Edição n.º 19 da Revista Guará estreia novo modelo editorial com artigo sobre Comunicação e Saúde

16-10-2025

Por Otávio Gomes*

Fonte: Matheus Pereira - GovBA

A Revista Guará, periódico on-line de artigos extensionistas publicado pela Pró-reitoria de Extensão da UFES (ProEx) está de cara nova. O site da revista científica conta com um novo layout, com mais recursos interativos e ferramentas de pesquisa de artigos, além de uma novo modelo editorial. Agora, as edições passam a ser anuais e com publicação em fluxo contínuo. 

“A navegação foi redesenhada, com páginas mais intuitivas e a incorporação de plugins que facilitam a interação de leitores e autores”, afirma João Furlani, editor-adjunto da Revista Guará. 

A diagramação dos textos dos artigos disponíveis on-line também sofreu mudanças, melhorando a visibilidade dos dados da publicação. “Além do novo layout e da atualização visual, estamos revisando o fluxo editorial e a estrutura de metadados para garantir maior visibilidade. Esperamos que, a partir dessas melhorias, a revista esteja mais bem preparada para integrar novas bases de dados e indexadores”, complementa João. 

Segundo Paola Primo, editora-executiva da revista, a publicação contínua dos artigos vai diminuir o tempo de publicação dos manuscritos que são submetidos à revista. “O modelo de fluxo contínuo traz vantagens para ambos os envolvidos na publicação científica. Como não é necessário aguardar um número completo de artigos para publicar, o fluxo contínuo torna o processo mais ágil, beneficiando autores, leitores e a própria revista”, explica.

O maior número de publicações também deve favorecer as ações  de ampliação da visibilidade do periódico. “A implementação responde a uma demanda do próprio meio de divulgação científica por maior celeridade e eficiência editorial. Essa dinâmica valoriza o trabalho dos autores e fortalece a presença digital da revista, ampliando sua relevância nos indicadores de impacto e visibilidade”, finaliza a editora. 

As mudanças ainda estão em fase de implementação, mas a edição n.º 19 da Revista está publicada e atualmente conta com dois artigos.

 

Repensando a Comunicação e Saúde no Espírito Santo

Abrindo a nova edição, o estudo “Extensão em Saúde Coletiva, Comunicação e Cultura: vivendo a interdisciplinaridade em Comunicação e Saúde” é um relato de experiência sobre as atividades desenvolvidas por cinco alunos dos cursos de graduação da UFES em Jornalismo e Biblioteconomia, juntamente a três professores-coordenadores, em três projetos de extensão: o Observatório de Saúde na Mídia – Espírito Santo (OSM-ES), o Laboratório de Projetos em Saúde Coletiva (LAPROSC) e a VideoSaúde Coletiva (VSC), todos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Universidade. 

Entre os anos de 2022 e 2023, os bolsistas se envolveram em pesquisa acadêmica, ministraram oficinas didáticas de produção de vídeos para alunos do Ensino Fundamental, produziram releases sobre artigos científicos e participaram da gestão dos perfis em redes sociais dos projetos. O objetivo principal do programa extensionista do PPGSC é, não só atuar na divulgação de conhecimento científico da área da Saúde Coletiva, como também manter os alunos da graduação e o público externo informados sobre as atividades  desenvolvidas fora da sala de aula dos cursos do Centro de Ciências da Saúde da UFES (CCS/UFES), como os projetos de Extensão e de Iniciação Científica (IC).

Um dos projetos abarcados pelo Programa  de  Extensão  Saúde  Coletiva,  Comunicação  e  Cultura, o OSM-ES é um monitor que acompanha notícias veiculadas na mídia tradicional que abordam assuntos relacionados à Saúde Coletiva. O projeto extensionista é resultado de convênios de cooperação técnica entre o PPGSC/UFES e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Durante o período abordado no artigo, cinco bolsistas atuaram no monitoramento de notícias publicadas na imprensa escrita durante a Pandemia de  Covid-19, entre 1º de dezembro de 2019 a 31 de dezembro de 2021. A pesquisa tinha o objetivo de catalogar discursos jornalísticos construídos em meio ao período pandêmico para uma análise crítica segundo critérios éticos do campo da Comunicação e Saúde (C&S) e a partir do protocolo de coleta e avaliação de dados “Epidemias na mídia”, um manual desenvolvido pelo Observatório para a análise de mídia durante emergências em saúde pública. 

Ao todo, foram coletadas 74 matérias jornalísticas de 21 veículos capixabas de todas as regiões do estado. O levantamento foi possível graças à ferramenta SIGCOVID-19, um sistema-robô utilizado para localizar notícias a partir de palavras-chave. Os bolsistas participaram de oficinas de clipagem de matérias, armazenamento e classificação de dados de saúde. 

“O que ficou mais evidente foi que muitas matérias deram espaço para falas de autoridades que traziam informações equivocadas, sem o devido contraponto de especialistas ou dados científicos, o que acabou contribuindo para a circulação de desinformação no momento mais crítico da pandemia”, explica Sara Ohnesorge, aluna concluinte do curso de Jornalismo e uma das autoras do artigo. 

Segundo Sara, em meio ao cenário de desinformação, os jornais capixabas poderiam ter atuado de forma mais ativa no combate à desinformação durante o período analisado. 

“A imprensa local acompanhava os desdobramentos da pandemia, mas nem sempre aprofundava a discussão com base em evidências científicas. Isso dá a impressão de uma cobertura mais reativa, centrada no discurso das autoridades, e não tanto em análises críticas que poderiam ajudar a população a compreender melhor a complexidade da situação de saúde coletiva”, lamenta a estudante. 

“É preciso reconhecer que, em uma emergência de saúde pública, o conhecimento científico é o que garante maior segurança informativa. A fonte oficial tem um papel, claro, mas não pode ser a única a pautar a notícia”, conclui.

Após a conclusão da pesquisa, os resultados foram discutidos entre os graduandos e pesquisadores do OSM-ES. Para Sara, as rodas de discussão foram fundamentais para a realização do objetivo didático do projeto extensionista. 

“Essas rodas foram fundamentais porque criaram um espaço de troca e de reflexão crítica sobre o material coletado. Não era apenas um trabalho técnico de catalogar matérias, mas também de entender o que aquelas narrativas significavam no contexto da pandemia. Ao discutirmos juntos, pudemos amadurecer o olhar sobre Comunicação e Saúde, percebendo tanto os limites da cobertura jornalística quanto às oportunidades de qualificar esse debate”, comenta a bolsista.

*Estagiário sob supervisão de Paola Primo