Tensões e conflitos na metrópole belo-horizontina: (neo)extrativismo, comunidades locais e áreas protegidas

Autores

  • Claudia Marcela Orduz Rojas Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Doralice Barros Pereira Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Janise Bruno Dias Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

DOI:

https://doi.org/10.24305/cadecs.v5i1.2017.17777

Resumo

Belo Horizonte, terceira maior metrópole brasileira, possui em sua área periurbana comunidades locais que vivenciam tensões e conflitos: de um lado, a intensificação e expansão da mineração; de outro, a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela. Esse artigo objetiva expor as tensões e conflitos experimentados por tais comunidades decorrentes das propostas sobre os usos futuros para a região e como elas se organizam e mobilizam para defender o acesso e uso do território e dos recursos. O texto foi composto a partir da análise de documentos oficiais, observações, entrevistas semi-estruturadas e registros fotográficos e está organizado em quatro partes. A primeira traz a contextualização regional da Serra do Gandarela e uma leitura da realidade das comunidades locais; a segunda discute os conflitos ambientais da/na Serra do Gandarela; a terceira evidencia as negociações para a resolução dos conflitos ambientais que culminaram na criação do PARNA da Serra do Gandarela; e a última aborda a eternização dos conflitos na região. Concluímos que o formato e o conteúdo do decreto de criação do parque contribuíram para a fragilização da proteção da sociobiodiversidade da Serra do Gandarela. Tais constatações revelam a complexidade e as contradições da preservação/conservação da sociobiodiver-sidade no contexto metropolitano.

Biografia do Autor

Claudia Marcela Orduz Rojas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Doutoranda em Geografia - Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Doralice Barros Pereira, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Doutora em Geografia pela Universidade de Montréal. Professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Janise Bruno Dias, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná. Professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Publicado

2017-12-26