Notes pour une géographie du travail sous le capitalisme de plateforme : l'analyse des circuits de l'économie urbaine et des rapports sociaux de production des travailleurs par application au Largo do Machado, Rio de Janeiro

Auteur/ices

DOI :

https://doi.org/10.47456/geo.v6i43.53145

Mots-clés :

capitalisme de plateforme, circuits de l’économie urbaine, travail via applications, iFood, Largo do Machado

Résumé

L’article analyse les transformations du travail dans le capitalisme de plateforme à partir d’une étude de cas des livreurs d’iFood au Largo do Machado, à Rio de Janeiro. Il s’ancre théoriquement dans les circuits de l’économie urbaine de Milton Santos, actualisés par Montenegro et Tozi. La recherche qualitative combine observation systématique et entretiens réalisés entre septembre et novembre 2025. Les résultats montrent qu’iFood opère comme un agent du circuit supérieur, imposant une subordination algorithmique et un transfert des coûts, tout en s’appuyant sur des travailleurs du circuit inférieur. La psychosphère néolibérale naturalise la précarité, mais les livreurs constituent des réseaux de sociabilité, tels que des groupes WhatsApp, qui engendrent des tactiques collectives de résistance. On conclut que l’articulation entre les circuits est structurellement asymétrique, actualisant des processus historiques de restructuration productive dans les spatialités urbaines contemporaines. 

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Biographies des auteurs

  • Thayana Santos Simões, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Professora da Rede Municipal de Belford Roxo, Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Possuí licenciatura em Geografia pela mesma Universidade. É membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Geografia Econômica (NEPGE) do Departamento de Geografia Humana do IGEOG/UERJ.

  • Regina Tunes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Professora Adjunta do Departamento de Geografia Humana do Instituto de Geografia (IGEOG) e Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGEO) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre e Doutora pelo Programa de Geografia Humana da USP, atuando especialmente na pesquisa voltada para a Geografia Econômica e Geografia Regional. Realizou estágio de pós-doutoramento atuando como Pesquisadora Visitante no Departamento de Geografia da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Pesquisadora do Núcleo Rio de Janeiro do INCT Observatório das Metrópoles e Vice-Líder da Rede Latino-Americana Espaço e Economia (Re-laee). Pesquisadora ProCientista (FAPERJ/UERJ), Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE - FAPERJ) e Produtividade em Pesquisa (CNPq, nível C). Editora-Chefe do periódico GeoUERJ (Qualis A1). Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Geografia Econômica (NEPGE) do Departamento de Geografia Humana do IGEOG/UERJ.

  • Pablo José Ciccolella, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Université de Buenos Aires

    Doutor em Geografia e Urbanismo, formado na Universidade de Buenos Aires e na Université de Paris III. Atualmente é Diretor do Programa de Desenvolvimento Territorial e Estudos Metropolitanos do Instituto de Geografia (UBA), Professor Consulto Titular do Departamento de Geografia da Facultad de Filosofía y Letras (UBA) e Professor Visitante no Programa de Pós-graduação em Geografia da UERJ. Tem uma reconhecida trajetória na gestão acadêmica, na produção de conhecimento e na docência de graduação e pós-graduação, além de múltiplos trabalhos como consultor internacional. Tem publicado numerosos livros, dossiês, artigos e partes de capítulos de livros na sua especialidade.  

Références

ALVES, G. Trabalho e reestruturação produtiva no Brasil neoliberal – Precarização do trabalho e redundância salarial. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 12, n. 2, p. 188-197, jul./dez. 2009.

ANDERSON, P. Balanço do Neoliberalismo. In: SADER, E.; GENTILI, P. (Org.). Pós-neoliberalismo?: as políticas sociais e o Estado democrático. São Paulo: Paz e Terra, 1995. p. 21-54.

ANTUNES, R. O novo servilismo: ensaios sobre o trabalho contemporâneo. São Paulo: Boitempo, 1999.

ANTUNES, R. Adeus ao trabalho?: ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. 15. ed. São Paulo: Cortez, 2018.

ANTUNES, R. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços. São Paulo: Boitempo, 2019.

BENVENUTE, J. Subordinação algorítmica e trabalho em plataformas digitais. Revista Brasileira de Sociologia do Trabalho, v. 21, n. 2, p. 45-62, 2019.

BRENNER, N. The urbanization of neoliberalism? The variegated institutional world of ‘neoliberal urbanism’. In: BRENNER, N.; THEODORE, N. (Orgs.). Spaces of Neoliberalism: Urban Restructuring in North America and Western Europe. Oxford: Blackwell Publishing, 2006. p. 1-32.

CAMARGO, M.; MELO, R.; JACOB, F. Trabalho por aplicativos no Brasil: precarização e centralidade urbana. Revista Trabalho, Educação e Saúde, v. 20, n. 2, p. 55-79, 2022.

FIORI, J. L. O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações. São Paulo: Boitempo, 2007.

GROHMANN, R. Trabalho, algoritmo e subjetividade: desafios do capitalismo digital. Porto Alegre: Sulina, 2020.

HAESBAERT, R. Espaço e poder: a geografia das desigualdades e a centralidade dos fluxos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020.

HARVEY, D. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, 1992.

HARVEY, D. Breve história do neoliberalismo. São Paulo: Loyola, 2008.

HARVEY, D. O Enigma do Capital e as Crises do Capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2011.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). PNAD contínua 2020: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Rio de Janeiro: IBGE, 2021.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). PNAD Contínua 2024: Trabalho por meio de plataformas digitais. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.

IFOOD. iFood anuncia 1.100 contratações e R$ 17 bilhões em investimentos diretos no país até março de 2026. São Paulo: iFood, 2024. Disponível em: https://institucional.ifood.com.br/releases/investimento-ifood-17-bi/. Acesso em: 23 out. 2025.

IFOOD. O que é o iFood? São Paulo: iFood, 2024. Disponível em: https://institucional.ifood.com.br/institucional/ifood-e-uma-empresa-brasileira/. Acesso em: 23 out. 2025.

JÚNIOR, Antonio Thomaz. POR UMA GEOGRAFIA DO TRABALHO! (REFLEXÕES PRELIMINARES). Revista Tamoios, São Gonçalo, v. 1, n. 1, 2010. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/tamoios/article/view/585. Acesso em: 24 maio. 2026.

LAZZARATO, M. Os poderes da vida imaterial. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.

LEFEBVRE, H. A produção do espaço. Tradução de Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins. 1. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2021.

LENCIONI, S. Concentração e centralização das atividades urbanas: uma perspectiva multiescalar. Reflexões a partir do caso de São Paulo. Revista de Geografía Norte Grande, Santiago, n. 39, p. 7-20, 2008.

MEIO E MENSAGEM. Movile investe R$ 55 milhões na iFood. São Paulo: Meio e

Mensagem, 2013. Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/proxxima/arquivo/noticias/movile-investe-r-55-milhoes-na-ifood. Acesso em: 23 out. 2025.

MONTENEGRO, M. R. A teoria dos circuitos da economia urbana de Milton Santos: de seu surgimento à sua atualização. Revista Geográfica Venezolana, v. 53, n. 1, p. 147-164, 2012.

MONTENEGRO, M. R. Capitalismo de plataforma e circuitos da economia urbana: novas articulações, novas subordinações. In: TOZI, F. (Org.). Plataformas digitais e novas desigualdades socioespaciais. 1. ed. [S. l.]: OPD, 2023. p. 46-57.

MOROZOV, E. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. São Paulo: Ubu Editora, 2018.

SADER, E. A vingança da história. São Paulo: Boitempo, 2013.

SANTOS, M. O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2006.

SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.

SENNETT, R. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2006.

SRNICEK, N. Capitalismo de plataforma. São Paulo: Autonomia Literária, 2020.

STANDING, G. O precariado: a nova classe perigosa. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

THOMAZ JÚNIOR, A. A (re)produção do espaço do trabalho no início do século XXI. Revista Terra Livre, São Paulo, n. 18, p. 13-48, 2002.

TOZI, F.; DUARTE, L. R.; CASTANHEIRA, G. R. Trabalho precário, espaço precário: as plataformas digitais de transporte e os circuitos da economia urbana no Brasil. Ar@cne, Barcelona, v. XXV, n. 252, 1 mar. 2021. DOI: https://doi.org/10.1344/ara2021.252.33968.

TOZI, F.; DUARTE, L. R.; LEITE, T. M. O serviço Uber Moto no Brasil: operação às margens da legalidade e vampirização das formas de transporte popular. Ateliê Geográfico, Goiânia, v. 17, n. 2, p. 268-286, ago. 2023. Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/atelie. Acesso em: 16 maio 2024.

UOL. iFood anuncia investimentos diretos de R$ 17 bilhões no Brasil até março de 2026. São Paulo: UOL, 5 ago. 2024. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/reuters/2024/08/05/ifood-anuncia-investimentos-diretos-de-r17-bilhoes-no-brasil-ate-marco-de-2026.htm. Acesso em: 23 out. 2025.

UNCTAD (2024). Business e-commerce sales and the role of online platforms. UNCTAD/DTL/ECDE/2024/3

UNCTAD (2019). Digital Economy Report 2019

UNCTAD (2024). Making e-commerce and the digital economy work for all

RIZEK, C. S. Viração e trabalho: algumas reflexões sobre dados de pesquisa. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 11, n. 21, 2007. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/estudos/article/view/89. Acesso em: 22 mar. 2026.

PROSUS. 2025 Summary From the Annual Report for the year ended 31 march 2025. 2025. Disponível em: https://www.prosus.com/. Acesso em 21/03/2026.

TUNES, R. H.. Geografia e inovação: questões teórico-metodológicas a partir da Economia Política e da Geografia Econômica. In: Maria Terezinha Serafim Gomes; Regina Tunes; Floriano José Godinho de Oliveira. (Org.). Geografia da Inovação: território, redes e finanças. 1ed.Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 2020, v. 1, p. 85-109.

Entregadores no ponto de espera do Largo do Machado se reúnem de acordo com suas afinidades enquanto esperam as corridas. Largo do Machado, Rio de Janeiro.

Publiée

23-07-2026

Numéro

Rubrique

Dossier thématique. Colloque Espace et Économie. Dominance financière, capitalisme de plateforme et restructuration productive

Comment citer

TUNES, R.; CICCOLELLA, P. J. Notes pour une géographie du travail sous le capitalisme de plateforme : l’analyse des circuits de l’économie urbaine et des rapports sociaux de production des travailleurs par application au Largo do Machado, Rio de Janeiro. Geografares, v. 6, n. 43, p. e-53145, 23 juill.2026.