O CONTATO INICIAL DOS DESCENDENTES DE POMERANO COM OUTRO NO ESPÍRITO SANTO
Abstract
Em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, a maioria da população descende dos pomeranos que
imigraram para a região no séc. XIX. O que é relevante destacar desse contexto, é que apesar de não terem mais
o território e a cultura pomerana como referência da etnia no continente originário europeu, a tradição pomerana
é constatada nas ações diárias do grupo por meio da língua, da alimentação, dos rituais ligados à crença popular
e à religião. Essa composição vincula o modo de vida do descendente de pomerano à memória dos primeiros
imigrantes, contudo, numa perspectiva apátrida. Embora a cultura pomerana assuma relevância na organização
do grupo, o que não podemos negar é que ao longo dos anos essas características concorreram com contínuas e
complexas circunstâncias nacionais que influenciaram a realidade que se constituía. Partindo desse pressuposto,
observamos que esse processo forjou a criação de procedimentos peculiares dos descendentes de pomeranos
no contato com o outro. A cautela, a objetividade e comportamento franco imperam no contato inicial com os que
chegam à localidade, e de forma mais contundente, ao interior do município. Questionamentos em português ou em
pomerano sobre a origem dos que estão conhecendo, introduzem particularidades ao diálogo e instituem uma relação
de distanciamento. Vale lembrar que essa delimitação no primeiro contato tende a atenuar mediante confirmação
da descendência pomerana no outro, entretanto, se contrário, apenas o tempo associado à convivência com os que
chegam permitem o desvanecer dessa maneira cuidadosa de entender o novo do descendente de pomerano.
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