Mecanismos de precificação de carbono e o setor de petróleo e gás natural: caminhos para a mitigação de impactos negativos

Authors

DOI:

https://doi.org/10.21712/lajer.2026.v13.n2.p1-10

Keywords:

precificação de carbono, transição energética, petróleo e gás natural, emissões de gases de efeito estufa

Abstract

O setor energético é responsável por parte substancial das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) e, consequentemente, pelas mudanças climáticas mundiais. Com o intuito de limitar o aquecimento global, medidas como a implementação da taxação ou precificação de carbono para reduzir as emissões de GEEs vêm sendo propostas. No entanto, tais mecanismos de precificação de carbono têm sido questionados pela possibilidade de limitar o crescimento econômico de países emergentes como o Brasil e pelos possíveis efeitos negativos sobre as empresas do setor de petróleo e gás natural. Diante disso, o objetivo geral deste trabalho é analisar de que forma as empresas do setor de petróleo e gás natural podem atuar na mitigação dos efeitos negativos decorrentes dos mecanismos de precificação de carbono sobre a sua competitividade frente a outras empresas do setor energético. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e análise documental. A coleta de dados envolveu a consulta a artigos acadêmicos, livros e relatórios técnicos, além de publicações digitais de instituições de referência, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), priorizando materiais recentes e pertinentes ao tema. Os resultados indicam que, embora a precificação de carbono possa gerar impactos adversos sobre custos e competitividade, existem estratégias empresariais e políticas públicas capazes de mitigar tais efeitos, especialmente no contexto da transição energética. A exemplo disso, destaca-se a Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e definiu a destinação de suas receitas. Além disso, iniciativas tecnológicas vêm sendo adotadas pelas empresas do setor, como: a captura do CO₂ emitido nas operações industriais e seu armazenamento em reservatórios subterrâneos; o desenvolvimento de combustíveis sintéticos produzidos a partir de hidrogênio verde e CO₂ capturado, destinados à aviação e ao transporte marítimo; a redução da queima de gás (flaring), com o reaproveitamento do gás natural para geração de energia, reinjeção em reservatórios ou comercialização; e a eletrificação das operações, mediante a substituição de equipamentos movidos a diesel por sistemas elétricos alimentados por fontes renováveis. Conclui-se que a articulação entre políticas públicas, inovação tecnológica e estratégias empresariais é fundamental para conciliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.

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Author Biographies

  • Adriana Fiorotti Campos, Federal University of Espírito Santo

    Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Espírito Santo, mestrado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e doutorado em Planejamento Energético pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). Foi analista de pesquisa energética da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de 2008 a 2013. Tem experiência nas áreas de Economia e de Energia, com ênfase em Economia Geral e Petróleo e Gás Natural, atuando principalmente nos seguintes temas: petróleo, gás natural, regulação, energia e América do Sul. Atualmente é professora Associada I do curso de Administração, do Mestrado Profissional de Engenharia e Desenvolvimento Sustentável e do Mestrado Profissional em Gestão Pública, ambos da Universidade Federal do Espírito Santo.

  • Amaro Olímpio Pereira Júnior, Federal University of Rio de Janeiro

    Economista formado pela Universidade Federal Fluminense, com mestrado e doutorado em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ. Atuou como consultor técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e como Professor Visitante na Universidade Pierre Mendès-France em Grenoble, na França e na Universidade do Texas em Austin, EUA. Atualmente é Professor Associado do Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ, pesquisador do CentroClima/COPPE/UFRJ, membro do Comitê Técnico Permanente do Instituto LIFE (Lasting Initiative For Earth) e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético - SBPE. Coordernador dos cursos de MBA em Regulação e Comercialização de Energia RECOM e de MBA em Gestão Energética EUREM, este em colaboração com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha AHK-Rio. É bolsista de produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq e Cientista do Nosso Estado (CNE) pela FAPERJ. Tem experiência em modelagem energética e ambiental, além de atuar nas áreas de regulação dos setores de energia, em análises da inserção de novas tecnologias das diferentes fontes de energia e nas questões relacionadas a mudanças climáticas. É autor de livros, capítulos de livros e de dezenas de artigos em revistas internacionais indexadas.

  • Uonis Raasch Pagel, Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)

    Doutorando em Propriedade Intelectual e Inovação pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Mestre em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Graduado nos cursos de Tecnologia em Petróleo e Gás pela Faculdade de Tecnologia Faesa (Cet-Faesa) e de Bacharelado em Gemologia pela UFES. Foi professor substituto na UFES, lotado no Departamento de Gemologia. Realiza estudos e pesquisas nas áreas de geociências, energia, propriedade intelectual, inovação e sustentabilidade.

  • Thaís Alves dos Santos, Federal University of Espírito Santo

    Professora na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Doutora em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na linha de pesquisa Finanças. Mestre em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), na área de concentração: Gestão de negócios, economia e mercados. Bacharel em Administração pela Faculdade Presbiteriana Gammon - FAGAMMON. Pesquisadora associada dos grupos de Estudos: NEGEC - Núcleo de Estudos Gerenciais e Contábeis; NECEU - Núcleo de Estudos Cooperativos entre Empresas e Universidade; Núcleo de Estudos sobre Aplicação de Algoritmos em Contabilidade e Finanças - NEACONF.

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Published

09/03/2026

Issue

Section

Petróleo e Gás Natural

How to Cite

Adriana Fiorotti Campos et al. (2026) “Mecanismos de precificação de carbono e o setor de petróleo e gás natural: caminhos para a mitigação de impactos negativos”, Latin American Journal of Energy Research, 13(2), pp. 1–10. doi:10.21712/lajer.2026.v13.n2.p1-10.