Artigo submetido em: 08.11.2024. Aceito em: 13.11.2024. Publicado em: 22.01.2026.
Revista Gestão & Conexões
Management and Connections Journal
Vitória (ES), v. 15, n. 1, de 2026.
ISSN 2317-5087
DOI: 10.47456/regec.23175087.2026.15.1.46691.24.42
O cotidiano do professor do ensino superior e suas
identidades profissionais: uma discussão à luz de Michel
de Certeau e Claude Dubar
The daily life of higher education professors and their professional
identities: a discussion in light of Michel de Certeau and Claude Dubar
José Ricardo Costa de Mendonça
Universidade Federal de Pernambuco
jose.mendonca@ufpe.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7718-984X
RESUMO
O objetivo deste texto foi discutir o cotidiano do professor do ensino superior e suas identidades profissionais à luz
de Michel de Certeau e Claude Dubar. O cotidiano compreende as ações e as vivências das pessoas em sua rotina
diária um ambiente no qual, apesar das restrições impostas pelas normas sociais e culturais, os indivíduos
encontram maneiras de agir com criatividade. As identidades profissionais são as formas de identidade que se
configuram na relação entre o “Eu” e o “Nós”, particularmente no contexto das atividades laborais remuneradas.
Para a elaboração deste artigo, foi realizada uma revisão narrativa da literatura nas bases de dados Spell, Portal
de Periódicos da Capes e no Google Acadêmico. Com base na literatura utilizada, foram identificadas seis
categorias analíticas em comum nas ideias de Certeau e de Dubar: centralidade do cotidiano; influência das
estruturas sociais; ação individual e coletiva; resistência e criatividade; alteridade; e construção da identidade.
Palavras-Chave: cotidiano; identidade; professor; Certeau; Dubar.
ABSTRACT
The aim of this paper was to discuss the daily life of higher education professors and their professional identities
through the theoretical lenses of Michel de Certeau and Claude Dubar. Daily life encompasses individuals’ actions
and experiences within their everyday routines a context in which, despite the constraints imposed by social and
cultural norms, people find ways to act creatively. Professional identities refer to the forms of identity that emerge
from the relationship between the “I” and the “We,” particularly within the context of paid occupational activities. A
narrative literature review was conducted using the Spell database, the Capes Journal Portal, and Google Scholar.
Based on the literature reviewed, six analytical categories were identified as common to the ideas of Certeau and
Dubar: the centrality of everyday life; the influence of social structures; individual and collective action; resistance
and creativity; alterity; and the construction of identity.
Keywords: everyday life; identity; professor; Certeau; Dubar.
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Introdução
Observa-se que, na sociedade contemporânea, as demandas de ordem social,
tecnológica, científica, entre outras, dos professores do ensino superior têm se
ampliado e se diversificado. Entende-se que essas demandas afetam a identidade
profissional dos professores, que é construída e reconstruída nas interações sociais,
com base nas diferentes experiências vivenciadas no cotidiano e na história de vida
de cada sujeito. No que se refere às universidades, estas vêm enfrentando desafios e
obstáculos para desempenhar seu papel social de produção de conhecimento e
cultura (Berger, 2023).
Tratar do cotidiano é considerar as relações que são construídas nos arranjos
do dia a dia, os quais se materializam como instrumento de identidade de um
determinado grupo social. O estudo do cotidiano proporciona a descoberta de atos,
gestos e palavras do homem em geral (Joaquim, 2012) e permite ir além das formas
de pensamento do senso comum (Gouvêa & Ichikawa, 2015).
O cotidiano é estudado por diversos autores, entre eles, destacam-se Agnes
Heller, Erving Goffman, Henri Lefebvre e Michel de Certeau (Stecanela, 2009; Gouvêa
& Ichikawa, 2014; Gouvêa & Ichikawa, 2015). Desse modo, Rodrigues e Ichikawa
(2015) ressaltam que, nos estudos sobre o cotidiano, em especial no campo dos
Estudos Organizacionais (EO) brasileiros, umas das principais referências nas
pesquisas é Michel de Certeau. Neste texto, aborda-se o cotidiano à luz de Certeau e
entende-se que o cotidiano:
[...] é aquilo que nos é dado a cada dia (ou que nos cabe em partilha), nos
pressiona dia após dia, nos oprime, pois existe uma opressão no presente [...] é
uma história a caminho de nós mesmos, quase retirada, às vezes velada
(Certeau, 1994, p. 31).
O que chama a atenção na obra de Certeau é o interesse pelo “homem comum”,
ou “homem ordinário”, e por suas subversões silenciosas no cotidiano (Sousa Filho,
2002). Entende-se o termo “ordinário” como um adjetivo que qualifica algo que está
de acordo com o costume, que é habitual, que é repetido e frequente. Sendo assim,
argumenta-se que o professor do ensino superior é um “homem comum” no contexto
acadêmico e em seu grupo social, no qual o conhecimento é produzido, compartilhado
e consumido.
Nascimento, Marra e Honorato (2015) salientam que os indivíduos inventam os
seus cotidianos com o propósito de escapar silenciosamente das estratégias de
manipulação e de controle presentes no seu dia a dia. Certeau distingue o cotidiano
como o espaço propício para a inventividade e a resistência, espaço no qual os
indivíduos constroem a sua própria história (Gouvêa & Ichikawa, 2014, p. 2). Sob a
perspectiva certeauniana, são descritas as pequenas práticas dos sujeitos, as quais
se articulam nos instantes de tempo que constroem o dia a dia. Compreende-se essas
práticas como movimentos de resistência diante do poder dominante, que se
encontram em constante mudança, segundo as conveniências de seus articuladores
(Cabana & Ichikawa, 2017).
Observa-se na literatura especializada a ligação entre cotidiano e identidade.
Cabana e Ichikawa (2017, p. 291) apontam que “[...] o cotidiano e identidade são
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temas que se encontram entrelaçados, as identidades se constroem e reconstroem
no cotidiano e o cotidiano se reinventa, em parte, segundo as identidades”. A
identidade nunca é dada, ela sempre é construída e deverá ser (re)construída em uma
incerteza maior ou menor e mais ou menos duradoura. Ela é o resultado, a um
tempo estável e provisório, individual e coletivo, subjetivo e objetivo, biográfico e
estrutural, dos diversos processos de socialização que, conjuntamente, constroem os
indivíduos e definem as instituições (Dubar, 2005).
Castells (2008, p. 22) entende a identidade como o “[...] processo de construção
de significado com base em um atributo cultural, ou ainda um conjunto de atributos
culturais inter-relacionados, o(s) qual(is) prevalece(m) sobre outras fontes de
significado”. A manifestação de uma determinada identidade é marcada por processos
contraditórios, tensões e incertezas entre as trajetórias biográficas resultantes de
experiências individuais e grupais, além das situações relacionais vivenciadas em um
determinado meio, seja a área específica de atuação profissional ou social por parte
dos atores envolvidos (Cardoso, 2010).
A identidade é um processo socialmente construído e inacabado ao longo da
vida, já que o indivíduo segue integrando normas, valores, crenças, princípios, pontos
de vistas e comportamentos que lhe permitem atribuir uma congruência à sua
identidade pessoal, além de auxiliar em sua integração social (Bonete, 2022).
Atividades de trabalho dão sentido à existência individual e organizam a vida de
coletivos. Denominadas de ofícios, vocações ou profissões, essas atividades não se
reduzem à troca econômica de um gasto de energia por um salário, mas possuem
uma dimensão simbólica em termos de realização de si e de reconhecimento social
(Dubar, 2012).
A identidade individual sofre transformações e influencia as experiências
individuais e coletivas. Entretanto, a identidade coletiva o é decorrência da
individual, mas é, sim, marcada por uma dualidade: a identidade para si e a identidade
para o outro. Ambas são essenciais para definir a identidade profissional do indivíduo
(Silva & Mano, 2018). Conforme destacam Silva e Silva (2022, p. 3), a identidade
profissional refere-se ao “[...] processo de socialização na profissão, por meio do qual
o indivíduo assume papéis, valores e normas do grupo profissional ao qual pertence”.
Embora a identidade profissional seja um tema que desperta interesse em
múltiplas áreas de pesquisa, a identidade vinculada ao meio acadêmico
especialmente no que se refere à docência tem recebido pouca atenção em diversas
disciplinas do conhecimento (Lima, Ferraz & Vendramin, 2022).
Com base no exposto, este texto tem como objetivo discutir o cotidiano do
professor do ensino superior e suas identidades profissionais à luz de Michel de
Certeau e Claude Dubar. Para construção do referencial teórico, foi realizada uma
revisão narrativa da literatura. De acordo com Smith (2012), a revisão narrativa da
literatura procura sintetizar as evidências acerca dos principais conceitos teóricos de
determinada temática, possibilitando levantar discussões de cunho opinativo pessoal.
As revisões narrativas da literatura têm como objetivo identificar e resumir o que já foi
publicado, evitando duplicações e buscando novas áreas de estudo ainda não
abordadas.
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Foi feita uma busca na base Spell (Scientific Periodicals Electronic Library), com
a palavra-chave “identidade”. Desse modo, foram identificados 338 artigos sobre o
tema. Entretanto, apenas dois trabalhos abordavam a identidade do professor de
ensino superior. O primeiro, intitulado Tornando-se professor: análise do processo de
construção da identidade docente dos professores de contabilidade, tem como
objetivo [...] trazer uma nova perspectiva teórica para analisar a trajetória, formação
e atuação docente em contabilidade, além de refletir sobre os processos de
socialização de novos docentes da área e o sentido que esses docentes atribuem à
docência (Lima & Araujo, 2019, p. 2). O segundo trabalho, intitulado O que me faz
docente? Análise dos constituintes da identidade docente em contabilidade, tem como
objetivo “[...] analisar quais os fatores constituintes da Identidade Docente de
diferentes grupos de professores de Ciências Contábeis” (Lima, Ferraz & Vendramin,
2022, p. 105).
Foi realizada uma pesquisa no Portal de Periódicos da Capes, com o objetivo de
identificar estudos que contribuam para a redução da lacuna existente acerca da
identidade do professor do ensino superior. Inicialmente, a busca pela palavra-chave
“identidade” resultou em 13.041 artigos, no período de 2021 a 2025. Em uma etapa
posterior, ao se empregar a expressão “identidade profissional”, foram encontrados
1.130 artigos no mesmo período. Refinando ainda mais os critérios, a combinação das
palavras-chave “identidade profissional” e “professor” retornou 211 resultados. Por
fim, ao se utilizar simultaneamente os termos “identidade profissional”, “professor”,
“Dubar” e “Certeau”, nenhum registro foi localizado.
No Google Acadêmico, a utilização das palavras-chave “identidade profissional”
e “professor” resultou na identificação de 16.500 artigos. Ao refinar a busca com a
inclusão dos termos “identidade profissional”, “professor”, “Dubar” e “Certeau”, foram
encontrados dois artigos.
Os critérios de inclusão adotados para este estudo foram: tipo de texto (artigo);
idioma (português, inglês e espanhol); disponibilidade (texto integral); e período de
tempo, de 2021 a 2025. Para o estudo do material bibliográfico, os artigos
selecionados foram lidos e fichados com o intuito de fazer uma posterior identificação
dos principais tópicos, argumentos e conclusões de cada fonte, além da identificação
das relações entre elas.
O estudo do cotidiano do professor de ensino superior, por meio da ótica de
Michel de Certeau, com a análise das identidades profissionais de Claude Dubar,
oferece uma abordagem rica e detalhada que pode avançar no conhecimento da área
de estudos organizacionais. A análise conjunta dessas perspectivas permite
compreender como os indivíduos atuam e se adaptam em ambientes complexos,
como as instituições de ensino superior, oferecendo uma compreensão da dinâmica
organizacional.
A seguir, será apresentado o arcabouço teórico que fundamenta este estudo.
Reflexões Sobre o Cotidiano em Certeau
Neste texto, parte-se do pressuposto de que a construção e a reconstrução das
identidades dos indivíduos acontecem a partir das atividades que são realizadas no
cotidiano. A fundamentação teórica sobre o cotidiano aqui tem como principal base
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Michel de Certeau. Nas palavras de Cabana e Ichikawa (2017, p. 289), “[...] falar de
cotidiano é falar de Michel de Certeau”. O pressuposto certeauniano essencial para a
análise da vida cotidiana concentra-se nos “[...] lances táticos e situacionais que
informam as artes de fazer. [...] a análise de Certeau segue uma lógica própria ao
[abordar] a ação cotidiana em suas feições predominantemente conflitantes” (Leite,
2010, p. 745). O conceito de cotidiano neste texto baseia-se em Certeau, Giard e
Mayol (2004, p. 31), que definem o cotidiano como:
Aquilo que nos é dado cada dia (ou que nos cabe em partilha), nos pressiona dia
após dia, nos oprime, pois existe uma opressão no presente. [...] O cotidiano é
aquilo que nos prende intimamente, a partir do interior. [...] É uma história a
caminho de nós mesmos, quase em retirada, às vezes velada [...].
O cotidiano usualmente é delineado por um conjunto de rotinas, as quais devem
ser seguidas por todos. A rotina se relaciona à ideia de caminho, de rota, que, por sua
vez, pode estar ligada semanticamente à ruptura, a corte e a rompimento (Stecanela,
2009). A trajetória linear estabelecida pelas rotinas, que guia as ações dos indivíduos
em sua vida cotidiana, é construída por intermédio das estratégias. Pais (2003)
assinala que a produção e a reprodução das rotinas conduzem ao estabelecimento
de uma cotidianidade, que está sujeita a um processo de socialização. O cotidiano em
Certeau pode ser entendido, segundo descrevem Rates et al. (2019, p. 357), como:
Algo que um simples cenário de trabalho, representando um espaço de produção
e reprodução das práticas sociais. É um lugar onde os dominados são capazes
de se apropriar da esfera simbólicas constituída pelos dominantes e transformá-
la ressignificá-la de acordo com suas necessidades e possibilidades.
Entretanto, no cotidiano, manifestam-se opressões, ao mesmo tempo que os
praticantes resistem ao poder dominante e lutam para que o contexto não se torne
rotina (Certeau, Giard & Mayol, 2004).
Vale ressaltar que a vida cotidiana não está localizada fora da história, mas sim
no centro do acontecer histórico; em outras palavras, a vida cotidiana constrói e é
construída pela história (Joaquim, 2012). Na obra de Certeau, os indivíduos são vistos
como seres criativos que inventam a sua própria história por meio das ações
desenvolvidas em seu cotidiano. Os indivíduos não são apenas replicadores passivos
de ordens preestabelecidas pela sociedade, pelas instituições e pelos grupos sociais
(Gouvêa & Ichikawa, 2015). As ações humanas são organizadas por meio de práticas
(maneiras de fazer), como diria Certeau, e se referem a um contexto determinado, por
exemplo, os locais de trabalho (Schatzki, 2006). Ressalta-se que Mayol (2004, p. 39)
conceitua prática como:
A combinação mais ou menos coerente, mais ou menos fluida, de elementos
cotidianos concretos ou ideológicos, ao mesmo tempo passados por uma
tradição e realizados dia a dia através dos comportamentos que traduzem em
uma visibilidade social fragmentos desse dispositivo cultural, da mesma maneira
que a enunciação traduz na palavra fragmentos do discurso. Prático vem a ser
aquilo que é decisivo para a identidade de um usuário ou de um grupo, na medida
em que essa identidade lhe permite assumir o seu lugar na rede de relações
sociais inscritas no ambiente.
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As práticas constituem, para Certeau, as maneiras de fazer dos indivíduos, e é
por meio delas que os indivíduos se apropriam do espaço social e modificam o
funcionamento das macroestruturas, com o objetivo de ressignificá-las com base nas
microrresistências construídas no cotidiano (Joaquim, 2012). Sob a ótica de Certeau,
o cotidiano está dado pelas práticas que o indivíduo comum realiza para se libertar da
ordem estabelecida, de acordo com a sua conveniência e as suas possibilidades
(Cabana & Ichikawa, 2017).
Considera-se o cotidiano como um “território” amplo e socialmente construído no
qual os indivíduos existem, criam e recriam as identidades (Cabana & Ichikawa, 2017).
É nesse território que os indivíduos e os grupos se relacionam na produção das
identidades, de forma a transformar o “espaço” em um “lugar simbólico” (Certeau,
1994). Cabana e Ichikawa (2017, p. 291) enfatizam que “[...] o cotidiano vai sendo
reinventado constantemente pelos seus praticantes, por sua vez, as identidades
também se transformam no cotidiano”.
Segundo Gouvêa e Ichikawa (2014, 2015), o estudo do cotidiano possibilita o
contato com as atividades simples, as ações e as práticas que geralmente passam
despercebidas, pois estão fixadas nas iniciativas tomadas a partir das normas e das
formalidades instituídas e impostas de alguma forma aos indivíduos. Certeau (1994)
salienta a importância dos saberes ordinários, os quais acontecem nas minúcias das
práticas diárias (cotidianas) realizadas pelos indivíduos. Destaca-se que é o homem
ordinário quem realiza, participa e constrói o cotidiano a partir de suas práticas (Callefi
& Ichikawa, 2021).
As práticas são apresentadas por Certeau em dois arranjos: as estratégicas e as
táticas (Oliveira & Cavedon, 2013). Para Certeau, a estratégia é o movimento
calculado, manipulado, predeterminado, no qual existe um próprio (Cabana &
Ichikawa, 2017). Ele se refere “[...] à vitória do lugar sobre o tempo, sobre a
possibilidade de estabelecer uma ordem em um espaço de mobilidade” (Oliveira &
Cavedon, 2013, p. 158).
Na visão de Certeau, as estratégias o responsáveis por organizar e por manter
a estabilidade e a ordem em um lugar, visando à estabilidade do ambiente social.
Estratégias são postuladas por um ou mais indivíduos que se utilizam de poder para
manipular e condicionar os comportamentos de outros indivíduos, bem como para
definir suas formas de agir (Nascimento, Marra & Honorato, 2015). Destaca-se que a
uniformização do cotidiano pode ser quebrada a partir das micropráticas individuais,
ou microrresistências. Elas o possibilitadas quando os indivíduos desenvolvem
táticas a fim de se libertarem do poder exercido sobre eles (Gouvêa & Ichikawa, 2014)
pela sociedade e também pelas organizações.
As táticas são caracterizadas pela ação calculada e determinada pela ausência
de um próprio. Elas atuam no campo do outro e no espaço por ele controlado (Oliveira
& Cavedon, 2013). A ideia de outro não é apenas relevante para o estudo do cotidiano,
mas também para a discussão sobre identidade, que será detalhada posteriormente
neste texto. As táticas subvertem a ordem que domina o ambiente social e são as
formas criadas pelo indivíduo para se desviar dos padrões que determinam sua
conduta (Nascimento, Marra & Honorato, 2015). As táticas, como microrresistências,
permitem mobilidade e improvisação por parte dos sujeitos nos contextos sociais.
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É possível observar nos estudos de Certeau a forte ligação entre identidade e
diferença, a importância do “outro”, do diferente, do estranho (Cabana & Ichikawa,
2017). Certeau, em sua obra, reflete sobre esses “estranhos” (a ação “estranha” da
transgressão) como a contínua relação do “mesmo” com o “outro” (a alteridade) nos
encontros humanos (interações) e das instituições aceitas (Sousa Filho, 2002).
Alteridade aqui entendida como a natureza ou a condição do que é outro, do que é
distinto; como a situação, o estado ou a qualidade que se constituem por intermédio
de relações de contraste, distinção e diferença. A identidade necessita da diferença,
e ambas são estruturas narrativas e discursivas sociais, culturais e não naturais, que
podem ser transformadas (Cabana & Ichikawa, 2017).
De acordo com Souza e Carrieri (2012), a identidade é construída
cotidianamente por meio de bricolagens. Na obra de Certeau, a bricolagem é a
maneira criativa de articular fragmentos como forma de transgressão da ordem (Faria
& Silva, 2017). Para construir suas identidades, os indivíduos se apropriam da esfera
simbólica do espaço no qual se encontram, dessa forma, agem sobre essa esfera e
se autodefinem como sujeitos (Souza & Carrieri, 2012).
Depois de discutir aspectos do cotidiano na visão de Michel de Certeau, a seguir,
serão realizadas algumas reflexões sobre identidades profissionais.
Identidades Profissionais em Dubar
Neste texto, a reflexão teórica sobre identidades tem como principal referência
Claude Dubar. Acredita-se que a abordagem sobre identidades em Dubar permite
aproximações com a abordagem do cotidiano em Certeau. Dubar é um nome
representativo no campo da sociologia das profissões, cuja análise relaciona a
formatação de identidades profissionais aos processos de socialização, em um
movimento de construção, de desconstrução e de reconstrução de identidades
(Cardoso, 2010). Dubar discute a identidade como um produto de comportamentos,
de características e de atitudes incorporados pelos indivíduos a partir dos papéis
assumidos em diferentes contextos, como a família, os amigos e os espaços
profissionais (Pires, Oliveira Farias & Fazendeiro, 2019).
A palavra identidade vem do latim dentitas, que significa igualdade, continuidade.
Dubar (2009) refere-se a identidades profissionais como sendo as formas de
identidade que se configuram na relação entre o “Eue o “Nós”, particularmente no
contexto das atividades laborais remuneradas. Esse termo polissêmico e o estudo de
sua aquisição são discutidos em diferentes áreas do conhecimento, como a
sociologia, a psicologia, a antropologia, entre outros, e considerando diferentes
perspectivas (Silva & Mano, 2018). Conforme descrevem Lima, Ferraz e Vendramin
(2022), para Dubar, a análise sociológica da identidade se diferencia da visão
psicológica ao entender que tanto a construção quanto as possíveis rupturas
identitárias decorrem de conflitos ou de contradições presentes no próprio ambiente
social, e não, necessariamente, de processos internos da psique. Todo indivíduo
possui, por um lado, uma identidade que lhe é atribuída socialmente associada à
percepção dos outros sobre “que tipo de pessoa você é” e, por outro, uma identidade
que é construída de forma reflexiva, baseada na pergunta “que tipo de homem ou
mulher você deseja ser”.
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A identidade é um processo construído socialmente e permanece em constante
desenvolvimento ao longo da vida. No decorrer de sua trajetória, o ser humano se
socializa e adota normas, valores, crenças, princípios, perspectivas e
comportamentos que lhe conferem uma sensação de coerência em sua identidade
pessoal, além de facilitar sua integração na sociedade (Bonete, 2022). Identidade é
entendida como “[...] um conjunto emaranhado de fatores de ordem social e também
biográfica, englobando as experiências do sujeito em contextos diversificados da vida”
(Berger, 2023, p. 12.616). As identidades são importantes, do ponto de vista pessoal
e social, para se obter o melhor entendimento de práticas singulares ou coletivas. É
importante destacar que:
Em nível pessoal, a identidade, ou o conceito de si mesmo, orienta a ação
individual. No plano social, as identidades das pessoas configuram-se como a
percepção de si mesmas dentro de um ou vários grupos, e, nesse sentido,
direcionam os movimentos, refletindo a ação grupal (Machado, 2003, p. 52).
Para Aguiar (2006, p. 156), [...] referir-se à identidade implica levar em
consideração a estrutura social e o momento histórico, uma vez que o
desenvolvimento da identidade do indivíduo é determinado pelas condições históricas,
sociais, materiais e incluídas também as condições do próprio sujeito.
A construção da identidade do professor é um processo influenciado por
múltiplos fatores, incluindo o contexto socioprofissional, as interações interpessoais,
a formação inicial e continuada, a concepção de profissionalidade, a vivência
acumulada e o conhecimento dela derivado, além de aspectos emocionais, cognitivos
e éticos vinculados ao exercício da docência (Lima, Ferraz & Vendramin, 2022). Para
Bonete (2022), a identidade é uma construção desenvolvida pelo indivíduo por meio
de uma narrativa histórica, formada por suas diversas experiências vividas em
sociedade. Essa identidade seja pessoal ou profissional não é estática ou
permanente, mas, ao contrário, se transforma com o tempo. Essa transformação
ocorre com a atuação ativa do sujeito, que se baseia em diferentes referências, como
valores, emoções, tradições, cultura, experiências escolares e acadêmicas,
conhecimentos, práticas, cultura escolar, cultura histórica, entre outros fatores.
No processo de construção da identidade profissional que integra o quadro das
“identidades possíveis”, observa-se que as categorias, que dizem respeito à formação
docente e às esferas do trabalho e do emprego, constituem os domínios de referência
dos indivíduos para si mesmos.
A construção identitária não é permanente, longe disso; as identidades vão se
constituindo em um processo perpétuo de “inconclusão” e de “reconstrução”, devido
às incertezas dos contextos que impõem mudanças nas relações sociais e na
construção das identidades (Silva, Aguiar & Monteiro, 2014). Elas se constroem
simultaneamente nos julgamentos que os indivíduos fazem de si mesmos, tomando
como referência os seus julgamentos sobre os outros e os dos outros sobre eles
próprios, como também o contexto social no qual está inserido (Aguiar, 2004, 2006).
Nas palavras de Dubar (2012, p. 358):
A vida de trabalho é feita, ao mesmo tempo, de relações com parceiros (patrões,
colegas, clientes, público, etc.) inseridas em situações de trabalho, marcadas por
uma divisão do trabalho, e de percursos de vida, marcados por imprevistos,
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continuidades e rupturas, êxitos e fracassos. A socialização profissional é,
portanto, esse processo muito geral que conecta permanentemente situações e
percursos, tarefas a realizar e perspectivas a seguir, relações com outros e
consigo (self), concebido como um processo em construção permanente.
A formação da identidade profissional ocorre a partir da interação entre fatores
internos e externos ao indivíduo (Lima, Ferraz & Vendramin, 2022). Dois processos
concorrem para a produção das identidades: o processo biográfico (identidade para
si; transação interna ao indivíduo) e o processo relacional, sistêmico, comunicativo
(identidade para o outro; transação externa entre o indivíduo e as instituições). Ambas
as transações são articuladas e processadas por meio de mecanismos de
pertencimento e de atribuição. Esses processos, apesar de heterogêneos, fazem uso
de um mecanismo comum, o uso de esquemas de tipificação, o que implica a
existência de “tipos identitários”. Estes representam um número limitado de modelos
socialmente significativos e legitimados utilizados para realizar combinações
coerentes de identificações fragmentárias (Dubar, 2005; Silva, Aguiar & Monteiro,
2014).
Dubar, na concepção de Rossi e Hunger (2013, p. 320), entende a identidade
como uma interação entre dois movimentos de tensão contínuos. Um deles se refere
aos “atos de atribuição”, que buscam definir o tipo de pessoa que o indivíduo é sob a
perspectiva dos outros, ou seja, sua identidade para o outro. O segundo se trata dos
“atos de pertencimento”, que expressam o tipo de pessoa que o indivíduo deseja ser,
ou sua identidade para si mesmo. A tensão surge da oposição entre as expectativas
que os outros têm sobre quem o indivíduo deve ser (e o que ele aceita ser) e o desejo
que ele possui de adotar e de manifestar certas identidades.
Aguiar (2004) e Silva, Aguiar e Monteiro (2014) afirmam que, apesar da
diversidade e da mutabilidade das situações, o indivíduo guarda um sentimento de
unidade e de continuidade por meio do qual é reconhecido por si e pelos outros como
sendo ele mesmo. Desse modo, em um processo de constituição identitária, as formas
de identidade são inseparáveis das relações sociais, as quais são também formas de
alteridade, pois não existe identidade sem relação entre o si próprio e o outro (Silva,
Aguiar & Monteiro, 2014). A identidade profissional se molda entre os paralelos de
uma identidade que o outro quer para o indivíduo e uma identidade que o indivíduo
define para si mesmo. Esse processo não é contraditório ou excludente, mas, sim,
uma interlocução dessas duas perpectivas que se manifestam na formação da
identidade profissional (Pires, Oliveira Farias & Fazendeiro, 2019). Rossi e Hunger
(2013) ressaltam que a identidade é o resultado de sucessivas socializações e se
constitui a partir da articulação entre o processo relacional que gera a identidade
para o outro (a percepção do outro nos sistemas de ação e instituições nas quais está
inserido) e o processo biográfico, que molda a identidade para si (sua trajetória,
planos de vida, entre outros aspectos).
Bonete (2022) salienta que o processo de constituição da identidade não se dá
de maneira estável ou linear, mas de forma dinâmica e complexa, na medida em que
o indivíduo pode recusar uma identificação e se definir de outra forma. Castells (2008,
p. 25) distingue a construção da identidade em três formas e origens, tendo em vista
que essa construção acontece por meio das relações de poder: a identidade
legitimadora, a identidade de resistência e a identidade de projeto.
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1) A Identidade legitimadora é inserida por instituições dominantes da sociedade
com o objetivo de disseminar e de racionalizar seu poder de dominação em
relação aos outros atores sociais.
2) A Identidade de resistência é criada por atores sociais que se encontram em
desvantagens e são estigmatizados pela lógica de dominação, criando
barreiras para a sua sobrevivência com base em princípios diferentes dos que
norteiam as instituições sociais.
3) A Identidade de projeto é construída a partir de materiais culturais para redefinir
posições na sociedade, transformando, assim, a estrutura social.
Dubar (2005) aponta duas transações-chave do processo de construção das
identidades sociais: a transação objetiva e a transação subjetiva. Nas palavras de
Alves et al. (2007, p. 279):
A transação objetiva é a relação que o indivíduo estabelece com seu espaço de
trabalho e com a retribuição concreta da contribuição que com seu trabalho
para o ambiente social. A transação subjetiva se refere à relação temporal do
indivíduo com a profissão, projeções realizadas para si e a identidade construída
ao longo da vida.
A transação constitui uma transposição direta da equilibração, a qual envolve os
processos de assimilação e de acomodação. Por meio da assimilação, o indivíduo
procura modificar seu entorno para torná-lo mais coerente com seus desejos e para
diminuir os sentimentos de ansiedade e de intensidade; por outro lado, pela
acomodação, o indivíduo busca se modificar para responder às pressões e às
coerções de seu entorno (Dubar, 2005). De acordo com Dubar (2009, p. 13):
A identidade não é o que permanece necessariamente “idêntico”, mas o
resultado de uma “identificação” contingente. É o resultado de uma dupla
operação linguageira: diferenciação e generalização. A primeira é aquela que
visa a definir a diferença, o que constitui a singularidade de alguma coisa ou de
alguém relativamente a alguém ou a alguma coisa diferente: a identidade é a
diferença. A segunda é a que procura definir o ponto comum a uma classe de
elementos todos diferentes de um mesmo outro: a identidade é o pertencimento
comum. Essas duas operações estão na origem do paradoxo da identidade: o
que há de único e o que é partilhado.
Chama-se a atenção para a ideia de que categorias sociais específicas, as
socioprofissionais, servem para que o indivíduo identifique os outros e se
autoidentifique. Essas categorias de modificam tanto de acordo com os espaços
sociais, nos quais as interações são exercidas, quanto de acordo com as
temporalidades biográficas e históricas, em que se desenvolvem as trajetórias (Dubar,
2005).
É na maneira como eles utilizam, pervertem, aceitam ou recusam as categorias
profissionais oficiais que devem ser compreendidos os processos de identificação
futura, que implicam rearranjos permanentes tanto das áreas quanto das categorias
identitárias. Em contrapartida, as próprias categorias pertinentes de identificação
social evoluem no tempo e permitem antecipações recíprocas sobre as quais é
possível enxertar as negociações identitárias (Dubar, 2005). Para Aguiar (2006), a
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identidade de uma pessoa é construída ao longo da vida, incorporando rias facetas
identitárias, que podem até ser contraditórias, mas que preservam certa organização,
coerência e estabilidade. É relevante notar que o processo de formação identitária é
simultaneamente individual e social, envolvendo uma interação entre as identidades
pessoal e social dos indivíduos, na qual componentes psicológicos e sociológicos se
conectam de maneira única e organizada.
As identidades revelam um movimento constante entre atos de atribuição e atos
de pertencimento (Berger, 2023). Atos de atribuição se referem ao que os outros
definem e dizem do sujeito; essas atribuições são denominadas como identidades
virtuais, vêm de fora, dos outros. Por sua vez, os atos de pertença dizem respeito à
identificação que o sujeito tem com as atribuições que lhes foram feitas pelos outros.
De acordo com Berger (2023, p. 12.619),
É nessa movimentação da socialização profissional que o sujeito conquista uma
posição social, considerando ainda a articulação processo biográfico e o
relacional de produção das identidades que são mecanismos diferentes, mas
complementares. O processo biográfico envolve o trabalho e a formação, é a
projeção de um futuro possível, são as áreas pertinentes das identificações
sociais dos próprios indivíduos a partir das categorias oferecidas por instituições
sucessivas (famílias, escola, trabalho) ao longo de sua vida, que são acessíveis
e atribuem valores. o processo relacional está ancorado nas experiências
relacionais e sociais dos sujeitos, o que envolve também as relações de poder e
os modos de se identificar com os pares e os outros grupos.
Cabe salientar que os indivíduos, segundo Dubar (2005), reconstroem as suas
identidades sociais reais a partir de: identidades sociais herdadas da geração anterior
(a primeira identidade social é sempre conferida); identidades virtuais (escolares)
adquiridas durante a socialização inicial (primária); e identidades possíveis
(profissionais) disponíveis no decorrer da socialização secundária.
O significado social da profissão afeta a construção da identidade profissional na
revisão das representações sociais da profissão e das tradições. Desse modo, as
identidades profissionais podem ser definidas como as maneiras socialmente
reconhecidas de os indivíduos identificarem uns aos outros no campo profissional.
Identidade Profissional do Professor do Ensino Superior
A Identidade do professor é um tema de pesquisa relativamente novo, cujo
conceito permeia diferentes áreas do conhecimento (Lima & Araujo, 2019). A
construção da identidade profissional do professor do ensino superior é descrita na
literatura como um processo complexo, marcado por etapas de construção, de
desconstrução e de reconstrução. Esse processo é influenciado por uma variedade
de fatores contextuais, incluindo elementos socioculturais e aspectos relacionados ao
departamento acadêmico de atuação, bem como por fatores organizacionais, como a
orientação institucional, a articulação entre docência e gestão, as percepções
pessoais sobre o ser professor, os objetivos educacionais e as concepções sobre os
aprendizes. Além disso, aspectos como a formação inicial e continuada, a
profissionalidade docente, a experiência acumulada e o saber oriundo dessa
experiência, assim como fatores emocionais, cognitivos e éticos, também exercem
influência significativa (Lima & Araujo, 2019).
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A identidade profissional de um professor é uma das dimensões da sua
identidade social. Essa identidade profissional pode, assim, ser concebida como a
autodefinição do indivíduo como professor, em relação à sua prática profissional.
Essas são as características que identificam o indivíduo como professor e que ele
partilha e tem em comum com outros professores por pertencer ao mesmo grupo
profissional (Cattonar, 2001, p. 5). A identidade profissional do professor refere-se a
um conjunto de características, experiências e posições de sujeito atribuídas (e
autoatribuídas) por diferentes discursos e agentes sociais a esses profissionais no
exercício de suas funções, em instituições educacionais mais ou menos complexas e
burocráticas (Garcia, 2010).
A identidade profissional do professor é, ao mesmo tempo, um processo de
identificação e de diferenciação, não fixo e provisório, permeado por variadas
interações, que resultam de negociações de ordem simbólica as quais os professores
realizam em meio a um conjunto de variáveis como suas biografias (histórias de vida),
os conhecimentos das especificidades da profissão, suas práticas, as relações e as
condições de trabalho, as relações com o grupo profissional, a história e a cultura que
caracterizam a docência como atividade profissional e as representações
evidenciadas nos discursos que se enfrentam para definir os modos de ser e de agir
dos professores no exercício da profissão; e, ainda, pela singularidade dos sujeitos
(Garcia, 2010; Silva, Aguiar & Monteiro, 2014).
A identidade profissional é construída, também, por meio da representação que
cada professor (como construtor de sua prática) confere à atividade docente no seu
cotidiano, com base em seus valores, sua história de vida, as representações, as
angústias, os saberes e os anseios, no sentido que “ser professor” tem em sua vida,
bem como nas relações que se estabelecem com outros professores em diversos
grupos sociais (Aguiar, 2004). A relação com os sistemas, as instituições e com os
detentores dos poderes diretamente envolvidos na vida cotidiana aciona a implicação
e o reconhecimento do indivíduo, seu engajamento e sua indiferença, sua participação
ou sua contestação, sua identidade virtual reivindicada e sua identidade realmente
reconhecida (Dubar, 2005).
Nos processos identitários dos professores da educação superior, outro fator que
deve ser considerado é a identidade das Instituições de Educação Superior (IES),
que as IES guardam diferentes aspectos, características e objetivos relacionados ao
trabalho que o professor realiza, influenciando na construção da identidade docente.
Como afirmam Franco e Gentil (2007, p. 12):
Os objetivos que se alteram são substituídos ou acrescidos de outros,
transformando as identidades. Assim, os objetivos institucionais estão no cerne
dos elementos que se unem e contribuem na constituição de identidades dos
que trabalham numa dada instituição. Na medida em que trabalho é aspecto
produtor de significados, é constitutivo de identidades. [...] nas IES os
departamentos, os grupos de trabalho, os grupos de pesquisa são espaços de
construção de identidade e os formatos por eles assumidos são ancorados em
finalidades e em relações institucionais e povoam as construções identitárias do
professor de ensino superior.
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Percebe-se a identidade como um processo não linear e que está em constante
(re)construção, levando-se em conta as circunstâncias nas várias dimensões e nos
contextos sociais (Silva, Aguiar & Monteiro, 2014, p. 740). A identidade profissional,
por sua vez, é uma
[...] identidade social particular que decorre do lugar das profissões e do trabalho
no conjunto social e, mais especificamente, do lugar de uma certa profissão e de
um certo trabalho na estrutura da identidade pessoal e no estilo de vida do ator
(Lopes, 2001, p. 188).
As formas identitárias do professor são construídas nas relações sociais e de
trabalho e se configuram a partir de dois processos: o biográfico (identidade biográfica
para si); e o relacional (identidade relacional para o outro). Esses processos não são
idênticos. Quando a identidade para si difere da identidade para o outro, tem-se como
resultado as estratégias identitárias (Weber, 2019).
Conforme destaca Dubar (2005, p. 140), as estratégias identitárias são:
[...] destinadas a reduzir a distância entre as duas identidades. Elas podem
assumir duas formas: ou a de transações “externas” entre o indivíduo e os outros
significativos, visando a tentar acomodar a identidade para si à identidade para
o outro (transação denominada “objetiva”), ou a de transações “internas” ao
indivíduo, entre a necessidade de salvaguardar uma parte de suas identificações
anteriores (identidades herdadas) e o desejo de construir para si novas
identidades no futuro (identidades visadas), com vistas a tentar assimilar a
identidade-para-o-outro à identidade-para-si. Essa transação, denominada
subjetiva, constitui um segundo mecanismo central do processo de socialização
concebido como produtor de identidades sociais.
Salienta-se que as identidades profissionais do professor são construídas e
reconstruídas ao longo de sua vida a partir de relações sociais e profissionais (Weber,
2019).
A seguir, será apresentada a discussão sobre o cotidiano dos professores e suas
identidades profissionais à luz de Certeau e Dubar.
O Cotidiano do Professor de Ensino Superior e suas Identidades
Profissionais
A compreensão das dinâmicas organizacionais atuais exige uma atenção
especial às práticas do dia a dia e aos processos pelos quais os indivíduos constroem
suas identidades no ambiente de trabalho. Nesse contexto, os aportes teóricos de
Michel de Certeau e de Claude Dubar são essenciais para ampliar as perspectivas
tradicionais dos estudos organizacionais. Eles contribuem para deslocar o foco das
estruturas formais e normativas, destacando como as pessoas, em suas rotinas,
atribuem significados, negociam interpretações e (re)constroem suas identidades
profissionais.
O cotidiano dos professores do ensino superior e as suas identidades
profissionais estão profundamente interligados, são moldados por uma série de
práticas, interações e contextos institucionais. Para entender como o cotidiano dos
professores afeta suas identidades profissionais, à luz das teorias de Michel de
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Certeau e de Claude Dubar, é necessário analisar dois aspectos principais: a prática
cotidiana e a identidade profissional.
Certeau (1994), em seu trabalho sobre as práticas cotidianas, destaca como as
pessoas utilizam estratégias e táticas para lidar com estruturas e regras impostas. Em
A invenção do cotidiano: 1 artes de fazer, Certeau diferencia estratégias
(empregadas por instituições) e táticas (usadas pelos indivíduos para se adaptarem e
navegarem pelas estruturas).
As instituições de ensino superior definem currículos, carga horária docente,
métodos de avaliação, expectativas de produção acadêmica e outras diretrizes
acadêmicas. Esses elementos podem ser vistos como as estratégias que moldam o
ambiente de trabalho dos professores. Os professores, por sua vez, desenvolvem
suas próprias táticas para lidar com as estratégias. Os professores podem adaptar
métodos de ensino, desenvolver abordagens inovadoras para engajar os alunos, fazer
uso de tecnologias digitais para enriquecer o ensino, buscar formas alternativas de
avaliação, criar formas de pesquisa e ajustar suas pesquisas para se alinharem melhor
com as áreas de interesse dos Programas de Pós-Graduação (PPG) e dos órgãos de
fomento etc. Essas táticas ajudam os professores a moldar e a afirmar suas
identidades profissionais dentro das estruturas estabelecidas pelas instituições.
A identidade profissional dos professores é, portanto, uma construção dinâmica
que resulta da negociação entre as estratégias institucionais e as táticas individuais.
Suas práticas cotidianas, por exemplo, a forma como conduzem suas aulas, como
interagem com colegas e estudantes e de que forma participam de atividades
acadêmicas, podem ser consideradas maneiras pelas quais os professores afirmam
e adaptam suas identidades profissionais. Os professores frequentemente inventam
maneiras de fazer suas tarefas diárias de forma que elas se ajustem tanto às
demandas institucionais quanto às suas preferências pessoais.
Dubar (2005), em seus estudos sobre identidade profissional, explora a
construção e a (re)construção das identidades em contextos profissionais. Em seu
livro A socialização: construção das identidades sociais e profissionais, Dubar (2005)
analisa como a identidade profissional é formada e transformada por meio da
socialização no ambiente de trabalho. A identidade profissional dos professores é
formada por meio da socialização acadêmica, que inclui interações com colegas,
estudantes e aspectos institucionais. Essas interações influenciam a forma como os
professores percebem a si mesmos e sua posição dentro do campo profissional, além
disso, ajudam os professores a definir o que significa ser um profissional em seu
campo e a construir uma identidade que reflete essas normas e expectativas
internalizadas.
As práticas cotidianas dos professores, como o envolvimento em atividades de
pesquisa, ensino, extensão, contribuem para o desenvolvimento de uma identidade
profissional específica. A experiência prática e a reflexão sobre essas experiências
acadêmicas auxiliam na construção e na modificação constante de suas identidades
profissionais.
Observa-se, com base em Dubar, que a identidade profissional não é estática,
ela evolui e é reconstruída no decorrer do tempo. As práticas cotidianas, como a
participação em conferências, a colaboração em projetos de pesquisa e o feedback
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recebido de estudantes e colegas, influenciam continuamente a identidade
profissional dos professores.
Argumenta-se que Certeau e Dubar oferecem perspectivas complementares
sobre o cotidiano e as identidades a despeito de duas abordagens teóricas
aparentemente distintas. Com base no referencial teórico construído para este estudo,
alguns pontos em comum entre as ideias de Certeau e de Dubar são indicados na
Tabela 1.
Tabela 1 - Categorias analíticas comuns nas ideias de Certeau e Dubar
Categorias
Descrição
1. Centralidade
do cotidiano
Ambos os pensadores colocam o cotidiano no centro da análise de identidade.
Certeau explora como os indivíduos criam sentido e identidade por meio de
suas práticas diárias, enquanto Dubar investiga como as mudanças nas
condições de trabalho e na vida cotidiana afetam as identidades pessoal e
profissional.
2. Influência das
estruturas
sociais
Embora Certeau se concentre mais nas práticas diárias como formas de
resistência, ele ainda reconhece a influência das estruturas sociais sobre o
cotidiano. Dubar, por sua vez, analisa como as estruturas sociais de trabalho
e econômicas moldam a identidade. Ambos reconhecem que a identidade é
influenciada por fatores externos e contextuais, mas que também é
caracterizada pela maneira como os indivíduos interagem com esses fatores.
3. Ação individual
e coletiva
Certeau enfatiza o papel da ação individual e coletiva na formação da
identidade por meio de práticas cotidianas. Dubar, embora focado no trabalho,
também considera que as ações dos indivíduos e dos grupos dentro do
contexto econômico e social afetam a construção da identidade. Ambos os
autores reconhecem a importância das práticas e das ações individuais e
coletivas na formação da identidade.
4. Resistência e
criatividade
Certeau argumenta que as pessoas usam táticas criativas para circular e
resistir às estruturas de poder e normas sociais. Da mesma forma, Dubar
analisa como os indivíduos adaptam e reinventam suas identidades em
resposta às transformações no mundo do trabalho e às instabilidades
associadas. Certeau e Dubar reconhecem que a identidade é moldada pela
capacidade de os indivíduos responderem de maneira adaptativa e criativa às
pressões externas.
5. Alteridade
Na visão de Certeau, a alteridade refere-se à natureza ou à condição do que é
outro, do que é distinto; como a situação, o estado ou a qualidade que se
constitui por intermédio de relações de contraste, distinção, diferença. Para
Dubar, alteridade refere-se à construção da identidade em relação ao “outro”
ou aos outros, destacando que a identidade pessoal e social de um indivíduo
não se forma isoladamente, mas sempre em relação a outras pessoas e
grupos.
6. Construção da
identidade
Para Certeau, a identidade é construída por meio das práticas cotidianas que
permitem aos indivíduos negociar e transformar seu ambiente. Dubar também
a identidade como algo construído e reconstruído ao longo do tempo,
particularmente em resposta a mudanças estruturais e sociais. Ambos
entendem a identidade como um processo dinâmico e em constante evolução.
Fonte: Elaboração própria (2025).
As categorias apresentadas na Tabela 1 mostram como as ideias de Certeau e
de Dubar se complementam ao oferecerem uma visão integrada sobre como o
cotidiano e a identidade são interligados e construídos por práticas nos contextos
sociais.
A seguir, serão tecidas as considerações finais deste estudo.
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Conclusões
Este texto teve como objetivo discutir o cotidiano do professor de ensino superior
e suas identidades profissionais à luz de Michel de Certeau e Claude Dubar. Acredita-
se que o objetivo foi atingido.
A partir das teorias de Michel de Certeau e de Claude Dubar, foi possível
entender que as práticas cotidianas dos professores de ensino superior são cruciais
para a construção e a (re)construção de suas identidades profissionais.
Especificamente com base em Certeau, pôde-se compreender como os professores
adaptam e reinterpretam as estratégias institucionais por meio de táticas individuais.
Por sua vez, Dubar ofereceu uma perspectiva sobre como a identidade profissional é
moldada e transformada pela socialização e pela experiência contínua no ambiente
acadêmico. Ambas as abordagens destacam a importância do cotidiano profissional,
bem como a complexidade e a dinamicidade envolvidas na constante construção da
identidade profissional dos professores do ensino superior.
Foram apontadas seis categorias analíticas em comum entre Certeau e Dubar
sobre cotidiano e identidade profissional: centralidade do cotidiano; influência das
estruturas sociais; ação individual e coletiva; resistência e criatividade; alteridade; e
construção da identidade.
O estudo do cotidiano e das identidades profissionais do professor de ensino
superior favorece a área de Estudos Organizacionais ao oferecer uma visão das
dinâmicas internas das instituições de ensino, revelando como práticas diárias, as
relações interpessoais e as adaptações individuais afetam o ambiente organizacional,
desse modo, este estudo seguiu nessa direção.
Este texto auxilia na compreensão das práticas organizacionais cotidianas dos
professores, pois ajuda a revelar as práticas informais que, muitas vezes, escapam da
visão e que são fundamentais para o funcionamento de uma organização. Além disso,
o estudo do processo de formação das identidades profissionais dos professores
permite explorar como os professores do ensino superior desenvolvem um senso de
pertencimento e de compromisso com as organizações.
Pelo exposto, este estudo contribuiu para diminuir um hiato na literatura sobre o
cotidiano e as identidades profissionais dos professores do ensino superior.
Entretanto, foi possível observar ainda outras lacunas na literatura. Assim, como
sugestões para futuros estudos, indica-se a realização de uma pesquisa empírica
sobre as práticas cotidianas e a formação das identidades profissionais dos
professores de ensino superior. Sugere-se, também, analisar a formação inicial e
continuada dos professores, explorando como os processos de formação inicial e de
desenvolvimento profissional ao longo da carreira moldam as identidades desses
profissionais, observando tanto as práticas formais (cursos e certificações) quanto as
informais (autoaprendizagem, grupos de estudo, redes acadêmicas). Sugere-se,
ainda, investigar como os professores conciliam suas identidades como
pesquisadores e educadores, considerando as demandas distintas que esses papéis
exigem. Finalmente, recomenda-se a realização de uma pesquisa sobre como as
relações de poder influenciam o cotidiano e a formação da identidade profissional dos
professores do ensino superior.
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