A Antiguidade como campo de batalha visual
cinema, usos políticos do passado e a extensão universitária como letramento crítico
DOI:
https://doi.org/10.30712/qe60nr63Palabras clave:
Cinema, História, Estudos de Recepção, Extensão universitária, Épicos bíblicos, Letramento visualResumen
A cultura histórica contemporânea é atravessada por uma “virada visual” que deslocou o centro de gravidade da produção de sentido sobre o passado da escrita acadêmica para as telas. Diante desse cenário, este artigo discute o potencial estratégico da extensão universitária na mediação entre o saber especializado e as representações cinematográficas da História Antiga. Partindo da premissa de que o cinema e as séries de televisão constituem hoje a principal fonte de informação histórica para o grande público (o conceito de historiofotia), argumenta-se que a universidade não deve rejeitar essas narrativas como meras falsificações anacrônicas, mas tomá-las como objetos privilegiados de análise da recepção. O trabalho analisa como produções icônicas, desde Spartacus e os épicos bíblicos da Guerra Fria (Ben-Hur, Quo Vadis), até obras contemporâneas como 300 e a série Roma, constroem identidades políticas e religiosas, cristalizando visões sobre o “Ocidente”, o cristianismo e a alteridade. Por fim, propõe-se uma metodologia extensionista baseada em oficinas de letramento visual crítico, visando desenvolver a competência do público para desconstruir os regimes de visualidade que operam nos usos públicos do passado clássico.
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