GESTÃO & CONEXÕES - MANAGEMENT AND CONNECTIONS JOURNAL, VITÓRIA (ES), V. 15, N. 1, DE 2026.
Revista Gestão & Conexões
Management and Connections Journal
Vitória (ES), v. 15, n. 1, de 2026.
ISSN 2317-5087
DOI: 10.47456/regec.23175087.2026.15.1.46875.43.66
Relações de prazer e sofrimento no processo de
tecnificação do trabalho em mídias sociais
Relationships of pleasure and suffering in the work technification process
in social media
Karla Cristina Alves Roberto
Rene Eugenio Seifert Junior
Universidade Positivo
karlacroberto@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9759-3564
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
r.e.seifert@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4474-9131
RESUMO
O ambiente virtual tem se apresentado como um novo e potencial espaço de trabalho diante da proliferação das
mídias sociais. Importantes discussões acerca da plataformização do trabalho têm sido desenvolvidas no campo
dos Estudos Organizacionais. Dentre as atividades que têm surgido nesse contexto, o presente estudo foi
direcionado ao trabalho de criação de conteúdo digital. Buscou-se compreender as vivências de prazer e
sofrimento dos criadores de conteúdo em mídias sociais diante da lógica técnica dominante. Realizou-se, então,
uma pesquisa qualitativa aplicando-se entrevistas em profundidade e coleta de dados secundários. Verificou-se
que embora o trabalho de criação de conteúdo seja tipicamente entendido sob o mito do trabalho perfeito: divertido,
livre, glamoroso e bem pago; na verdade, desenrola-se sob uma dinâmica de vivências de prazer e sofrimento
mediada por algoritmos cujas regras de desempenho não são claras ou acessíveis aos trabalhadores. Deste modo,
potencializam o reconhecimento do trabalho como uma forma de empreendedorismo e uma dinâmica de
autoexploração no trabalho.
Palavras-chave: criadores de conteúdo; prazer e sofrimento no trabalho; tecnificação do trabalho.
ABSTRACT
The virtual environment has emerged as a new and potential workspace in light of the proliferation of social media.
Significant discussions on the platformization of work have been developed within the field of Organizational
Studies. Among the activities arising in this context, the present study focuses on digital content creation. It aimed
to understand the experiences of pleasure and suffering among content creators on social media under the
dominant technical logic. A qualitative study was conducted using in-depth interviews and secondary data collection.
The findings indicate that although content creation is often portrayed as the myth of the perfect job: fun, free,
glamorous, and well-paid; in reality, it unfolds within a dynamic of both pleasure and suffering, mediated by
algorithms whose performance rules are neither clear nor accessible to workers. In this way, it reinforces the
perception of content creation as a form of entrepreneurship and a dynamic of self-exploitation in work.
Keywords: creators; pleasure and suffering in the job; work technification.
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Introdução
Com a expansão do acesso às plataformas digitais, o mundo virtual passou a
proporcionar um novo espaço de trabalho. Muitas pessoas que eram apenas usuárias
tornaram-se produtoras de conteúdos nas mídias sociais (Van Dijck, 2013; Carneiro,
Moscon, Dias, Oliveira & Alves, 2023). Dentre as diversas atividades que têm
emergido nas plataformas digitais, a presente pesquisa direciona a atenção para essa
criação de conteúdo nas redes sociais, trabalho que tem se mostrado bastante
sedutor. Muitas vezes vistos como empreendedores de si mesmos, os criadores de
conteúdo são admirados pela capacidade de unirem trabalho e lazer (Silvestre, 2018).
Alguns estudos, entretanto, têm convidado a observar e refletir de forma crítica sobre
essa nova realidade de trabalho, considerando principalmente a degradação da saúde
mental desses trabalhadores (Silvestre, 2018; Matos, 2020; Costa et al., 2021).
Para Dardot e Laval (2016), os efeitos patológicos presentes no trabalhador
contemporâneo são consequências da lógica neoliberal. Os autores concebem a ideia
de um novo sujeito produtivo, o chamado “homem empresa”, que se envolve
completamente com sua ocupação e assume para si as responsabilidades pelos
eventuais fracassos.
Jacques Ellul defende que desde o século XVIII tem prevalecido uma
racionalidade que conduz todos os âmbitos da vida para uma lógica de máxima
eficiência, de tal maneira que o ser humano não tem mais o controle de estabelecer
limites para o seu trabalho (Ellul, 1964). Considerando o contexto de gerenciamento
de dados do mundo digital, têm-se os algoritmos como os sistemas técnicos
responsáveis por padronizar e prescrever o modo de se organizar o trabalho nas
plataformas (Fernandez-Vicente, 2020). Com isso, entende-se o trabalho
plataformizado como o estágio mais avançado da tecnificação do trabalho. Frente a
esse cenário, o presente estudo traçou como questão norteadora: como se dão as
vivências de prazer e sofrimento no trabalho de criação de conteúdo digital em face
do processo de tecnificação do trabalho?
A fim de compreender tais vivências, optamos por utilizar a Psicodinâmica do
Trabalho como aporte teórico. Conforme a teoria de Christophe Dejours, o trabalho é
fonte tanto de prazer quanto de sofrimento. Tal teoria tem sido fundamental para
contestar a neutralidade da organização do trabalho para a saúde mental dos
trabalhadores, bem como a passividade dos sujeitos diante das vivências laborais
(Dejours, 2008). Contudo, percebe-se que o trabalho de produção de conteúdo digital
ainda foi pouco explorado por essas lentes em relação a outros trabalhos em
plataformas de serviços (e.g. Uber) (ABILIO, 2019; ABILIO, 2020; DUFFY et al., 2021;
MACIEL et al., 2024).
Com tal objetivo, realizamos uma pesquisa com estratégia qualitativa com quatro
criadores de conteúdo. Os resultados deixam evidente que o trabalho de criação de
conteúdo envolve prazer e sofrimento, e que essa dinâmica é dependente de
algoritmos cujo funcionamento não é conhecido, muda constantemente, e não é
acessível aos trabalhadores. Neste contexto, o papel de chefe e as metas de
produção são internalizados pelos produtores. Diferentes modelos de conteúdo
precisam ser constantemente testados, implicando em longas jornadas de trabalho e
ausência de pausas.
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A presente pesquisa contribui com o aprofundamento sobre as dinâmicas de
prazer e sofrimento no contexto do trabalho plataformizado, como representa uma
evidência empírica das advertências elaboradas na crítica filosófica do trabalho
contemporâneo. Como observa Han (2019), enquanto na sociedade disciplinar de
Foucault o trabalho dos sujeitos era regido por obediência, mandamentos e leis, na
sociedade atual, são por projetos, iniciativa e motivação. Nosso estudo oferece
evidências sobre como as vivências de prazer e sofrimento são mediadas pelos
algoritmos das plataformas, e como trabalhadores digitais contemporâneos têm sido
transformados em máquinas de eficiência e alta produtividade numa lógica de auto
exploração.
Nas próximas seções deste artigo, na seção de fundamentação teórica
apresentamos uma breve revisão sobre o processo de tecnificação do trabalho a partir
do argumento de Ellul (1964), a concepção da dialética prazer-sofrimento
desenvolvida por Dejours (1992, 2008) e o contexto das pesquisas mais recentes
sobre o trabalho de criação de conteúdo em mídias sociais. Em seguida, expomos os
procedimentos metodológicos utilizados na investigação empírica. Depois, expomos
os resultados do estudo, apresentando os criadores de conteúdo investigados e as
principais categorias de prazer e sofrimento manifestadas. Por fim, discutimos as
contribuições e manifestamos as considerações finais deste estudo.
Fundamentação Teórica
Este estudo parte do entendimento de que o modo de organizar o trabalho
contemporâneo se alinha com aquilo que Ellul (1964) define como fenômeno técnico,
ou seja, a “totalidade dos métodos racionalmente alcançados, e que tenham a
eficiência absoluta (em um determinado estágio de desenvolvimento) em todas as
áreas de atividade humana” (p. 25). Para Ellul (1964), enquanto o fenômeno da
tecnificação se aperfeiçoa, o comportamento e o trabalho humano passam a ser
condicionados por tal fenômeno e aqueles que não se adaptam perdem espaço na
sociedade (Biscalchim & Barrientos-Parra, 2012).
Para Han (2019), a relação entre tecnificação e trabalho no contexto
contemporâneo se define por aquilo que ele denomina como “sujeito de desempenho”.
Isto é, um sujeito definido pelo aprimoramento técnico do trabalho no contexto do
capitalismo de plataforma (Steinberg, 2021). Como observa Abílio (2020), no contexto
do trabalho plataformizado, o trabalhador precisa seguir regras e atingir metas de
eficiência estipuladas pelos algoritmos. Dessa forma, argumenta-se que os
trabalhadores plataformizados estariam sujeitos a uma nova forma de precarização
do trabalho (Abilio, 2019; Duffy & Sawey, 2022).
Nos últimos anos proliferaram estudos relacionando o trabalho no contexto
plataformizado às enfermidades vinculadas à saúde mental dos trabalhadores, tais
como depressão, burnout e estresse (Albarello, Rego, Machado & Silva, 2025; Santos,
Kerber & Rissi, 2022; Abilio, 2019; Siqueira, Macêdo, Arão, & Canuto, 2024; Maciel,
Lima, Paiva & Araujo, 2024; Han, 2019; Prado, 2012). Em sua pesquisa com
produtores de conteúdo em mídias sociais, Silvestre (2018) apontou que o sucesso e
o lucro advindos dessa atividade exigem uma dedicação que, muitas vezes,
comprometem a saúde mental desses indivíduos. Cita, por exemplo, o caso da
youtuber Kéfera Buchmann que precisou interromper suas atividades em razão de
transtornos de ansiedade, depressão e síndrome do pânico (Silvestre, 2018).
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No contexto do trabalho plataformizado, estudos recentes observaram que as
rupturas nos limites de tempo e espaço proporcionadas principalmente pelo avanço
dos aparelhos tecnológicos, os indivíduos estão conectados a todo momento e em
qualquer lugar, sendo difícil separar o tempo/lugar de trabalho dos momentos/espaços
de família, descanso e lazer. De acordo com Paiva et al. (2020), essa questão pode
ser apontada como um dos principais motivos de incerteza e sofrimento do trabalhador
contemporâneo.
Para Christophe Dejours (1992; 2008a, 2008b, 2008c, 2008d), a organização do
trabalho suscita riscos positivos e negativos que afetam o psíquico dos trabalhadores.
A teoria da Psicodinâmica do Trabalho (PdT) argumenta que “a relação entre a
organização do trabalho e o homem não é um bloco rígido, mas está em contínuo
movimento” (Dejours, 2008b, p. 70). Portanto, ao mesmo tempo que o trabalho causa
sofrimento, há também a possibilidade de se promover vivências de prazer (Dejours,
2008d; Carrasqueira & Barbarini, 2010). Essa teoria analisa a “dinâmica do sofrimento
e de sua transformação em prazer” (Dejours, 2008b, p. 92).
É a partir desse entendimento que Dejours passa a vincular a saúde mental à
dialética do prazer-sofrimento. Para ele, se por exemplo, falta reconhecimento no
trabalho, "os indivíduos engajam-se em estratégias defensivas para evitar a doença
mental” (Dejours, 2008b, p. 92). Estudos recentes na PdT têm observado que no
contexto contemporâneo os trabalhadores desenvolvem estratégias individuais e
coletivas para tornar suportável o que seria intolerável (Areosa, 2019), ou ainda podem
construir estratégias de resiliência em face dos vínculos organizacionais e da dinâmica
de prazer/sofrimento no espaço de trabalho (Bottini et al., 2021).
Vale reconhecer que os principais aportes teóricos da PdT foram desenvolvidos
em meio à relação do trabalho e tecnologias vinculadas à industrialização e produção
em série. Logo, estão distantes do atual contexto do trabalho plataformizado. Com o
desenvolvimento das tecnologias de comunicação, e principalmente das plataformas
digitais, as possibilidades de comunicação, interação social, produção de informação
e trabalho ampliaram significativamente. Novas formas de ocupação emergem no
ambiente virtual e se apresentam como alternativas ao emprego tradicional (Van Dijck,
2013). Tal cenário tem fomentado importantes investigações no campo da
Administração, dentre elas, discussões acerca da informalidade, da precarização do
trabalho e das exigências de produtividade (Abílio, 2020; Carneiro et al., 2023; Costa
et al., 2021; Vaclavik et al., 2022).
Na literatura acadêmica, diferentes nomenclaturas têm sido adotadas para se
referir aos novos modos de organização e trabalho no mundo digital, tais como gig
economy, digitrab, uberização (Abílio, 2020; Carneiro et al., 2023; Vaclavik et al.,
2022). A presente pesquisa investiga o trabalho de criação de conteúdo em mídias
sociais. Um tipo de trabalho que tem sido realizado “desde pessoas ‘comuns’ até
celebridades, ativistas, jornalistas, experts, entre outros que possuem capacidade de
movimentar diversos seguidores através do compartilhamento de informações
específicas” (Yunes et al., 2019, p. 275). De acordo com o Influencer Marketing Hub
(2024), a economia de criadores de conteúdo envolve mais de 50 milhões de pessoas
no mundo.
Em muitas pesquisas acadêmicas e nas mídias de grande massa, esses
indivíduos são comumente intitulados como criadores de conteúdo. Matos (2020)
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defende a adoção desse termo porque é assim que o próprio YouTube intitula aqueles
que produzem audiovisual original na plataforma.
A heterogeneidade de práticas nessa atividade de trabalho é significativa.
aqueles que compartilham frequentemente conteúdos de forma amadora e sem
oneração, assim como aqueles que realizam essa produção como uma profissão,
buscando maneiras variadas de serem remunerados nesse meio. Alguns recebem
dinheiro diretamente das plataformas, outros são remunerados indiretamente em
virtude da venda de assinaturas ou por meio da divulgação de produtos e marcas. A
partir dessa pluralidade, o trabalho de criação de conteúdo pode ser entendido como
uma atividade intelectual de trabalho composta por práticas diversas que são criativas,
comunicativas e relacionais (Rota, 2021).
Estudos recentes sugerem uma crescente preocupação acerca da precarização
e da saúde mental dos criadores de conteúdo (Duffy et al., 2021; Duffy & Sawey, 2022;
Karhawi & Prazeres, 2022). Karhawi & Prazeres (2022) argumentam que as
consequências psíquicas desse trabalho estão relacionadas ao que denominam
“exaustão algorítmica”. Segundo elas, os sentimentos de sofrimento decorrem do
ritmo de trabalho imposto pelos algoritmos. O “medo de penalização do algoritmo”, a
“sensação de ser escrava do algoritmo”, a “culpa por não dar conta”, e as mudanças
constantes e unilaterais nas “regras do jogo” são apontados como fatores vinculados
a um estado de esgotamento vivido por influenciadores digitais (Karhawi & Prazeres,
2022).
Bentes (2021) declara que a interface das plataformas tanto do Instagram quanto
das demais redes sociais são essencialmente constituídas por mecanismos de
avaliação quantitativos de curtidas, seguidores, visualizações e comentários.
Silvestre (2018) observou que apenas uma pequena parcela de quem trabalha com a
criação de conteúdo consegue alcançar a tão almejada visibilidade. Recorrendo a um
discurso de “espírito empresarial”, muitas pessoas têm sido nutridas pelos aspectos
sedutores desse trabalho: as recompensas monetárias e a fama. Neste contexto de
trabalho, prevalece um discurso de que “as chances de projeção midiática estão
acessíveis a qualquer um, na ponta dos dedos e com custos cada vez mais
‘democratizados’” (Silvestre, 2018, p. 155). Todavia, como observa Silvestre (20218),
o dito sucesso advindo dessa profissão demanda uma dedicação que, muitas vezes,
compromete a saúde mental desses indivíduos (Silvestre, 2018).
Duffy e Wissinger (2017) observaram que a despeito das narrativas do trabalho
prazeroso, divertido, livre e autêntico, o trabalho de criação de conteúdo em mídias
sociais revela uma realidade bem diferente, escondendo demandas por trabalho
emocional, autopromoção, e a constante permanência no estado de modo
empreendedor.
Em face do processo de tecnificação do trabalho plataformizado, buscamos
aprofundar o conhecimento sobre a dinâmica de prazer e sofrimento no trabalho de
criação de conteúdo em plataformas de mídias sociais. Na próxima seção,
apresentamos os procedimentos metodológicos que caracterizam nossa investigação
empírica.
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Metodologia
A fim de atingir o objetivo do presente trabalho, foi realizada uma pesquisa com
estratégia qualitativa. Considerando que a criação de conteúdo digital é vastamente
estudada sob a ótica do Marketing e poucos trabalhos encaminharam suas pesquisas
à área dos Estudos Organizacionais, especialmente no que concerne às vivências de
prazer e sofrimento, esse estudo tem caráter exploratório.
Para a coleta dos dados primários, foram aplicadas entrevistas em profundidade
com quatro criadores de conteúdo em mídias sociais. Ainda que a Psicodinâmica do
Trabalho seja compreendida como uma clínica do trabalho, um “espaço da fala e da
escuta, do sofrimento que tem origem na realidade concreta da organização do
trabalho, permitindo aos trabalhadores a reconstrução da sua capacidade de pensar
e de criar estratégias defensivas eficazes” (Avila, 2021. p. 98); na presente
investigação, utilizamos tal abordagem apenas como aporte teórico. Como Avila
(2021) argumenta, embora a PdT conduza os pesquisadores a um método científico
específico, a concepção de Dejours não é escrava a tal procedimento.
A seleção dos sujeitos entrevistados foi orientada pela estratégia de seleção por
conveniência, considerando tanto a disponibilidade quanto a aderência dos criadores
de conteúdo digital. Inicialmente, os contatos foram estabelecidos com produtores de
conteúdo pertencentes à rede de relacionamentos dos autores, o que facilitou a
aproximação inicial. Essas primeiras conexões ocorreram por meio de mensagens
diretas via WhatsApp. Posteriormente, visando ampliar a diversidade do grupo, foram
enviados convites por e-mail e mensagens em redes sociais, como no Instagram, a
nove produtores de conteúdo que não integravam a rede pessoal dos pesquisadores.
Esse processo de seleção, no entanto, revelou-se um dos principais desafios da
pesquisa. Observou-se a existência de barreiras para o acesso a esses profissionais,
tanto pela demanda de trabalho que enfrentam quanto por certa resistência em
participar de investigações acadêmicas. Dentre os contactados fora da rede dos
autores, parte deles não respondeu aos convites, um deles recusou explicitamente
por desinteresse, e outro alegou indisponibilidade para participar. Ao final, dos 14
criadores de conteúdo contactados, apenas quatro aceitaram participar do estudo. As
entrevistas foram conduzidas entre os meses de junho a novembro de 2022.
Quanto à realização das entrevistas, a pesquisa contou com um roteiro de
perguntas semiestruturadas a fim de se explorar as seguintes temáticas: como se
tornaram criadores de conteúdo, as vivências de prazer e sofrimento no trabalho de
produção de conteúdo, bem como reconhecer os principais aspectos dos seus modos
de organizar o trabalho, especificamente: divisão do trabalho, espaço de trabalho,
jornada de trabalho, volume de produção, remuneração, pausa e férias. As entrevistas
foram conduzidas como conversas orientadas para o aprofundamento de temas
relevantes para o estudo. Neste sentido, alguns tópicos e temas emergentes foram
investigados e aprofundados com perguntas que não estavam originalmente no roteiro
semiestruturado.
Durante as entrevistas, no que se refere à saturação dos dados, adotou-se uma
abordagem por recorrência temática. Durante as entrevistas, os pesquisadores
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observaram que os relatos começaram a apresentar conteúdos similares, com
variações pouco significativas. Esse indicativo de redundância guiou o encerramento
das entrevistas. Em duas ocasiões, durante o processo de transcrição das entrevistas,
foi necessário retomar o contato com os entrevistados para esclarecimentos e
complementações, realizado através de mensagens via WhatsApp, o qual foi o modo
de contato que os criadores de conteúdo preferiram para esclarecer dúvidas ao invés
de agendar nova entrevista. As quatro entrevistas contabilizaram 4 horas, 6 minutos
e 18 segundos, rendendo 71 páginas de transcrição das gravações.
Compreendendo a importância da triangulação e a construção de uma base de
dados ampla, os dados provenientes das entrevistas foram complementados por uma
coleta de dados secundários acessados diretamente nos perfis públicos dos
participantes em suas redes sociais. Em um total de 864 publicações dos 4 criadores
de conteúdo, foram observados elementos relacionados à dinâmica e à intensidade
do trabalho, tais como frequência de postagens, horários de publicação e conteúdos
divulgados. Essa estratégia permitiu confrontar os relatos dos entrevistados com a
prática cotidiana observável em seus perfis.
Os dados obtidos foram analisados conforme os protocolos da análise
qualitativas recomendados na literatura especializada (Ritchie & Lewis, 2003;
Silverman, 2006; Bryman e Bell, 2017). Adotou-se a análise qualitativa de conteúdo,
conforme proposta por Bryman e Bell (2017), que a descrevem como uma estratégia
fundamental para a busca de temas subjacentes nos materiais analisados. A partir
dessa abordagem, os dados foram organizados em categorias construídas de forma
indutiva. Inicialmente, foi realizada uma leitura flutuante das transcrições das
entrevistas, o que possibilitou a identificação de um conjunto amplo de códigos de
primeira ordem, oriundos de palavras-chave recorrentes, expressões significativas e
sentidos atribuídos pelos participantes às suas experiências laborais.
Esses códigos iniciais, no entanto, mostraram-se excessivamente específicos e,
em alguns casos, mais de uma palavra descrevia o mesmo fenômeno. Com isso,
partimos para uma segunda rodada de leitura e codificação. Desta vez com o objetivo
de revisar esses códigos, assim como propõem Bryman e Bell (2017), buscando
alinhamento direto com a pergunta de pesquisa: como se dão as vivências de prazer
e sofrimento no trabalho de criação de conteúdo digital em face do processo de
tecnificação do trabalho?
A partir disso, as categorias primárias foram sendo elaboradas no sentido de
sintetizar e expressar as características e nuances da dinâmica de prazer e sofrimento
na produção de conteúdo em mídias sociais. Na sequência, foi realizado um trabalho
de interpretação e síntese dessas categorias com base na articulação entre elas,
considerando os contextos narrativos das entrevistas e as relações de sentido que
emergiram. Esse processo permitiu a organização das categorias primárias em
categorias secundárias, mais abrangentes e representativas dos temas centrais do
estudo. Em uma etapa seguinte, percebemos que as categorias de segunda ordem
eram consistentes com a relação de prazer e sofrimento no trabalho como aponta a
literatura especializada. Esse processo de codificação é exemplificado no Quadro 1 a
seguir:
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Quadro 1: categorização dos códigos
Códigos (exemplos)
Categorias
de primeira
ordem
Categorias
de
segunda
ordem
Dimensões
temáticas
“Tem um cara que me mandou mais
de cem e-mails [...] Tinha dia que ele
me mandava 20 e-mails no dia. Ele
me manda um monte de foto dele.
Esses dias, ele me mandou um vídeo
íntimo dele” (Criadora de Conteúdo 1).
Comentários
agressivos; e-
mails
inoportunos,
assédio
Violência
Digital
Vivências
de
Sofrimento
“eu posto, posto, posto e daí, tipo, não
performa, daí você vai entrando numa
bola de neve de frustração” (Criador
de Conteúdo 2).
Desempenho;
Angústia;
Frustração.
Ansiedade
“dependendo da publicidade, eu
contrato alguém pra filmar,
normalmente, sempre quem edita sou
eu. [...] nunca é só vestir uma roupa
pra tirar foto, é fazer a maquiagem, é
escolher o cenário, é escolher a
roupa…” (Criadora de Conteúdo 4).
Profissional
multitarefas
Excesso
de trabalho
“eu adoro saber que as pessoas, de
fato, ficaram felizes com aquilo que eu
escrevi, que eu fiz, que eu desenhei,
que pus online. Juro pra você que eu
fico emocionada. Não sei se você tem
noção da quantidade de pessoas que
falam com a gente. São milhares”
(Criadora de Conteúdo 3).
Interação,
engajamento
Reconheci
mento do
público
Vivências
de Prazer
“quando as pessoas realmente fazem
o que eu ensino. No meu caso,
gastronomia. Então, quando a pessoa
faz, manda mensagem, fala “meu filho
não comia e agora tá comendo
legume”, acho que isso é o principal,
que é o efeito direto, né?” (Criador de
Conteúdo 2).
Propósito,
impacto
Impacto
Social
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“agora eu tô economizando pra
comprar o meu próprio apartamento.
Então, esse é o objetivo agora [...]
conseguir estar num apartamento
maior, mas daí que seja meu, por
enquanto, ele é alugado” (Criadora de
Conteúdo 1).
Perspectiva de
adquirir bens
Oportunida
de de
Renda
Fonte: Elaboração própria (2025)
Para auxiliar na organização dos dados, utilizamos o software Atlas.ti como uma
ferramenta de apoio para reunir as transcrições, salvar os códigos criados e agrupá-
los. Como parte do processo de validação e amadurecimento das análises,
apresentamos versões preliminares dos achados em eventos acadêmicos. A
participação em congressos foi fundamental para confrontar nossas interpretações
com as de outros pesquisadores da área, o que contribuiu significativamente para o
refinamento das categorias e para o rigor, credibilidade e consistência do processo de
análise dos dados. A partir desse percurso analítico, foi possível consolidar seis
categorias secundárias: três relacionadas às Vivências de Sofrimento e três às
Vivências de Prazer, conforme apresentado na Figura 1.
Figura 1: Vivências de Prazer e Sofrimento no Trabalho de Criação de Conteúdo
Fonte: Elaboração própria (2025)
Perfil dos entrevistados
A expressiva densidade e complexidade dos dados obtidos permitiu
compreensão aprofundada do fenômeno investigado. As narrativas dos participantes
revelam aspectos importantes das vivências de prazer e sofrimento no trabalho com
mídias sociais, corroborando com elementos já discutidos na literatura de Christophe
Dejours. Além disso, os dados adicionam contribuições importantes para esse campo
teórico, principalmente ao evidenciar particularidades do trabalho digital, da mediação
algorítmica nas plataformas, e das vivências de prazer e sofrimento no trabalho de
produção de conteúdo.
O Quadro 2 apresenta o perfil de cada um dos criadores de conteúdo estudados,
informando suas idades, seus segmentos de produção de conteúdos, as principais
mídias sociais em que atuam e suas respectivas quantidades de seguidores ou
usuários inscritos em seus perfis.
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Quadro 2: perfil dos criadores de conteúdo estudados
Criadores
Segmento do
conteúdo
Mídias Sociais
Quantidade de
seguidores/inscritos
Criadora
01
Jogos
eletrônicos
Twitch
54,7 mil
Instagram
11 mil
Criador
02
Gastronomia
TikTok
350,3 mil
Instagram
333 mil
YouTube
22,3 mil
Criadora
03
Saúde
Instagram pessoal
88,6 mil
Instagram da
marca
285 mil
YouTube
3,34 milhões
Facebook
1,1 milhões
Pinterest
315,7 mil
Criadora
04
Moda
Instagram
12 mil
Fonte: Elaboração própria (2023)
A Criadora de Conteúdo 01 é uma streamer da Twitch, onde faz,
principalmente, transmissão de jogos eletrônicos há 2 anos. Explicou que desde a
infância dedica bastante tempo do seu dia aos jogos. Considerando essa prática e a
fase inicial da pandemia, a qual se encontrava em um quadro de depressão, contou
que resolveu ligar a câmera e transmitir suas partidas com mais pessoas através da
internet.
Contou que não teve muito planejamento a princípio, pois o objetivo principal era
arrecadar doações para uma catástrofe que havia acontecido no seu estado natal. Já
no primeiro mês, teve um bom retorno financeiro e viu ali um potencial tipo de trabalho.
Estava no seu primeiro ano de faculdade e o valor recebido era superior a uma
bolsa de estágio nas suas áreas de estudo. Incentivada por um amigo, começou a
dividir o dinheiro que recebia na plataforma: uma parcela continuava indo para as
doações e uma parte passou a retirar como remuneração.
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Na Twitch, o perfil da Criadora de Conteúdo 01 ultrapassa os 50 mil seguidores.
Possui também uma conta no Instagram com cerca de 11 mil seguidores, além de um
canal no YouTube com 707 inscritos. Porém, comentou que não é habituada a essa
última.
Visitando o perfil da streamer, observa-se que em um período de dois meses,
51 transmissões salvas no canal, sendo a mais visualizada uma de 4 horas de duração
com 4,4 mil visualizações. No Instagram, há 28 publicações no feed.
O Criador de Conteúdo 02 é produtor de conteúdo gastronômico desde 2017,
atuando, principalmente, nas plataformas do TikTok, Instagram e YouTube. Possui 30
anos e é formado em Engenharia de Produção. Trabalhou por oito anos na indústria
e no mercado financeiro até começar a criar conteúdo para as mídias sociais.
Em 2015, ao se mudar para São Paulo a trabalho, teve que aprender a cozinhar,
e foi nesse período que tomou gosto por tal atividade. Infeliz no mundo corporativo,
começou a planejar uma mudança de carreira. Em 2017, criou um perfil de receitas
no Instagram e, em 2018, incentivado pelos amigos, participou de um reality show de
gastronomia, quando finalmente mudou de profissão e tornou-se cozinheiro.
A princípio, trabalhou em eventos e restaurantes, mas percebeu que seu negócio
era produzir conteúdo digital. Focou em aprender a utilizar as redes sociais e, em
2019, passou a compreender a produção de conteúdo como sua profissão.
Atualmente, afirma utilizar as redes sociais como ferramentas para ensinar às pessoas
como cozinhar é fácil, prático e prazeroso.
No Instagram, o Criador de Conteúdo 02 possui 333 mil seguidores e 1106
publicações. No TikTok, seu perfil conta com 350,3 mil seguidores e os 261 vídeos
publicados somam 3,7 milhões de curtidas. no YouTube, há 241 vídeos publicados
e 22,3 mil inscritos.
Ao visitar o perfil do entrevistado no Instagram, contabilizou-se 197 publicações
no ano de 2022, sendo a maioria delas vídeos de receitas, uma média de 4 vídeos por
semana. No TikTok, observou-se que são publicados os mesmos vídeos que nas
demais, no entanto, versões editadas, com o tempo reduzido. No YouTube, uma
frequência menor de publicações, no ano de 2022, foram publicados 41 vídeos.
A Criadora de Conteúdo 03 é fundadora de um dos portais de saúde mais
acessados no Brasil. Possui 43 anos, é nutricionista e atuou na área por 15 anos.
Começou a produzir conteúdo digital em 2007 ao engravidar do primeiro filho. Na
época, precisou parar de realizar consultas, pois tratava-se de uma gravidez de risco.
Naquele momento, a produção de conteúdo representou um meio de se sentir útil e
de ocupar a mente. Iniciou escrevendo e compartilhando seus conhecimentos na
internet sobre alimentação e gravidez. Aos poucos, disse que foi se sentindo
responsável por informações de qualidade no meio digital.
O Instagram da sua marca possui 285 mil seguidores e 3.231 publicações, o
perfil pessoal da criadora de conteúdo contabiliza 88,6 mil seguidores e 138
publicações. No YouTube da empresa, são 3,34 milhões de inscritos e 507 vídeos ao
total.
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No ano de 2022, seu site contabilizou 3.452 artigos publicados, cerca de 9
postagens por dia, enquanto no Instagram foram feitas 349 publicações e, no
YouTube, foram enviados 29 vídeos ao longo desse mesmo ano.
O site apresenta conteúdos diversos sobre saúde, produzidos por especialistas
de diferentes áreas que adentraram na equipe ao longo dos anos. Afirmou que conta
com 18 membros na equipe, incluindo profissionais de saúde, programador e câmera.
Atualmente, sua empresa é reconhecida e presente no Instagram, YouTube,
Facebook, Twitter e Pinterest.
Explicou que, em geral, encontra-se em posição de gerenciamento da equipe de
produção, no entanto, no caso do YouTube, ainda participa diretamente do processo
de criação do conteúdo, pois acredita que sua imagem é muito importante para a
credibilidade do público na plataforma. Na maioria dos vídeos, a criadora de conteúdo
está presente falando sobre alimentos e hábitos alimentares.
A Criadora de Conteúdo 04 possui 34 anos, é publicitária, modelo, professora
de dança do ventre e produtora de conteúdo de Moda no Instagram desde 2019. Dos
entrevistados para a presente pesquisa, é a única que, atualmente, não trabalha
exclusivamente com a criação de conteúdo em mídias sociais.
Explicou que já trabalhava com a criação de conteúdo digital, porém na área de
Comunicação de uma empresa, como Social Media. Em 2019, quando saiu deste
trabalho, começou a ser contratada pelas marcas de roupas para fazer algumas fotos,
uma vez que fazia publicações sobre moda em seu Instagram pessoal e suas
seguidoras costumavam perguntar sobre os looks e pedir dicas.
Com 12 mil seguidores no Instagram, a criadora de conteúdo compartilha
experiências da vida pessoal e dicas sobre Moda Midsize, termo que engloba roupas
para manequins de numeração 40 a 48. Seu Instagram apresenta alguns quadros,
dentre eles, o “Na Modelo versus Na Midsize”, em que a produtora escolhe uma foto
de um catálogo e vai até a loja experimentar a mesma roupa em seu corpo para
comparar.
No ano de 2022, a modelo publicou 239 conteúdos no feed do seu Instagram,
cerca de 4 a 5 postagens por semana, alternando entre vídeos e fotos, a maioria
mostrando seus looks.
A seguir, tem-se a análise dos dados coletados.
Análise dos resultados
Vivências De Sofrimento Na Criação De Conteúdo Digital
Os resultados das entrevistas indicam que vivências de sofrimento são
recorrentes no trabalho dos criadores de conteúdos estudados. Estas podem ser
reconhecidas como vinculadas a três categorias principais: i) violência digital, ii)
ansiedade, e iii) excesso de trabalho.
A violência nas redes sociais digitais foi apontada como uma importante causa
de sofrimento, principalmente entre as criadoras de conteúdo mulheres. A Criadora de
Conteúdo 01 contou que recebeu uma série de e-mails inconvenientes, incluindo
oferta de dinheiro em prol de fotos íntimas: “Tem um cara que me mandou mais de
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cem e-mails, [...] E tem algumas coisas absurdas”. Relatou, também, que teve
vídeos seus recortados com falas descontextualizadas sendo viralizados no YouTube.
Contou que essas situações resultantes da grande exposição da sua imagem lhe
causam insegurança e medo, ressaltando que isso é recorrente com mulheres nesse
meio: “por ser mulher, você fica mais exposta, parece. Porque qualquer pessoa pode
falar o que quiser sobre você”. A criadora de conteúdo 01 relatou também ter passado
por ataques de pânico: “eu tive um ataque de pânico antes de abrir a live, comecei a
chorar, [...]”.
A Criadora de Conteúdo 04 afirmou que também se incomoda com comentários
inconvenientes e agressivos em seu perfil do Instagram. A produtora de conteúdo
acredita que muitos usuários das mídias sociais se sentem no direito de fazer qualquer
tipo de comentário em perfis blicos e entende que os criadores precisam criar certas
barreiras para tentar evitar essas indiscrições: “aconteceu comigo de ter uma
seguidora anti-vacina, anti-tudo que ficava respondendo as minhas coisas e eu
só…deixei ela lá falando sozinha [...]”.
A análise dos dados evidenciou também vivências de sofrimento associadas a
sentimentos recorrentes de angústia e frustração no trabalho com mídias sociais. A
angústia manifesta-se diante da necessidade constante de monitorar e aprimorar o
desempenho das publicações. a frustração surge quando, apesar do esforço
investido, os resultados esperados não são alcançados. Observou-se, assim, que
essas experiências associadas acabam gerando vivências de ansiedade vinculadas à
pressão por “fazer dar certo”, ou seja, alcançar um desempenho satisfatório nas
plataformas.
De acordo com a Criadora de Conteúdo 03, “fazer ter que dar certo é uma tensão
muito grande durante toda a semana”. Fato também reconhecido pelo Criador de
Conteúdo 02: “o que eu mais sentia era tipo uma angústia, tá? [...] angústia de querer
fazer dar certo e as coisas não davam e meio que o futuro incerto né”. Segundo o
entrevistado, o período quando começou a trabalhar com as mídias sociais foi o mais
angustiante, uma vez que não possuía um formato que chamou de “ideal”. Buscar um
modelo que fosse satisfatório e apresentasse bom desempenho foi cansativo e
frustrante:
[...] eu entrei nessa época, em um looping, assim, de “cara, preciso tentar o máximo”. [...] Eu
postava três vídeos por semana. E, cara, eu posto, posto, posto e daí, tipo, não performa, daí
você vai entrando numa bola de neve de frustração (CRIADOR DE CONTEÚDO 02).
Os resultados do estudo sugerem também que o sentimento de angústia no
trabalho está relacionado com a ausência de clareza sobre a lógica de funcionamento
do algoritmo. Ou seja, na mesma em que se impõe aos criadores de conteúdo a
necessidade de fazer uma publicação “dar certo”, isto é, ter um bom desempenho,
não há clareza por parte das plataformas de mídias sociais sobre o funcionamento do
algoritmo, como, por exemplo, sobre como funciona a gica de distribuição do
conteúdo aos usuários, ou as métricas de desempenho. Isso potencializa o sentimento
de angústia, frustração e ansiedade em relação ao trabalho. Como observou a
Criadora de Conteúdo 03:
O Google não diz quais o os algoritmos, o YouTube não conta quais são as métricas deles,
nada, nenhuma rede social abre o jogo [...]. ultimamente o YouTube mudou algoritmos e nos fez
comer o pão que o diabo amassou. A gente faz, se esforça da mesma forma, mas os vídeos têm
uma performance pior (CRIADORA DE CONTEÚDO 03).
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A Criadora de Conteúdo 01 mencionou que voltou a ter ansiedade por ser
pressionada a produzir o máximo de conteúdo possível para redes sociais em alta,
ainda que não tivesse afinidade por eles:
[...] a ansiedade voltou esse ano por conta dessa questão do time que eu fui contratada, esse
time, agora, [...] quer que eu vire instagramer, tiktoker e etc., e não era uma coisa que eu queria
(CRIADORA DE CONTEÚDO 01).
O Criador de Conteúdo 02 mencionou que decidiu voltar a fazer terapia em
virtude de uma soma de fatores, mas principalmente, em razão do trabalho. Percebeu
no processo terapêutico que as angústias estavam associadas às demandas do
trabalho com mídias sociais. Em suas palavras:
[...] eu tava com muita angústia de querer fazer dar certo e as coisas não davam e meio que o
futuro incerto né, [...] a terapia me ajudou, hoje, olhando pra trás, reconheço que eram sintomas
não só de produção de conteúdo, mas de empreendedorismo como um todo [...] (CRIADOR DE
CONTEÚDO 02).
As vivências de sofrimento na criação de conteúdo também se vinculam ao
excesso de trabalho. A exaustão é nitidamente percebida pela quantidade de horas
que os criadores dedicam à produção, pelas diferentes atividades que essa profissão
demanda, pelas queixas de não conseguir descansar, pelas lamentações de não ter
tempo para a família e amigos, bem como pelas alterações no sono. A Criadora de
Conteúdo 01 relatou que fica em média 5 horas ao vivo nas lives, além de dedicar
cerca de 7 horas diárias para planejamento, estudos e produção de outros conteúdos.
A Criadora de Conteúdo 03 afirmou ter uma rotina muito intensa, queixando-se que
chega a trabalhar em período contraturno devido às reuniões com pessoas de fusos
horários distintos. Quando questionada sobre a possibilidade de parar, respondeu:
"[...] se eu consigo parar? Não, quem me para é o cansaço" (CRIADORA DE
CONTEÚDO 03).
Foi observado que a excessiva jornada de trabalho está relacionada à
necessidade do produtor ser um profissional multitarefas. Mesmo a Criadora de
Conteúdo 03, que possui a maior equipe de trabalho, e a Criadora de Conteúdo 01,
que tem o auxílio de uma agência, apresentaram queixas sobre as diversas atividades
que operam e se responsabilizam nessa profissão.
Diante disso, os entrevistados foram questionados sobre os momentos de pausa
e as férias e suas respostas demonstraram que há uma grande dificuldade em limitar
o trabalho em suas rotinas. Lamentou-se, inclusive, sobre a falta de tempo com a
família e os amigos: “alguém me fala assim ‘fulana, quando você tiver tempo, passa
aqui’, eu falo ‘meu amigo, não, me diz quando é que eu passo aí, porque eu não tenho
[tempo], essa frase não cabe na vida’. ‘Quando você tiver tempo’ não tem, né?”
(Criadora de Conteúdo 03). A entrevistada refletiu, ainda, sobre o tempo que dedica
aos filhos e o prejuízo que essa falta lhe causa:
[...] a minha maior dor e sofrimento talvez seja o tempo de não ter passado o tempo que eu queria
com os meus meninos. [...] se eu tiver algum sofrimento associado a tudo isso é o tempo que eu
não dediquei aos meus meninos (CRIADORA DE CONTEÚDO 03).
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O impacto das vivências de sofrimento na saúde física dos criadores de
conteúdo, ficou evidente nas alterações de sono apontadas por todos os
entrevistados. A esse respeito, a Criadora de Conteúdo 01 afirmou: "agora,
tentando dormir mais, porque tinha uma época que eu tava dormindo 4 horas por dia".
Para o Criador de Conteúdo 02, seu perfil ansioso, vinculado à dinâmica de trabalho
na rede, refletiu em distúrbios do sono. De forma similar, a Criadora de Conteúdo 04
relata ter dificuldade para dormir e costuma acordar no meio da noite pensando nos
conteúdos que poderia criar.
Na medida em que os resultados do estudo evidenciam vivências de sofrimento
no trabalho de criação de conteúdo em mídias sociais, também indicam que este
produz vivências de prazer. É o que consideramos a seguir.
Vivências De Prazer Dos Criadores De Conteúdo Digital
A análise dos dados permitiu reconhecer três categorias principais de prazer no
trabalho de produção de conteúdo nas redes sociais:
a) reconhecimento do público;
b) impacto social, e
c) oportunidade de renda.
De acordo com os criadores de conteúdo estudados, prazer no
reconhecimento público, em ser admirado. Consideram que esse tipo de
reconhecimento público é uma forma de compensação viciante. A Criadora de
Conteúdo 03 explicou que ao publicar um conteúdo, na mesma hora, fica na
expectativa de analisar as métricas de engajamento; quando estas são boas, isso lhe
dá prazer e estimula a produzir mais: “Eu encontro compensações. E o problema [...]
é que a compensação vicia [...] Você lança o vídeo e você quer ver os números dos
likes, você quer ver se rolou, você quer ver os comentários”.
Vinculado ao reconhecimento, identificou-se também o prazer pela interação
direta do criador de conteúdo com o seu público. A Criadora de Conteúdo 01 afirmou
que conversar com pessoas de diferentes lugares é o que mais gosta nesse trabalho.
Explicou que chega a criar vínculos com seu público de tal forma que ambas as partes
sentem falta dos bate-papos quando não realiza alguma live.
O que eu mais gosto do trabalho é a interação [...] Você conversa com muita
gente. Tem gente de fora. [...] Tem gente que mora no Japão. [...] na minha live,
o que eu mais prezo é essa interação. De conversar com o pessoal (CRIADORA
DE CONTEÚDO 01).
Também foi observado como fonte de prazer o potencial impacto social que o
trabalho de criação de conteúdo produz. Os criadores mencionaram situações em que
perceberam o impacto dos seus conteúdos no público e como isso provocou diferentes
emoções positivas. Conforme o Criador de Conteúdo 02, o seu esforço é compensado
em ver alguém cozinhando uma receita que ele ensinou no seu perfil: “cara, se [...] eu
ensino alguma coisa no Instagram e a pessoa no mesmo dia já faz na casa dela e já
me mostra, pra mim, me dá uma satisfação”. As Criadoras de Conteúdo 03 e 04
mencionaram relatos de seguidores compartilhando o impacto dos seus conteúdos:
[...] o indivíduo me mandou mensagem, [...] e disse “você não faz ideia da
quantidade de dicos que eu fui, eu nunca, todos eles mandaram eu fazer
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bariátrica, eu emagreci não sei quantos quilos em tantos meses, a minha
autoestima foi pra cima, não sei o que”, sabe? (CRIADORA DE CONTEÚDO 03).
[...] você receber mensagem de uma pessoa que fala assim “poxa, eu nunca
tinha usado um biquíni na minha vida”, e aí, “eu comprei um biquíni igual ao que
tu postou a foto porque eu pensei ‘nossa, ela ficou tão linda com o biquíni, eu
comprar esse biquíni’ e eu usei o biquíni”, é muito legal, é muito, muito… eu
nunca imaginei isso (CRIADORA DE CONTEÚDO 04).
Reconheceu-se, por último, como uma fonte de prazer dos criadores a
oportunidade de renda. O Criador de Conteúdo 02 relatou sobre a importância de
ser remunerado para se caracterizar como uma profissão: “o dinheiro tem que entrar,
né? É uma profissão. Profissão e você tem que ser remunerado. Se não, não existe
trabalho”. Entretanto, é importante ressaltar, que essa remuneração não
necessariamente vem das plataformas, estas são espécies de vitrines para que os
criadores divulguem seus trabalhos e consigam prospectar marcas patrocinadoras,
por exemplo. Neste sentido, o trabalho de produção de conteúdo se fundamenta como
oportunidade de renda. Como observou o Criador de Conteúdo 02: “Hoje, eu só tenho
essa paz porque hoje eu tenho contratos longos que me pagam fixo… e o dinheiro
entra”.
Nesse mesmo sentido, a Criadora de Conteúdo 03 demonstrou a satisfação em
ser remunerada por empresas parceiras e patrocinadoras, proporcionando a
viabilidade do seu negócio. Além disso, para ela, a produção de conteúdo nas redes
sociais é uma forma de dar visibilidade ao seu site, e por meio deste, alavancar
oportunidades de renda. É com esse tipo de renda que a criadora de conteúdo diz ser
capaz de remunerar sua equipe: “a forma que a gente decidiu trabalhar, entra muito
dinheiro, dessa forma, é suficiente para gerir o negócio bem à vontade, e pra
garantir, e para sustentar as outras redes, as equipes todas”.
Os resultados do estudo indicam que o trabalho de produção de conteúdo em
mídias sociais se desenvolve numa dinâmica de prazer e sofrimento. Ou seja, nem só
prazer, nem só sofrimento. Além disso, os resultados do estudo permitem reconhecer
que a mediação algorítmica da plataforma tem papel central na forma como essa
dinâmica se desenvolve. Isto porque, o desempenho do trabalho é mediado
tecnicamente pelos algoritmos da plataforma sem que os criadores de conteúdo
tenham clareza sobre seu funcionamento. A ausência de clareza sobre o
funcionamento dos algoritmos imputa uma dinâmica de incerteza, constante mudança,
e imprevisibilidade em relação ao trabalho, fato que impacta diretamente a dinâmica
de prazer e sofrimento neste trabalho. É o que discutimos na próxima seção.
Discussão
Na medida em que trabalho em plataformas digitais é um fenômeno social
recente, nosso estudo traz importantes contribuições tanto para o campo da
investigação sobre trabalho plataformizado, como para o melhor entendimento sobre
as dinâmicas de prazer e sofrimento neste contexto.
Primeiro, nosso estudo amplia o conhecimento sobre o trabalho plataformizado
para um contexto ainda pouco conhecido na pesquisa em administração: o trabalho
em plataformas de mídias sociais. A relevância das mídias sociais enquanto um
espaço de trabalho é crescente e significativa. Diferente de outros tipos de trabalho
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plataformizado, como, por exemplo, nas plataformas de serviços sob demanda (e.g.
Uber e iFood), e que representam o foco da maioria dos estudos sobre trabalho
plataformizado (Albarello et al., 2025; Santos et al., 2022; Abilio, 2019; Siqueira et al.,
2024; Maciel et al., 2024), o trabalho em plataformas de mídias sociais tende a ser
caracterizado pelo mito do trabalho perfeito, livre, independente, flexível e divertido
(Duffy & Wissinger, 2017). Assim, teria a seu favor a possibilidade de entregar ao
trabalhador (criador de conteúdo) o reconhecimento e a fama das celebridades, a
autonomia e a liberdade para fazer o que gosta, e ainda ser bem pago para isso.
Nosso estudo aponta para uma realidade bem menos auspiciosa. Diferente do que
tipicamente se apresenta na mídia de massa, nosso estudo apresenta evidências de
que o trabalho de criação de conteúdo se desenvolve numa dinâmica de prazer e
sofrimento como já reconhecido em outros tipos de trabalhos plataformizados (Maciel
et al., 2024) e não plataformizados (Areosa, 2019).
Segundo nosso estudo indica que a violência digital, a ansiedade e o excesso
de trabalho são pontos centrais nas vivências de sofrimento entre criadores de
conteúdo. Estas vivências constituem fontes potenciais de adoecimento e problemas
psicológicos entre esses trabalhadores. Nessa direção, nosso estudo corrobora os
achados de Karhawi e Prazeres (2022) que observaram que problemas psicológicos
relatados por influenciadores digitais se relacionam com o que definem como
‘exaustão algorítmica’, ou o sentimento permanente de insatisfação, desânimo e
esgotamento, ausência de criatividade, medo de penalidades das plataformas e de
‘não dar conta’. Niederauer e Maggi (2024) em investigação com 6 criadores de
conteúdo para o YouTube, evidenciaram que para estes trabalhadores, a falta de
transparência, a imprevisibilidade e a volatilidade dos algoritmos, resultam em
prejuízos à saúde mental dos trabalhadores. Nosso estudo oferece evidências para o
reconhecimento que características do trabalho de criação de conteúdo se relacionam
com um estado psicológico de ansiedade. Este, vinculado principalmente com as
dinâmicas de desempenho definidas unilateralmente pelas plataformas, e que não são
claramente conhecidas pelos criadores de conteúdo. Nestes termos os resultados do
nosso estudo também corroboram os achados de Duffy e Sawey (2022) ao
observarem que a precariedade das experiências de trabalho dos criadores digitais se
relaciona com a imprevisibilidade das plataformas e seus algoritmos. No que tange à
relação entre sofrimento e violência digital, Silva (2018) observou que uma das
características da Comunicação Mediada por Computadores (CMC) é a supremacia
do anonimato, com isso, brechas nos mecanismos de privacidade acabam facilitando
discursos de ódio e intolerância, principalmente contra mulheres. Este
reconhecimento corrobora as observações de Soto e Sánchez (2019) quando afirmam
que embora a internet facilite a inserção de mulheres em espaços ocupados
majoritariamente por homens, o poder patriarcal e a violência contra as mulheres
continuam se fazendo presentes, apenas deslocados do corpo físico para o contato
virtual, mas gerando consequências igualmente nocivas.
Em terceiro lugar, e diferente dos estudos que enfatizam os aspectos negativos
e precarizantes do trabalho em mídias sociais, nosso estudo indica que este trabalho
também envolve prazer. Ao reconhecer que o trabalho de criação de conteúdo, não
envolve apenas sofrimento, mas também prazer, corroboramos o entendimento de
Dejours (1992) e outros estudos sobre a Psicodinâmica do Trabalho conduzido em
organizações tradicionais e industriais (Avila, 2021; Carrasqueira & Barbarini, 2010).
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Ou seja, enquanto este produz vivências de sofrimento, também produz vivências de
prazer, especificamente: reconhecimento, impacto social e oportunidade de renda.
Em quarto lugar, e mais importante do que o simples reconhecimento que o
trabalho envolve prazer e sofrimento, como observa Dejours (1992), a chave da
questão é como a organização do trabalho possibilita (ou não) a transformação do
sofrimento em prazer. Para Dejours essa dinâmica é essencial para a manutenção da
saúde mental do trabalhador, e para que o mesmo não entre em colapso (Areosa,
2019). Dejours denunciava que, no capitalismo contemporâneo, a destruição do
coletivo no trabalho aumenta vivências de sofrimento. Nosso estudo sugere que no
caso do trabalho de produção de conteúdo em mídias sociais a possibilidade de
transformação de vivências de sofrimento em prazer ganha complexidade na medida
em que os resultados do trabalho são mediados pelos algoritmos da plataforma, e
sem que os trabalhadores tenham acesso, gerência e clareza sobre seu
funcionamento (Duffy et al., 2021; Karhawi & Prazeres, 2022). Deste modo, uma
publicação com baixo desempenho de visualização e distribuição, por exemplo, tende
a ser compreendida como uma “falha pessoal”, ainda que o baixo desempenho possa
ter sido ocasionado por razões unilateralmente definidas pela plataforma, uma
penalização ou outro fator aos quais o criador de conteúdo o tem acesso, ou
clareza.
Este reconhecimento sugere que ao contrário da dinâmica estabelecida em
espaços de trabalho técnico mais tradicionais, em que normas, procedimentos e
expectativas de desempenho do trabalho prescrito são projetados pela organização
de trabalho empregadora, e podem ser acessadas e conhecidas pelo trabalhador
(Dejours, 2014), na produção de conteúdo para mídias sociais, assim como em outros
trabalhos plataformizados (Abílio, 2019), esta relação é obscura e volátil. Neste
contexto, o desempenho do trabalho ganha conotações de um jogo de tentativa e erro,
no qual diferentes formas e modelos de produção de conteúdo precisam ser
constantemente testados em busca do desempenho mais eficiente. Nestes termos,
constitui-se num um espaço de trabalho que predispõe o trabalhador a um contínuo
estado de ansiedade, potencializando experiências de distúrbio do sono e estresse. É
possível reconhecer também que a mediação algorítmica, com demanda constante
para produção de conteúdo criativo e relevante, vinculado às métricas de
engajamento, potencializam o excesso de trabalho e a auto exploração dos criadores
de conteúdo. Os resultados do estudo indicam que a busca por modelos ideais de
conteúdo, que apresentem o melhor desempenho, acaba por produzir excesso de
trabalho. Além das horas que passam online, os criadores empregam boa parte de
suas rotinas diárias para planejamento, processo criativo, análise e estudos em face
das estatísticas de desempenho das postagens. Com isso, os criadores lamentam não
conseguir descansar e tirar férias, queixando-se, inclusive, de não ter tempo suficiente
para amigos e familiares. Se considerarmos ainda que a mediação algorítmica
privilegia a distribuição de conteúdos polêmicos, uma vez que tecnicamente ampliam
o engajamento dos usuários, reconhecemos que estes também potencializam
vivências de violência digital como o cyberbullying e o assédio online.
Nestes termos, os resultados do estudo sugerem que a possibilidade de
transformação do sofrimento em prazer nesse espaço de trabalho, é dependente da
mediação algorítmica da plataforma. Ou seja, se estabelece uma dinâmica que,
diferente da lógica de trabalho em organizações não plataformizadas, define-se a
partir daquilo que Cutolo & Kenney (2021) argumentam constituir determinações
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algorítmicas assimétricas e unilaterais das plataformas. Nestes termos, nos parece
importante reconhecer que, na mesma medida em que a mediação algorítmica pode
dificultar a transformação das vivências de sofrimento em prazer, potencializando um
estado psicológico de ansiedade, excesso de trabalho, e violência digital, poderia
também de forma unilateral e assimétrica, privilegiar vivências de prazer
(reconhecimento, impacto social e oportunidades de renda).
A questão central que consideramos aqui é o vínculo de dependência da
dinâmica de prazer e sofrimento em relação à mediação algorítmica das plataformas
no trabalho de criação de conteúdo. Sobretudo, nos parece que isso seja relevante
não apenas no que diz respeito à possibilidade real da plataforma intervir dificultando
ou facilitando a transformação de vivências de sofrimento em prazer, mas também
intensificando a dinâmica de vivências de prazer e sofrimento na medida em que torna
imediata a avaliação do desempenho do trabalho. Como observamos entre os
criadores de conteúdo que entrevistamos, as estatísticas de desempenho das
publicações são disponibilizadas e podem ser acessadas poucos minutos após a
publicação do conteúdo. Na medida em que este é mediador das dinâmicas de prazer
e sofrimento, preocupa-nos como essa intensificação das vivências de prazer e
sofrimento impactam a saúde mental do trabalhador (Roberts, 2019; Karhawi &
Prazeres, 2022).
Finalmente, nosso estudo indica que o trabalho de criação de conteúdo, assim
como outros trabalhos plataformizados (por exemplo: Uber), tende a ser encarado
como uma forma de empreendedorismo. Nestes contextos de trabalho, como
observaram Vaclavik et al. (2022), elabora-se uma relação de empresariamento da
informalidade. Isto é, a organização de um espaço de trabalho em que grandes
corporações medeiam as relações de trabalho por meio das plataformas digitais,
mantendo o controle e a avaliação de desempenho, típicos dos contratos formais de
trabalho. Deste modo, entendemos que a empresarização do trabalho no contexto das
mídias sociais, favorece a formação de uma mentalidade neoliberal de
autorresponsabilização pelo sucesso/fracasso do negócio. Assim, predispõe o
criador/a de conteúdo a internalizar metas de desempenho que facilmente podem se
traduzir em uma forma de autoexploração dissimulada em uma narrativa de
empreendedorismo. Dinâmica similar foi observada em outros estudos que se
debruçaram sob formas de trabalho no capitalismo de plataforma (Abílio, 2019; Sabino
& Abílio, 2019).
Essas constatações reforçam o entendimento que o trabalho de produção de
conteúdo em plataformas de mídias sociais pode ser entendido como uma forma de
desenvolvimento do fenômeno técnico tal como pioneiramente argumentou Ellul
(1964). E mais importante, que este desenvolvimento tem consequências negativas
para o trabalhador ao estabelecer a mediação algorítmica e busca constante pela
máxima eficiência como elo condicionante da dinâmica de prazer e sofrimento no
trabalho.
Conclusões
Os resultados deste estudo indicam que o trabalho de produção de conteúdo em
mídias sociais representa uma continuidade do processo de tecnificação do mundo do
trabalho e se desenvolve a partir de uma dinâmica marcada tanto por vivências de
prazer quanto de sofrimento. Nesse contexto, a dinâmica de prazer e sofrimento no
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trabalho é atravessada pela lógica da máxima eficiência, materializada na mediação
algorítmica das plataformas.
Nossos achados permitem reconhecer que a mediação algorítmica das
plataformas exerce um papel central na forma como essa dinâmica se estrutura. O
estudo aponta que a violência digital, a ansiedade e o excesso de trabalho figuram
como elementos centrais nas experiências de sofrimento vivenciadas por criadores de
conteúdo. Tais experiências podem ser compreendidas como potenciais fontes de
adoecimento e de comprometimento da saúde mental desses trabalhadores.
Contudo, diferentemente de pesquisas que se concentram nos aspectos
precarizantes do trabalho mediado por plataformas digitais, os resultados aqui
apresentados indicam que o trabalho de criação de conteúdo também envolve
vivências de prazer, especificamente relacionadas ao reconhecimento, ao impacto
social e à oportunidade de renda. Ao reconhecer que essa atividade não se limita ao
sofrimento, mas também pode proporcionar experiências prazerosas, este estudo
corrobora as contribuições de Dejours (1992, 2008) e de outros trabalhos no campo
da Psicodinâmica do Trabalho, desenvolvidos em contextos organizacionais
tradicionais e industriais.
Pontuamos que, como qualquer trabalho qualitativo, os resultados aqui não se
propõem à generalização. Antes, representam a realidade empírica dos casos
estudados. Reconhecemos que a dificuldade de acesso aos criadores de conteúdo foi
uma limitação importante deste estudo, restringindo o número de participantes e,
consequentemente, a diversidade de experiências analisadas. Essa limitação aponta
para a importância de futuras investigações que aprofundem e ampliem a escuta de
criadores de conteúdo em plataformas digitais. Entendemos que estudos futuros, de
ordem quantitativa e qualitativa, poderão se beneficiar dos resultados indicados aqui
e aprofundar o conhecimento sobre prazer e sofrimento no trabalho de produção de
conteúdo em mídias sociais e seus impactos sobre a saúde mental do trabalhador
digital.
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