Pedra Furada, Jericoacoara, Ceará, Brasil. Geografares, Vitória, Brasil, v. 6, n. 42, p. e-51013, 2026. DOI: 10.47456/geo.v5i41.51013. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/geografares/article/view/51013. Acesso em: 21 mar. 2026.