O estrangeiro de mim mesmo

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Résumé

O narrador relata uma experiência aparentemente banal, assistir à adaptação cinematográfica de O Estrangeiro, de Albert Camus, durante um intervalo de um concurso para professor universitário em Vitória, que desencadeia uma profunda reflexão sobre memória, identidade e tempo. A exibição do filme de François Ozon reativa lembranças de sua juventude, marcada pela leitura de Camus e pela música da banda The Cure, revelando como diferentes fases de sua vida permanecem simultaneamente presentes. Ao estabelecer paralelos entre sua condição de candidato a concurso e a trajetória de Meursault, protagonista do romance de Camus, o narrador problematiza os mecanismos sociais que exigem a performance de emoções e comportamentos legitimados pelas instituições. A análise do filme também incorpora uma leitura crítica de sua atualização contemporânea, especialmente no que diz respeito às questões coloniais e raciais ausentes ou silenciadas na obra original. Inspirando-se na concepção proustiana da memória involuntária, o conto defende que a identidade não é uma unidade contínua, mas uma estratigrafia de experiências que podem ser reativadas por determinadas percepções. Ao final, o narrador conclui que suas diferentes idades e versões de si mesmo coexistem no presente, e que essa sobreposição de tempos constitui a própria prova de que continua vivo, transformando a arte em um espaço privilegiado onde memória, filosofia e experiência pessoal se entrelaçam.

Biographie de l'auteur

  • Ramsés Albertoni Barbosa, PPGCA-UFF

    Professor, Pesquisador de Pós-doutorado em Artes (PPGCA-UFF), Doutor em Artes (PPGACL-UFJF), Mestre em Comunicação (PPGCOM-UFJF), Mestre em Poética (PPGCL-UFRJ)

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Publiée

2026-10-21

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