A nova geração
Abstract
Ensaio publicado por Machado de Assis na Revista Brasileira, em dezembro de 1879. Texto editado por Gracinéa I. Oliveira e José Américo Miranda.References
Grafite tem origem no termo italiano graffito, que deriva do latim graphium. Inicialmente, designou um estilete utilizado para escrever sobre placas de cera. Posteriormente, a forma plural, graffiti, nomeou as inscrições gravadas na pré-história e na antiga Roma. Em 1965, a palavra graffiti foi utilizada para definir as pichações com spray e, nos anos 70, para indicar as modernas pinturas feitas com a mesma tinta. O termo pichação remete às inscrições realizadas com piche em muros na antiga Roma. Adquiriu arbitrariamente uma conotação pejorativa, quando se tornou uma prática de protesto social nos bairros periféricos de Nova Iorque, na década de 1960, e, mais tarde, quando foi utilizado por torcidas organizadas em práticas ilegais ou por grupos de controle do narcotráfico.” (Schultz, 2010, p. 2560).
"para o artista urbano era um orgulho ver a sua marca nas portas do trem, circulando pela cidade e sendo vista por milhões de pessoas." Norman Mailer (1974, p.9)
“O graffiti irrompeu numa cidade de signos, ao mesmo tempo homogênea e fragmentada, não para ser consumido como esses signos, mas para atacar esse consumo em seu próprio campo.” Hall Foster (1996, p.79)
“Tal proliferação de atores do grafite-pichação ao redor do mundo significaria de alguma forma que as autoridades não estariam uma maneira eficaz de erradicar algo que consideram nocivo à sociedade que administram. Esta seria uma maneira direta de provar a fragilidade de seu sistema e possíveis pontos delicados que podem levar a questionamentos maiores sobre seus modelos governamentais.” (CASCARDO, 2012, p.95)
“A busca pela legitimação e pelo mercado e a penetração da arte de ruas no mainstream não significa necessariamente uma migração dos muros para as galerias. Não há subtração de espaços mas ampliação deles.” Cauê Alves (2006, p. 19) - Revista Ocas. Ano 4, nº 42, fevereiro 2006. p. 19.
“em 1972 foi criada a UGA – United Graffiti Artist, liderada por Hugo Martinez [...].” (TORRES, 2001, p.338)
Assim, o que a mídia – dentro da qual o mundo da arte está preso – deve fazer em resposta a essa resposta dos grafiteiros? Mediá-la, absorvê-la. O underground é levado até o estúdio de tevê, a Bleecker Street Station é redesenhada numa galeria da West Broadway. Há outras razões para que o graffiti tenha se consagrado como arte – seu valor econômico não poderia estar assegurado sem esse deslocamento taxonômico – mas com toda a certeza a subversão do subversivo é o motivo principal. O oficial reivindica o que não é oficial, as galerias absorvem os grafiteiros. (FOSTER, 1996, p.78)
“no museu essa arte é muito menos transgressora.” (Laima Leyton, 2006, p.19) - Revista Ocas. Ano 4, nº 42, fevereiro 2006. p. 19
O graffiti escapou a uma apropriação total como a que foi exercida sobre a música rap e a dança break – não porque não possa ser recuperado (sua “criminalidade” torna a apropriação ainda mais necessária) mas porque não podia ser codificado: é em si próprio uma decodificação. (FOSTER, 1996, p. 77)
O graffiti é mediatizado em grande escala; até mesmo nas ruas se tornou seu próprio ritual reificado. Não apenas esses signos vazios são preenchidos com o conteúdo da mídia, mas alguns são investidos com valor (econômico) da arte, marcas anônimas se tornaram assinaturas de celebridades. (FOSTER, 1996, p. 81)