Potencial anti-inflamatório de fotoprotetores: uma análise de docking molecular em COX-2 e 5-LOX

Anti-inflammatory potential of photoprotective compounds: a molecular docking analysis against COX-2 and 5-LOX

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/hb.73.52408

Palavras-chave:

método in silico, ciclooxigenase, lipoxigenase, anti-inflamatórios, filtros solares

Resumo

A radiação ultravioleta (UV) pode desencadear processos inflamatórios cutâneos associados à produção de mediadores derivados do ácido araquidônico por meio das enzimas ciclooxigenase-2 (COX-2) e 5-lipoxigenase (5-LOX). Neste estudo preliminar, avaliou-se, por docking molecular, o potencial anti-inflamatório de 11 compostos com conhecida atividade fotoprotetora e 4 polifenóis, frente aos dois alvos enzimáticos. A partir das pontuações de fitness foram priorizados ligantes com melhor desempenho relativo, dentro da série. Frente à COX-2, apenas o iscotrizinol (87,86) e o DHHB (71,64) exibiram pontuação superior à do substrato natural, o ácido araquidônico (AA), de score 70,53. Frente à 5-LOX, o iscotrizinol (70,59) apresentou perfil semelhante ao observado para a COX-2. Um comportamento distinto foi revelado pela tendência de maiores pontuações fitness para os compostos volumosos e lipofílicos: bemotrizinol (72,07) e bisoctrizol (70,01) que atingiram pontuações próximas ou superiores à do AA (70,95). Este estudo ressaltou que valores elevados de fitness score nem sempre correspondem ao modo de ligação estruturalmente favorável, o que permitiu a identificação de falsos positivos associados ao efeito de tamanho ou à acomodação inadequada, como observado para iscotrizinol, bisoctrizol, bemotrizinol e DHHB. O (R)-octocrileno, por sua vez, apresentou interações consistentes frente à COX-2, enquanto o salicilato de octila foi o único ligante a exibir perfil de interação estruturalmente coerente frente a ambas as enzimas. Os dados sugerem que alguns compostos com atividade fotoprotetora podem interagir com alvos enzimáticos envolvidos na inflamação, entretanto esse potencial deva ser confirmado por estudos experimentais e simulações adicionais.

Biografia do Autor

  • Profa. Dra. Marcia Helena R. Velloso, Universidade Federal do Espírito Santo

    Possui graduação em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (1994), mestrado em Química pelo Instituto Militar de Engenharia (1997) e doutorado em Química pelo Instituto Militar de Engenharia (2004). Atualmente é professor associado da Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiência na área de Química, com ênfase em Espectroscopia (Ressonância Magnética Nuclear), atuando principalmente nos seguintes temas: Programação e implementação de sequencias de pulsos, estudos de interações inter e intramoleculares por RMN, estudos relacionados a relação estrutura-atividade por RMN, estudos de interações de drogas-receptores por RMN, estudos de interação drogas-micelas por RMN. Além da área de modelagem e dinâmica molecular, atua em estudos de desenvolvimento de fármacos para tratamento de diversas doenças, como as neurodegenerativas.

  • Eduardo Andrade Vitorino, Universidade Federal do Espírito Santo

    Estudante de Iniciação Científica. Graduado em Farmácia pela Universidade Federal do Espírito Santo, com desenvolvimento de projetos durante a formação, buscando a descoberta de fármacos inovadores utilizando abordagem in silico, e também projetos de ensino em monitorias envolvendo química farmacêutica e orgânica. 

  • Profa. Dra. Fabiana Vieira Lima Solino Pessoa, Universidade Federal do Espírito Santo

    Farmacêutica e Bioquímica (1996), mestre em Química Orgânica (2001), e doutora em Ciências Farmacêuticas (2017) pela Universidade Federal de Santa Catarina. Realizou pós-doutoramento (2020) na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo e na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias sobre o tema: "Mapeamento das propriedades quimiopreventivas de filtros solares'' e ''Fotoisomerização do ácido urocânico: fotoproteção e mecanismos fotobiológicos envolvidos'', respectivamente. É professora do Curso de Farmácia da UFES nas disciplinas de farmacotécnica, gestão de negócios farmacêuticos, tecnologia de cosméticos e homeopatia. Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da UFES. Possui experiência de atuação profissional em Farmácia de Manipulação Alopática e Homeopática e Indústria de Produtos para Saúde com ênfase em produtos odontológicos. Atuou em gestão de empresas da área farmacêutica e na Universidade como coordenadora de cursos de graduação e especialização. Possui experiência em pesquisa e desenvolvimento de produtos odontológicos, onde desenvolveu produtos clareadores e com nanotecnologia, e é autora de duas patentes relacionadas ao tema. Na área de cosméticos desenvolve pesquisa para desenvolvimento de produtos, avaliação de eficácia e determinação de biomarcador em pele. Foi contemplada com auxílio financeiro em vários projetos de pesquisa/extensão por diferentes agências de fomento (RHAE/Cnpq, Fundação de Amparo a Pesquisa e Inovação de Santa Catarina/FAPESC, Fundação de Amparo a Pesquisa e Inovação do Espírito Santo/FAPES). Ganhadora dos prêmios: Stemmer de Inovação Catarinense (FAPESC) e 1o. Lugar na categoria E-Pôster (COLAMIQC, ABC/FELASCC). Bolsista Pesquisador Capixaba pela FAPES e bolsista de inovação pelo SEBRAE (Catalisa ICT).

  • Profa. Dra. Paola Rocha Gonçalves, Universidade Federal do Espírito Santo

    Professora Titular da Universidade Federal do Espírito Santo, campus de São Mateus/ES (CEUNES/UFES). É farmacêutica pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica do Espírito Santo (FAFABES) e Doutora em Biologia Funcional e Molecular - em Bioquímica, com ênfase em Toxicologia Celular e Molecular, pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É Docente Permanente no Mestrado Profissional em Ensino de Biologia em Rede Nacional (PROFBIO-UFES), orientando trabalhos para a produção de recursos educacionais envolvendo a aplicação do ensino de Bioquímica no ensino Médio.Tem Pós-doutorado na área de sinalização de mecanismos celulares induzidos por moléculas com potencial ação antitumoral. Na UFES, realiza estudos envolvendo avaliação pré-clínica de compostos químicos de interesse farmacêutico, por meio de ensaios in vitro para análise do potencial anti-inflamatório e antioxidante, e avaliação da toxicidade em bioensaios, com organismos-modelo vivos.

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Publicado

2026-08-30

Edição

Seção

Ciências Farmacêuticas

Como Citar

Potencial anti-inflamatório de fotoprotetores: uma análise de docking molecular em COX-2 e 5-LOX: Anti-inflammatory potential of photoprotective compounds: a molecular docking analysis against COX-2 and 5-LOX. (2026). Health and Biosciences, 7(3), 36-61. https://doi.org/10.47456/hb.73.52408