Nego

Autores

  • Samuel Moraes Independente

Resumo

erra estranha e arrasada, lugar onde aprenderia a conviver com a figura que, ao seu lado, fazia uma sombra sem luz. Ela aproveitava a liberdade no espaço da cena para bailar solta. Trajada num vestido comunitário cintilante que brilhava em lua cheia de notícias populares.

Naquele ambiente, ele passava despercebido e depreciado. O relógio do tempo havia parado e retinia um “tic-tac” ensurdecedor. Seus ponteiros não indicavam qualquer indício de auxílio ou solidariedade, servindo apenas como o marcador da existência.

Do torrão de onde viera, ficara o gosto inocente da infância. Sentia saudade da quentura de Mandacaru. Lá, os avós lhe diziam que fome, tristeza e solidão eram coisas do sertão. Isso somente quando o solo tornava-se árido, murchando o fruto da semente: daí se ouvia o choro. Ainda assim, mesmo num duro semblante para o alto, contavam com a união de um povo que dividia as suas preces com um pedaço de rapadura. A ele, o conto servia apenas como história dos antigos.

Nascera na Capital paraibana, saudoso refúgio duma refrescante chuva na porta de um sol abrasador. Mas agora, estava ali, no início de sua púbere idade, morando numa Terra da Garoa de ninguém, totalmente entregue ao maldito frio de deus-dará. Vivendo numa Selva de Pedra, erguida sob a névoa do medo da “morte que pairava entre becos e barracos” cercado pelo cangaço da modernidade.

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Publicado

2026-07-05

Edição

Seção

Crônicas