Urbanização corporativa, cidade informatizada: entre a hierarquização e a seletividade do território brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/geo.v6i43.53178

Palavras-chave:

urbanização corporativa, hierarquia urbana, cidades inteligentes, Brasil

Resumo

Este artigo analisa as mediações contemporâneas da urbanização corporativa no contexto brasileiro. Argumenta-se que tal articulação contribui para a produção de novas normas e formas de comando sobre o espaço urbano. Discorre-se sobre como mecanismos de hierarquização e seletividade territorial orientam agendas municipais cada vez mais voltadas a interesses corporativos e à legitimação da competitividade. Por fim, conclui-se que a informatização das cidades representa o desdobramento mais consequente desse modelo, no qual a racionalidade neoliberal aprofunda desigualdades socioespaciais historicamente construídas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Beatriz Bicalho, Universidade Federal de Uberlândia

    Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (PPGeo/UFU) na linha de pesquisa de Dinâmicas Teritoriais. Mestra (2022), bacharel (2023) e licenciada (2019) em Geografia pela mesma instituição. Possui interesse na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Urbana e Econômica, atuando nos seguintes temas: urbanização corporativa, financeirização e dinâmicas imobiliárias, cidades inteligentes, planejamento urbano, desigualdades socioespaciais.

  • Amanda Silva Almeida, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

    Doutoranda em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas, Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Alfenas e Graduada em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia. Possui interesses de pesquisa na área Geografia Humana, atuando sobretudo nos seguintes temas: geoprocessamento aplicado à dinâmica socioespacial, espaço urbano, informatização e usos do território.

Referências

ALMEIDA, Virgilio; FILGUEIRAS, Fernando; MENDONÇA, Ricardo Fabrino. Algorithms and institutions: How social sciences can contribute to governance of algorithms. IEEE Internet Computing, v. 26, n. 2, p. 42-46, 2022.

ARANTES, Otília Beatriz Fiori. Uma estratégia fatal: a cultura nas novas gestões urbanas. A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.

ASSESPRO. Sobre. Brasília, DF: Confederação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, 2025. Disponível em: https://assespro.org.br/sobre/. Acesso em: 1 jun. 2026.

BALBIM, Renato Nunes. A Geopolítica das cidades e a nova agenda urbana. Boletim Regional, Urbano e Ambiental (Brua), [s. l], n. 17, p. 35-44, 2017. Semestral. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/entities/publication/209d8d60-4d48-4799-b4f0-7ab24dabecc2. Acesso em: 17 fev. 2026.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Carta brasileira para cidades inteligentes. Brasília: MDR, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/desenvolvimento-urbano-e-metropolitano/projeto-andus/carta-brasileira-para-cidades-inteligentes/CartaBrasileiraparaCidadesInteligentes2.pdf. Acesso em: 17 fev. 2026.

BRASIL. Projeto de Lei n. 976, de 18 de março de 2021. Institui a Política Nacional de Cidades Inteligentes (PNCI). Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 2021. Disponível em: https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2274449. Acesso em: 1 jun. 2026.

CENTRE FOR PUBLIC IMPACT. Rio de Janeiro’s centre of operations: COR. Centre for Public Impact, 25 mar. 2016. Disponível em: https://centreforpublicimpact.org/public-impact-fundamentals/rio-de-janeiros-centre-of-operations-cor/. Acesso em: 1 jun. 2026.

CONNECTED SMART CITIES. BID e BNDES anunciam R$ 1 bilhão para digitalização de sistemas públicos. Connected Smart Cities, 8 fev. 2025. Disponível em: https://evento.connectedsmartcities.com.br/releases/bid-e-bndes-anunciam-r-1-bilhao-para-digitalizacao-de-sistemas-publicos/. Acesso em: 1 jun. 2026.

DISTRITO. Smart Cities: Brasil possui 166 startups focadas em cidades inteligentes. Distrito, dez. 2020. Disponível em: https://www.distrito.me/blog/smart-cities. Acesso em: 1 jun. 2026.

GUTIÉRREZ PUEBLA, Javier. Big Data i noves geografies: l’empremta digital de les activitats humanes. Documents d’Anàlisi Geogràfica, [S. l.], v. 64, n. 2, p. 195–217, 2018.

HARVEY, David. Do gerenciamento ao empresariamento: a transformação da administração urbana no capitalismo tardio. São Paulo, Espaço e Debates, nº 39, 1996, p. 48-64.

HOLLANDS, Robert. Will the real smart city please stand up?: Intelligent, progressive or entrepreneurial?. In: The Routledge companion to smart cities. Routledge, 2020. p. 179-199.

MANZONI NETO, Alcides. O novo planejamento territorial: empresas transnacionais de consultoria, parcerias público-privadas e o uso do território brasileiro. 2007. Dissertação de Mestrado, Instituto de Geociências, Unicamp, Campinas, 2007.

MELLO, Daniel. SP abre central de vigilância de câmeras com reconhecimento facial. Agência Brasil, São Paulo, 4 jul. 2024. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-07/sp-abre-central-de-vigilancia-de-cameras-com-reconhecimento-facial. Acesso em: 4 jun. 2026.

MENDES, Teresa. Smart cities: solução para as cidades ou aprofundamento das desigualdades sociais? Texto para Discussão, n. 11, 2020. Rio de Janeiro: Observatório das Metrópoles, 2020. Disponível em: https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2020/01/TD-011-2020_Teresa-Mendes_Final.pdf. Acesso em: 16 fev. 2026.

MOROZOV, Evgeny; BRIA, Francesca. A Cidade Inteligente: tecnologias urbanas e democracia. São Paulo: Ubu Editora, 2020. 1ª reimpressão. 192 p. Tradução: Humberto do Amaral.

MOROZOV, Evgeny. BIG TECH: a ascensão dos dados e a morte da política. Ubu Editora, 2018. 192 p. Tradução: Claudio Marcondes.

OBSERVATÓRIO ACATE. Panorama do setor de tecnologia de Santa Catarina. Florianópolis: Associação Catarinense de Tecnologia, 2025. Disponível em: https://www.observatorioacate.com.br/. Acesso em: 1 jun. 2026.

OBSERVATÓRIO SEBRAE STARTUPS. Sebrae Startups Report Brasil 2025. Brasília, DF: Sebrae, 2025. Disponível em: https://observatorio.sebraestartups.com.br/pt-br/estudo/sebrae-startups-report-brasil-2025. Acesso em: 1 jun. 2026.

PASTI, André; CRACCO, Luis. Tecnopolíticas urbanas, informação e competitividade territorial: notas sobre um ranking de smart cities. Boletim Campineiro de Geografia, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 107–123, 2022. DOI: 10.54446/bcg.v12i1.2867. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/boletim-campineiro/article/view/2867.

PASTI, André. Novos eventos e o aprofundamento da violência da informação: a dataficação e a desinformação massiva. In: ARROYO, Mónica; SILVA, Adriana M. Bernardes (org.). Instabilidade dos territórios: por uma leitura crítica da conjuntura a partir de Milton Santos. São Paulo: FFLCH/USP, 2022. p. 251-263.

PASTI, André. Sua cidade, seus dados: resistindo à mercantilização do território e dos dados pessoais. Diálogos Socioambientais, [S. l.], v. 7, n. 20, p. 34–37, 2024.

PECK, Jamie. Transatlantic city, part 1: Conjunctural urbanism. Urban studies, v. 54, n. 1, p. 4-30, 2017.

PEREIRA, Mirlei Fachini Vicente. A Hegemonia do Agronegócio Brasileiro: tecnosfera, psicosfera e o poder da informação. In: SILVA, L. P. D.; FRANK, B. J. Psicosfera: contribuições teóricas a partir de investigações geográficas. Porto Alegre: TotalBooks, 2023, p.143-168.

REIA, Jess; CRUZ, Luã. Cidades inteligentes no Brasil: conexões entre poder corporativo, direitos e engajamento cívico. Cadernos Metrópole. Dossiê: novas agendas urbanas. São Paulo, v. 25, n. 57, p. 467-490, maio-ago. 2023.

SÁNCHEZ, Fernanda. A reinvenção das cidades na virada de século: agentes, estratégias e escalas de ação política. Revista de sociologia e política, p. 31-49, 2001.

SANTOS, Évani Larisse dos et al. Cidades inteligentes e sustentáveis: percepções sobre a cidade de Curitiba/PR a partir dos planos plurianuais de 2014 a 2021. Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 14, p. e20210299, 2022.

SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996. 3 SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. Uma ordem espacial: a economia política do território. Revista GeoInova, n. 3, p. 33-48, 2001.08 p.

SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. São Paulo: Hucitec, 1993. 157 p.

SANTOS, Milton. Materiais para o estudo da urbanização brasileira no período técnico científico. Boletim Paulista de Geografia, n. 67, p. 5-16, 1989.

SANTOS, Milton. Por Uma Economia Política da Cidade: O caso de São Paulo. São Paulo: Hucitec, 1994

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000. 174 p.

SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico-informacional. São Paulo: Hucitec, 1994. 190 p.

SILVA, Adriana Maria Bernardes da. A contemporaneidade de São Paulo: produção de informações e novo uso do território brasileiro. 2002. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002. Acesso em: 23 out. 2025.

SILVA, Adriana Maria Bernardes. Círculos de informações, urbanização e usos do território brasileiro. Revista da ANPEGE, v. 8, n. 10, p. 3-15, 2012.

SILVA, Adriana Maria Bernardes. Círculos globais de informações e uso corporativo do território brasileiro: privatizações e planejamento territorial a partir dos anos 1990. Cadernos IPPUR/UFRJ, v. 23, p. 09-32, 2009.

SILVA, Adriana Maria Bernardes. Informatização planetária e usos do território brasileiro: disputas e tendências. In: ARROYO, Mónica; SILVA, Adriana M. Bernardes (org.). Instabilidade dos territórios: por uma leitura crítica da conjuntura a partir de Milton Santos. São Paulo: FFLCH/USP, 2022. p. 225-241.

TEIXEIRA, Sérgio Henrique de Oliveira. Círculos de informações e usos do território: grandes empresas de consultoria e a gestão da privatização no Brasil. 2013. 125 p. Dissertação (mestrado) -Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP.

TEIXEIRA, Sérgio Henrique de Oliveira. Planejamento, informação e circulação: as concessões dos aeroportos brasileiros e os usos corporativos do território. 2018. 333 p. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP.

URBAN SYSTEMS. Cases. São Paulo: Urban Systems, [s.d.]. Disponível em: https://www.urbansystems.com.br/cases. Acesso em: 1 jun. 2026.

URBAN SYSTEMS. Ranking Connected Smart cities 2025. Connected Smart cities, 2025. Disponível em: https://ranking.connectedsmartcities.com.br/. Acesso em: 14 fev. 2026.

VAINER, Carlos et al. Pátria, empresa e mercadoria: notas sobre a estratégia discursiva do planejamento estratégico urbano. A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.

VAN DIJCK, José. Datafication, dataism and dataveillance: Big Data between scientific paradigm and ideology. Surveillance & society, v. 12, n. 2, p. 197-208, 2014.

VIOLA, Carla Maria Martellote; SHINTAKU, Milton. Mapeamento das Secretarias Municipais de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil. Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, [S. l.], v. 9, p. 1–8, 2024. DOI: 10.22477/ix.ebbc.278. Disponível em: https://ebbc.inf.br/ojs/index.php/ebbc/article/view/278. Acesso em: 1 jun. 2026.

ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020. 800 p. Tradução de: George Schlesinger.

Atributos das telecomunicações no território brasileiro (2024)

Publicado

23-07-2026

Edição

Seção

Dossiê temático. Colóquio Espaço e Economia. Dominância financeira, capitalismo de plataforma e reestruturação produtiva

Como Citar

BICALHO, B.; ALMEIDA, A. S. Urbanização corporativa, cidade informatizada: entre a hierarquização e a seletividade do território brasileiro. Geografares, v. 6, n. 43, p. e-53178, 23 jul.2026.