Artigo submetido em: 28.11.2024. Aceito em: 02.12.2024. Publicado em: 22.01.2026.
Revista Gestão & Conexões
Management and Connections Journal
Vitória (ES), v. 15, n. 1, de 2026.
ISSN 2317-5087
DOI: 10.47456/regec.23175087.2026.15.1.46920.67.89
Identidade e pertencimento no trabalho de
empreendedoras e faccionistas no setor de moda íntima
Identity and belonging in the work of entrepreneurs and factionalists in
the intimate fashion sector
Marina Noronha Kraiser
Carine Rodrigues Nunes Giesbrecht
Pontifícia Universidade Católica de MG
Pontifícia Universidade Católica de MG
marinakraiser@yahoo.com.br
carinern@yahoo.com.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7208-8900
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6465-0510
Carolina Maria Mota-Santos
Manoel Bastos
Pontifícia Universidade Católica de MG
Pontifícia Universidade Católica de MG
cmmotasantos@pucminas.br
Neto26bastos@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8830-817
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4400-5877
RESUMO
O objetivo deste trabalho é compreender o trabalho como fonte de desenvolvimento pessoal, pertencimento e
constituição de identidades de empreendedoras e faccionistas no setor de moda íntima. A estratégia metodológica
foi qualitativa e descritiva. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e tratados a partir
da análise de conteúdo. Os resultados indicam que a relação das mulheres com o trabalho perpassa a dimensão
do pertencimento e é fator preponderante na construção de suas identidades. Quando se comparam as realidades
das faccionistas e das empreendedoras, presença de pertencimento e valor social por meio do trabalho, mais
evidente entre as empreendedoras. A contribuição deste estudo está em discutir a realidade de um contexto
socioeconômico com desafios específicos, apontando as diferenças de possibilidades e desafios do trabalho
feminino relacionados a dois grupos: empreendedoras e faccionistas, além de aprofundar a discussão sobre
identidade no trabalho e pertencimento.
Palavras-Chave: identidade no trabalho; mulher; associativismo; empreendedoras; faccionistas.
ABSTRACT
The objective of this work is to understand work as a source of personal development, belonging, and the
constitution of identities of entrepreneurs and factionalists in the intimate fashion sector. The methodological
strategy was qualitative and descriptive. Data were collected through semi-structured interviews and treated based
on content analysis. The results indicate that the relationship of women with work permeates the dimension of
belonging and is a preponderant factor in the construction of their identities. When comparing the reality of
factionists and female entrepreneurs, there is a presence of belonging and social value through work, more evident
among female entrepreneurs. The contribution of this study is to discuss the reality of a socioeconomic context with
specific challenges, to point out the differences in possibilities and challenges of female work related to two groups:
entrepreneurs and factionists, in addition to deepening the discussion on identity at work and belonging.
Keywords: identity at work; woman; associative; entrepreneurs; factionists
MARINA NORONHA KRAISER, CAROLINA MARIA MOTA-SANTOS, CARINE RODRIGUES NUNES GIESBRECHT, MANOEL BASTOS 68
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Introdução
A presença das mulheres no mercado de trabalho não uma novidade. Desde
a colnia at os dias de hoje, as mulheres estiveram presentes no dia a dia de fbricas,
escolas, hospitais e outros empreendimentos. As mulheres trabalhadoras
contriburam tanto para a industrializao do Brasil (Rago, 2007; Ruiz, 2023), quanto
para o desenvolvimento do comrcio urbano (Figueiredo, 2007; Ruiz, 2023), entre
outras atividades, sendo nos dias de hoje parte importante da fora de trabalho nas
mais diversas reas.
Entretanto, ser mulher e trabalhadora ainda diz respeito a lidar com uma srie
de conflitos, expectativas e desafios, os quais colocam a mulher do sculo XXI em um
contexto de ambiguidades: por um lado, um intenso debate sobre a quebra de
esteretipos de gnero, desconstruo da binaridade homem versus mulher, novas
configuraes familiares, ruptura com padres tradicionais e mulheres conquistando
diversas formas de poder (e.g Araújo e Macedo, 2023; Kraiser & Mota-Santos, 2021).
Por outro, o convvio com a manutenção de antigos papéis sociais, barreiras
profissionalização e qualificação, preconceitos e diferentes formas de violncia contra
a mulher.
De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2023/24 - Women's
Entrepreneurship Report, as percepções sobre o empreendedorismo entre as
mulheres melhoraram significativamente nas últimas duas décadas. Além disso,
estudos apontam o empreendedorismo feminino como um fator importante para o
desenvolvimento econômico e social no contexto global (e.g. Ogundana et al. 2021).
Contudo, as mulheres ainda enfrentam obstáculos específicos, como menor acesso a
capital e financiamentos, falta de redes de apoio relevantes, oportunidades limitadas
e pressões sociais de gênero. Essas pressões, especialmente relacionadas às
responsabilidades domésticas e ao cuidado com os filhos, reduzem o tempo
disponível para que as mulheres ocupem espaços públicos, busquem potenciais
apoiadores e investidores, participem de treinamentos e especializações, e negociem
com clientes ou fornecedores (e.g. Mastroianni, 2024; Kogut & Mejri, 2022; Brecht, S.,
& Le Loarne, 2023).
Nesse contexto de paradoxos, avanos, rupturas e continuidades, esta pesquisa
buscou compreender o trabalho como fonte de desenvolvimento pessoal,
pertencimento e espaço de constituição de identidades de mulheres trabalhadoras do
setor de produção de moda íntima, destacando a relevância do associativismo na
constituição da noção de pertencimento e noção de grupo, bem como a dimensão
financeira enquanto fator importante na construção e reconfiguração de suas
identidades. A pesquisa foi realizada em um pequeno município produtor de moda
íntima no norte de Minas, com mulheres empreendedoras, donas de bricas, e com
mulheres faccionistas, que prestam serviços a essas pequenas fábricas.
No Brasil, estudos sobre mulheres que empreendem indicam que, ao
empreender, a mulher conquista no s maior autonomia financeira (Fernandes et al.,
2016; Nazario & Lobo, 2024), como tambm capacidade de assumir decises que at
ento ficavam apenas a cargo dos homens da famlia (Mota-Santos et al., 2016). O
empreendedorismo, dessa forma, pode ser entendido como um meio para a quebra
de antigos papis de gnero, permitindo mulher transitar por espaos sociais
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considerados tradicionalmente masculinos (Jonathan, 2011; Strawser, Hechavarría &
Passerini, 2021). Assim, a atividade empreendedora parece estar intimamente
associada a sentimentos como autorrealizao e orgulho, sendo, portanto, fator de
fortalecimento e estmulo a identidades mais autnomas (Bignetti et al., 2021;
Machado, 2002; Pergelova & Mandakovic, 2024). A literatura sobre trabalho domiciliar,
modelo no qual estão inseridas as mulheres faccionistas, por sua vez, apresenta um
quadro de extrema precariedade, tanto das relaes de trabalho quanto no que tange
possibilidade de emancipao financeira e emocional de quem o exerce em
esmagadora maioria, mulheres (Arajo & Amorim, 2002; Carvalhal, 2005; Leite, 2004;
Carvalhal & Thomaz Jnior, 2012; Enoque, Borges & Saraiva, 2015; Guiraldelli, 2012;
Neves & Pedrosa, 2007). Nesse sentido, o trabalho domiciliar restringiria a construo
de identidades autnomas e a autorrealizao das mulheres que o praticam (Enoque
et al., 2015; Enoque & Pimenta, 2005), sendo um modelo que refora esteretipos de
gnero e contribui com a manuteno de relaes entre homens e mulheres pautadas
por uma lgica patriarcal.
A possibilidade de realizar a pesquisa no municpio de Taiobeiras permitiu
observar esses dois grupos em um mesmo contexto social e cultural, em um pequeno
territrio de cerca de 33.000 habitantes (IBGE, 2018). Taiobeiras est localizado no
norte de Minas Gerais, sendo uma regio estigmatizada pela pobreza, a seca e o
descaso, e conhecida pela precarizao das condies de trabalho. Dessa forma,
coloca-se em pauta o que indica Godoy (1995): que a pesquisa qualitativa tenha uma
viso holstica para o fenmeno, que seja contextualizada, respeitando as
especificidades da vivncia do sujeito, porm, considerando-o como parte de um
tempo e um espao definidos.
Esta é, sim, uma investigação acerca de questes subjetivas de mulheres
trabalhadoras, por meio do entendimento de suas identidades e tendo como pano de
fundo a complexa discussão sobre relações de gnero e o que ainda significa para
mulheres, em um pequeno e pobre município, quebrarem lógicas centenárias de
tomada de decisão e construírem um novo paradigma para o seu papel naquela
comunidade.
A opo por localizar a construo identitria como fruto do contexto no qual o
sujeito est inserido, valendo-se de conceitos relacionados aos processos de
socializao e subjetividade humana, assim como utilizar a discusso sobre gnero
como base conceitual, refora o campo da Administrao enquanto uma Cincia
Social aplicada, dedicada ao entendimento não s da empresa enquanto arranjo de
produção e geração de riqueza, como também o mundo do trabalho como espaço de
interação social, campo de poder, de geração de conflitos e da construção de diversas
possibilidades da vivência humana.
O diálogo entre as temáticas trabalho, gênero e identidade permite compreender
que a identidade das mulheres trabalhadoras afetada diretamente pelo lugar e pelo
momento nos quais estão inseridas. Desse modo, a compreensão dos processos de
construção identitária das empreendedoras assim como de qualquer outro grupo
social deve levar em conta o contexto, uma vez que se trata do resultado de uma
complexa trama de relações e representações sociais (Cramer et al., 2012).
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Identidade no trabalho e pertencimento: dois lados de uma mesma
moeda?
Entendemos por identidade a percepo que os indivduos tm de si mesmos,
sendo constituda por meio das diversas interaes pelas quais os sujeitos passam
ao longo de toda a vida (e.g. Castells, 1999; Ciampa, 1987; Dubar, 2012; Machado,
2003;). Uma parcela importante desse processo ocorre no contexto do trabalho, sendo
este o pano de fundo para interaes sociais diversas. O trabalho , portanto, um tipo
especfico de socializao (Ashforth & Mael, 1989; Dubar, 2012; Machado, 2003) e,
assim sendo, a identidade no trabalho refere-se a um tipo de identidade social.
Para Dubar (2012), mais do que o espao onde so desenvolvidas relaes
sociais, o trabalho fonte de sentido para a existncia individual e coletiva, visto que
por meio dele que se produz e se perpetua a vida humana. Sob essa tica, trabalho
mais do que a troca de esforo por ganhos financeiros; compreende, quando
garantidas condies dignas para seu exerccio, fonte de realizao e reconhecimento
social. Nessa lgica, o autor refora a ideia do trabalho enquanto estmulo para a
aquisio de competncias, aprendizagem, socializao e para a constituio de
identidades.
No ambiente de trabalho, e por meio das interaes sociais nele estabelecidas,
o indivduo exposto a conflitos, desafios e aprendizados, os quais vo sendo
continuamente ressignificados e compondo a percepo que ele tem acerca de si
mesmo e do outro (Dubar, 2012).
A seguir, so destacadas pesquisas que, no campo da Administrao,
dedicaram-se a investigar a problemtica da construo da identidade no trabalho,
discutindo questes como autoestima, relaes de poder, pertencimento e outros.
Essas pesquisas reforam o argumento de que o trabalho fator importante na
construo das identidades dos indivduos.
Tambm no trabalho que muitos dos conflitos advindos dos esteretipos e
papis sociais vm tona, afetando as identidades socioprofissionais dos sujeitos. A
consequncia desses esteretipos, na vida de quem trabalha, pode ser dificuldades
para conciliar as diversas funes desempenhadas na vida privada e tambm da vida
profissional, acarretando barreiras, sofrimento e estresse (Eagly & Karau, 2002).
Cantarotti (2017), por exemplo, investiga a identidade do profissional de
secretariado executivo em relao s demandas por atividades de traduo, e como
a percepo das diferenas e sobreposies entre as duas profisses secretrio e
tradutor agem na construo da identidade desses profissionais. Minini e Ferraz
(2015) pesquisam a identidade de enfermeiros supervisores, alicerada na idealizao
do trabalho assistencial e nos desafios de gesto em sade, que, por vezes, exigem
competncias e provocam expectativas nos trabalhadores e na sociedade,
consideradas divergentes. Em ambos os trabalhos, fica claro o impacto que os
esteretipos e expectativas da sociedade e dos prprios trabalhadores acerca de suas
profisses tm sobre a construo de suas identidades.
Correa e Loureno (2016) examinam a constituio da identidade de professores
de ps-graduao stricto sensu a partir das relaes de poder institudas no ambiente
organizacional e dos papis desempenhados por esses profissionais. Os autores
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contribuem ao entendimento da identidade enquanto construo de significados
oriundos dos processos de socializao pelos quais os indivduos passam ao longo
de suas vidas profissionais.
Tambm abordando as questes ligadas ao poder, Beuron, Matos, Barros e
Grohmann (2011) discutem o associativismo e a economia solidria como
possibilidade para a construo de identidades emancipatrias de trabalhadores, ao
quebrar a lgica tradicionalmente hierrquica das relaes de trabalho. Bispo,
Dourado e Amorim (2013) discutem as identidades e sentidos do trabalho para
indivduos envolvidos com a cultura Hip Hop e os limites entre cultura, trabalho, lazer
e prazer, em uma atividade marcada pela crtica lgica econmica de mercado.
Ambos os estudos apontam para relaes de trabalho alternativas s tradicionais
relaes de mercado, hierarquizadas e focadas no lucro, e como estas contribuem
conformao das identidades dos trabalhadores.
Alguns autores, por sua vez, tm tratado a questo da identidade no trabalho
associada questo do pertencimento, investigando relaes de poder estabelecidas.
Carrieri, Maranho, Murta e Souza (2009), nesse sentido, discutem a dimenso da
identidade enquanto pertencimento e a relao do indivduo com o lugar, a
territorialidade e as relaes de poder que transpassam o dia a dia de comerciantes
ambulantes. Tambm discutem a questo dos esteretipos utilizados pela mdia para
representarem esses trabalhadores, os quais divergem da forma como os prprios
ambulantes se percebem. Nessa perspectiva, reforam que identidade no somente
uma construo objetiva, mas , tambm, narrativa e discurso (Brito, Marra & Carrieri,
2012; Carrieri, Silva, Souza & Pimentel, 2001; Carrieri, Santos, Pereira & Martins,
2016; Carrieri et al., 2009;). Neste artigo, vamos investigar a dimensão do
pertencimento tanto no que diz respeito ao gênero, compreendendo o papel social
dessa mulher trabalhadora, bem como ao fortalecimento da noção de grupo por meio
do associativismo e da cooperação.
Aprofundar a compreenso da dimenso do trabalho como fator constituinte das
identidades individuais, compreendendo-as como um tipo especfico de socializao,
diz respeito mais do que ao entendimento das relaes formais de emprego, mas s
interaes estabelecidas no mundo do trabalho, de maneira mais ampla, e relao
do indivduo, em nvel subjetivo, com sua prpria atividade produtiva (Machado, 2003).
É o que se pretende neste artigo: transbordar o entendimento do trabalho enquanto
meio de sobrevivência e produção de riquezas, de forma a compreendê-lo como fonte
de constituição de identidades e transformação.
Metodologia
O objetivo desta pesquisa é compreender o trabalho como fonte de
desenvolvimento pessoal, pertencimento e espaço de constituição de identidades de
mulheres empreendedoras e faccionistas no setor de moda íntima. Como parte da
compreensão das identidades dessas mulheres, destaca-se a relevância do
associativismo na constituição da noção de pertencimento e noção de grupo. Também
buscou-se compreender a dimensão financeira enquanto fator importante na
constituição e reconfiguração de suas identidades.
A estratégia metodológica adotada foi a pesquisa qualitativa e descritiva (Gil,
2008; Marconi & Lakatos, 2003; Vergara, 2005), valorizando a importância da
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pesquisa qualitativa e dos métodos narrativos e de conversação (Whetten e Godfrey,
1998). Os dados coletados por meio de entrevistas semiestruturadas (Gaskell, 2003;
Yin, 2010) e tratados a partir da análise de conteúdo consideram as etapas de pré-
análise, exploração do material e interpretação, conforme Bardin (2012). Após a
realização das entrevistas, todo o material transcrito gerou um total de 246 páginas.
Optou-se pela estratégia do estudo de caso (Eisenhardt, 1989; Yin, 2010),
tomando, como unidade de análise, o pequeno município de Taiobeiras, no norte de
Minas Gerais, região marcada por uma história de pobreza, seca, baixos indicadores
de desenvolvimento humano e social, além de alta dependência de investimentos
estatais e do Terceiro Setor (IDENE / SUDENE, 2013). O recorte territorial permitiu
enriquecer o estudo do fenômeno dentro de um contexto sociocultural específico e
singular, permitindo o aprofundamento do referencial teórico já existente.
O roteiro de entrevista buscou conhecer a realidade das mulheres a partir de
questões relacionadas ao trabalho feminino, pertencimento e associativismo,
conforme objetivo ressaltado anteriormente. O instrumento foi dividido em quatro
etapas. A primeira etapa contém perguntas gerais sobre o perfil das entrevistadas,
como: Qual a sua idade? Estado civil? Escolaridade? Quantidade de filhos? Renda?
Como é seu dia a dia no trabalho, nas atividades de lazer e nas tarefas domésticas?
A segunda etapa foi direcionada às mulheres empreendedoras/donas do próprio
negócio, com perguntas como: Qual a estrutura da sua empresa? O que mudou na
sua vida depois de abrir o negócio? Quais o as maiores dificuldades de ser
empresária? Quais são as principais vantagens? A terceira etapa foi voltada
exclusivamente para trabalhadoras individuais/domiciliares, abordando questões
como: Qual a estrutura do local onde você trabalha? O que mudou em sua vida depois
de assumir essa atividade? Quais são as principais vantagens e dificuldades de
trabalhar em casa? Por fim, a última etapa contém perguntas sobre a identidade da
mulher, como: Quais são as suas principais características? O que é sucesso para
você? Em uma palavra, o que significa ser mulher? Em uma palavra, o que é trabalho
para você? O roteiro foi testado a partir de uma etapa prévia com sete mulheres
entrevistadas (faccionistas e empreendedoras).
Foram realizadas 22 entrevistas entre abril e julho de 2018, utilizando-se da
tcnica “bola de neve”, pela qual as próprias entrevistadas auxiliaram na identificação
e convite às demais. Dessas mulheres entrevistadas, 13 são empresárias, donas de
fábricas, e nove são faccionistas, trabalhadoras que prestam serviços, a partir do
próprio domicílio, a mais de cem pequenas fábricas instaladas na cidade. Para manter
o sigilo em relação à identidade das entrevistadas, optou-se por identificá-las somente
como ‘E’, para empresrias e ‘F’, para faccionistas’. O quadro a seguir traz a
caracterização das entrevistadas.
Quadro 1- Caracterização das entrevistadas
Descrição
Estrutura de
Trabalho
Idade
Estado Civil
Filho(s) e
respectiva(s)
Idade(s)
Escolaridade
Empresária 1
Fábrica e loja
construídos
anexos à casa
43
Casada
Uma/11 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
MARINA NORONHA KRAISER, CAROLINA MARIA MOTA-SANTOS, CARINE RODRIGUES NUNES GIESBRECHT, MANOEL BASTOS 73
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Empresária 2
50
Casada
Dois/21 e 31
anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 3
33
Solteira
Não tem
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 5
Somente fábrica
em espaço
adaptado no
terreno da casa
39
Casada
Uma/18 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 6
Fábrica e loja
separados da
casa
23
Solteira
Sem filhos
Ensino Superior
completo
Empresária 7
Fábrica e loja
construídos
anexos à casa
47
Separada
Sem filhos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 8
Fábrica e loja
construídos
anexos à casa
31
Divorciada e
mora com
atual
companheiro
Uma de 18
anos e um
enteado/11
Ensino Superior em
curso
Empresária 9
Fábrica e loja em
espaço adaptado
em um cômodo
da casa
49
Casada
Dois/28 e 31
anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 10
41
Casada
Dois/6 e 10
anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 13
56
Casada
Uma/29 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 14
58
Viúva e mora
com atual
companheiro
Um/32 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 15
45
Casada
Uma/8 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Empresária 16
Somente fábrica
em espaço
adaptado no
terreno da casa
39
Separada
Três/8, 16 e
21 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 4
Somente faz
facção
44
Divorciada e
mora com
atual
companheiro
Dois/20 e 25
anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 11
Somente faz
facção
39
Casada
Uma/5 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 12
Somente faz
facção
22
Casada
Duas/6 meses
e 9 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
MARINA NORONHA KRAISER, CAROLINA MARIA MOTA-SANTOS, CARINE RODRIGUES NUNES GIESBRECHT, MANOEL BASTOS 74
GESTÃO & CONEXÕES - MANAGEMENT AND CONNECTIONS JOURNAL, VITÓRIA (ES), V. 15, N. 1, DE 2026.
Faccionista 17
42
Separada
Uma/19 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 18
33
Casada
Dois/8 anos e
5 meses
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 19
Somente faz
facção
43
Casada
Uma filha e um
filho/21 e 11
anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 20
Somente faz
facção
31
Casada
Trigêmeas/7
anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 21
Faz facção e é
empregada em
uma fábrica em
meio período
33
Separada e
mora com
atual
companheiro
Dois/10 e 12
anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Faccionista 22
Somente faz
facção
31
Casada
Uma/8 anos
Ensino Fundamental
e/ou médio
Fonte: Elaboração própria (2025).
As mulheres entrevistadas possuem entre 22 e 58 anos, sendo que, entre elas,
apenas duas não são casadas ou moram com seus companheiros. Todas as mulheres
casadas possuem filhos. Os temas do matrimônio e da maternidade são marcantes
na constituição das identidades dessas mulheres, trazendo questões importantes
acerca de como se percebem enquanto mulheres, seus papéis sociais e desafios na
conciliação entre trabalho e família, conforme será apresentado à frente.
Com exceção da empresária E6, que estuda gestão e decidiu empreender no
setor após estudo de mercado e bastante planejamento, as demais donas de fábrica
relataram que se tornaram empresárias a partir de um movimento pouco planejado e
quase espontâneo. Muitas delas já costuravam para a família ou para vender e foram
estimuladas por agências de fomento, como Sebrae e Fiemg, a empreenderem no
setor. A organização da cadeia produtiva também se deu a partir da constituição da
Associação de Moda Íntima e Praia de Taiobeiras, e de projetos envolvendo a
Prefeitura Municipal.
É importante ressaltar que embora elas (faccionistas e empreendedoras)
apresentem papéis diferentes na cadeia produtiva, é similar a realidade
socioeconômica. Apesar de as empreendedoras apresentarem uma certa ascensão
quando comparadas às mulheres faccionistas, não se pode falar em diferenças
relacionadas à classe social.
Por fim, os dados coletados e analisados foram divididos em quatro categorias
de análise: (1) O trabalho como fonte de pertencimento e constituição de papéis
sociais; (2) O trabalho como desenvolvimento pessoal e equilíbrio emocional; (3) O
trabalho como possibilidade de autonomia financeira; (3) Relevância do
associativismo.
MARINA NORONHA KRAISER, CAROLINA MARIA MOTA-SANTOS, CARINE RODRIGUES NUNES GIESBRECHT, MANOEL BASTOS 75
GESTÃO & CONEXÕES - MANAGEMENT AND CONNECTIONS JOURNAL, VITÓRIA (ES), V. 15, N. 1, DE 2026.
Resultado e Discussão
O trabalho como fonte de pertencimento
Ao longo das entrevistas, percebeu-se que a relação dessas mulheres com o
trabalho perpassa a dimensão do pertencimento, a qual ultrapassa o entendimento do
trabalho enquanto atividade de produção e traz à tona aspectos simbólicos e
subjetivos. Conforme apontado por Dubar (2012), o trabalho, enquanto espaço de
socialização, possibilita o reconhecimento social, o prazer e a busca de sentido para
a existência individual e coletiva. Para essas mulheres, trabalhar é fazer parte de algo
maior,  ter reconhecimento social: “Como se diz... o trabalho edifica a pessoa. Então
eu acho que se você ficar sem trabalhar é terrível, né?!” (F22).
A empresária E9, por exemplo, percebe, com clareza, a importância do trabalho
como impulsionador de um novo lugar social da mulher: “É uma forma de valorizar a
gente, n?” (E9). Para a dona de fábrica E15, o trabalho é fonte de sentido: “Acho que
o trabalho ‘pra’ todo mundo importante. Acho que a gente sem trabalho, acho que
fica a vago (...), voc ‘num’ ter uma ocupao, um compromisso com nada... Assim,
acho que fica meio sem sentido” (E15).
Como ela, tantas outras mulheres remetem-se ao trabalho como fator de
pertencimento, como fonte de sentido, compreendidos em suas falas como o
sentimento de se sentirem teis, produtivas, valorizadas, “fazendo parte” daquela
sociedade na qual estão inseridas. “Eu acho que [o trabalho] muito importante.
Assim... a gente se sente til, se sente produzindo, fazendo parte” (F18). A dona de
fábrica E5 esclarece o valor que a seu trabalho por lhe permitir sentir que está
contribuindo para a sociedade: “O trabalho te traz uma satisfao. No  o dinheiro, 
o trabalho. Porque voc trabalha e voc sente aquela satisfao. Eu ‘tou’ servindo pra
alguma coisa! Eu acho assim...”.
De acordo com a literatura, o empreendedorismo pode ser entendido como um
meio para a quebra de antigos papéis de gênero, permitindo mulher transitar por
espaços sociais considerados tradicionalmente masculinos. Dessa forma, a atividade
empreendedora parece estar intimamente associada a sentimentos como
autorrealização e orgulho, sendo, portanto, fator de fortalecimento e estímulo a
identidades mais autônomas (Machado, 2002).
Das nove faccionistas entrevistadas, duas conciliam o trabalho de facção com
empregos de costureira em fábricas, sendo que uma delas trabalha meio período e a
outra em horário integral. O fato de não serem exclusivamente trabalhadoras
domiciliares parece explicar sensíveis diferenças de perfil observadas durante as
entrevistas. Parece não ser coincidência que foram as duas faccionistas com postura
mais otimista e com expressões de grande autoestima.
Isso fica evidente quando ambas dão respostas muito positivas quando
perguntadas sobre como outra pessoa as descreveria, o que é especialmente
exaltado por uma delas: “Ah, eu sou bem querida por essa mulherada aí, viu? Acho
que descreveria bem. Geralmente eu tenho uma resposta muito positiva de todas elas.
Todas me falam que me ‘admira’ demais (...), que eu sou bem competente” (F21). O
sentimento de completude fica especialmente evidente em outro trecho da entrevista
de F21: Eu sou plena na minha vida (...) Não reclamo de nada, no”.
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Ao contrário das duas faccionistas que conciliam o trabalho domiciliar com
empregos formais, as demais, de modo geral, tiveram bastante dificuldade em falar
de si mesmas. Mostraram-se, de modo geral, mais tímidas, mais frágeis, com tom de
voz mais baixo e com menos entusiasmo para falarem de seu dia a dia. Perguntadas
sobre como outra pessoa as descreveria, o mais comum foram grandes momentos de
silêncio e respostas como “no sei o qu que as pessoas acham de mim... No sei
responder essa, no...” (F4); “Hum... (risos)... Ah, “num” sei... (F22); “Sei l... Difcil
responder, né? Como que a outra pessoa falaria de você? Vai ficar sem resposta”
(F12); ou ainda “É difcil falar da gente n?! (risos)” (F11).
Constata-se que, em Taiobeiras, como o que foi verificado em pesquisas
anteriores (Carvalhal, 2005; Enoque, Borges, & Saraiva, 2015; Enoque & Pimenta,
2005; Guiraldelli, 2012), a configuração do trabalho em domicílio parece dificultar a
constituição de identidades autônomas, com autoestima e autovalorização. Não deixa
de ser, para essas mulheres, entretanto, fonte de valorização social e pertencimento,
uma vez que, até então, cabiam à grande maioria das mulheres, naquele contexto,
atividades ainda mais desvalorizadas, como aquelas ligadas ao campo ou
exclusivamente aos cuidados domésticos.
Pode-se dizer, então, que, quando se compara a realidade das faccionistas e
das empreendedoras, presença de pertencimento e valor social por meio do
trabalho, entretanto, isso fica mais evidente entre as empreendedoras.
O trabalho como desenvolvimento pessoal e equilíbrio emocional
Uma outra categoria acerca da identificação das entrevistadas com o trabalho
une dois aspectos intrinsecamente relacionados: o primeiro a percepção deste como
impulsor de seu desenvolvimento pessoal, o que as torna mais aptas o apenas ao
desenvolvimento do trabalho, mas também para se relacionarem com outras pessoas
e se posicionarem frente a novos desafios. O segundo pode ser entendido como
desdobramento do primeiro. É o trabalho enquanto ocupação de mente” (E3), como
fonte de sentido para suas vidas. Por meio dele, elas dizem se sentir parte de algo
maior, úteis e respeitadas enquanto membros de uma comunidade. Importante
ressaltar que esses dois aspectos, ainda que com nuances diferentes, aparecem tanto
quando se fala das faccionistas, quanto quando se fala das empresárias.
De acordo com a literatura, o trabalho é um tipo específico de socializao
(Ashforth & Mael, 1989; Dubar, 2012; Machado, 2003) e, assim sendo, a identidade
no trabalho refere-se a um tipo de identidade social. E mais do que um espaço onde
acontecem as relações sociais, o trabalho é fonte de sentido para a existência (Dubar,
2012).
Uma das faccionistas explica a importncia do trabalho em seu desenvolvimento
pessoal:
A gente desenvolve bastante. O pessoal, tambm o intelectual, n? Conviver
com gente. Mexer com essas coisas, voc desenvolve muito. Muito, muito
mesmo. Eu mesma era muito tmida, tinha at medo de gente, parecia bicho.
Voc desenvolve demais, voc comear a mexer com gente, trabalhar, n... o
‘intelectual’... Voc tem que buscar mais... (...) Depois que eu comecei a
trabalhar que eu desenvolvi mais. (F21).
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Cabe destacar que a entrevistada F21, alm de trabalhar em domiclio como
faccionista, possui tambm um emprego de meio horrio em uma das maiores fbricas
da cidade, na qual ela tem a possibilidade de se relacionar com outras costureiras e
criar laos de amizade e parceria.
Uma das empresrias identifica no trabalho uma fonte no s de
desenvolvimento, como tambm de equilbrio emocional. Nas palavras dela, trabalho
“coisa que acalma”: “Desde que eu comecei a trabalhar nessa parte de lingerie, eu
falo assim que uma coisa que me acalma. s vezes, tem dias que voc levanta,
assim, estressada, a voc vem e quando voc comea a trabalhar parece que te
acalma.” (E9).
A faccionista F20, no mesmo sentido, explica como o trabalho a faz se sentir
mais completa e a ajudou a enfrentar momentos difceis na sua vida:
Ah, eu acho que uma forma de libertao ‘pra’ mim. Porque eu acho que muitas
vezes, se voc faz pouco ou muito, se uma coisa que voc gosta de fazer, te
preenche de certa forma (...). Eu mesma j tive depresso ps-parto. J tive...
eu sou muito ansiosa, eu at j tomei remdio pra ansiedade e tudo porque eu
me pressiono todo o tempo. Eu quero dar conta de tudo. (...) Mas eu acho que,
de certa forma, meu servio, mesmo que eu faa pouco ou muito, me preenche.
(F20).
Ao se desenvolverem e conquistarem ganhos financeiros, essas mulheres
conquistam tambm uma visibilidade e respeito social, os quais no possuam antes.
Especialmente as donas de fbrica tornam-se referncia de mulheres bem-sucedidas,
exemplos a serem seguidos pelas demais. A empresria E9, por exemplo, percebe
com clareza a importncia do trabalho como impulsionador de um novo lugar social
da mulher: “ uma forma de valorizar a gente, n?” (E9).
O trabalho como possibilidade de autonomia financeira
Ficou claro, durante a pesquisa, o quanto as conquistas financeiras impulsionam
mudanças nas relações conjugais e sociais dessas mulheres, sendo fator importante
na constituição e reconfiguração de suas identidades. Os depoimentos a seguir
evidenciam a importância da dimensão financeira e material na identificação das
mulheres com o trabalho:
Eu conquistei muita coisa. Eu conquistei minha casa que foi depois disso [de
abrir a fábrica]. Porque quando que... na verdade eu sou viúva... e meu marido
foi embora, ele me deixou na rua praticamente e eu consegui minha casa,
consegui meu carro, consegui minha moto, minhas mquinas “” paga, graças a
Deus. Eu “num” devo nada. Ento eu conquistei muita coisa. Pra quem no tinha
nada, eu conquistei muito. (E14).
Essa casa que eu consegui foi pelo meu trabalho. Tudo que eu tenho. (...) A
minha família é toda de gente muito humilde. Então a minha casa, a moto que
eu tenho... tudo que eu conquistei foi com o trabalho. Foi evoluindo aos poucos
e “t” melhorando cada vez mais, n? Foi uma boa evoluo. (F21).
A dimensão financeira extrapola as conquistas materiais, ficando também
evidente quando dizem da possibilidade de oferecerem um presente e um futuro
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confortáveis para seus filhos, proporcionados pelos ganhos com a costura. A dona de
fábrica E7 resume bem ao dizer qual a importância do trabalho, para ela: “É o sustento
meu e dos meus filhos, entendeu?”, o que F21 corrobora: “Pra mim  meu ganha-pão,
é como eu sustento meus filhos. Pra mim é tudo. O trabalho é o que faz mover minha
vida com meus filhos, conseguir minhas coisas,  o trabalho. O meu trabalho.” (F21).
Nos casos específicos de E7 e F21, existe a especificidade de serem ambas
separadas de seus primeiros maridos, o que pode ter levado a valorizarem ainda mais
a possibilidade de garantirem o sustento dos filhos, por meio dos ganhos com a
costura.
Porém, não só as mulheres que são arrimo de família abordam a relevância dos
aspectos financeiros que conquistaram por meio da costura. A exemplo, a faccionista
F11, casada, diz: “Eu acho que trabalhando com a lingerie, faco, assim em casa,
eu consegui comprar carro, moto... eu acho que isso”. A dona de brica E13 fala
sobre suas conquistas financeiras, trazendo também a questão da autonomia:
Ah, olhando pra trás, assim, na minha vida, a minha conquista foi isso aqui.
Sabe? A minha loja, a minha fábrica, ter meu próprio negócio. Trabalhar pra mim
mesma. Você entendeu? Ter o meu dinheiro. Meu, assim, eu compro o que eu
quero. (E13).
Percebe-se que, ao expor suas conquistas financeiras, uma dimensão
aparentemente objetiva da vida laboral, E13 traz, ao mesmo tempo, a perspectiva da
independência na tomada de decisões sobre os gastos financeiros, da conquista da
própria autonomia e, em última análise, também da ressignificação das relações de
gênero e conjugais, uma vez que passa a ser gestora de seu próprio dinheiro. Assim,
a questão da autonomia é evidente no caso das donas de fábrica. Elas relatam fazer
viagens juntas para feiras e eventos, tomar decisões sozinhas sobre a condução do
negócio, e mostraram, durante as entrevistas, uma postura de modo geral bastante
proativa e otimista.
Entre as trabalhadoras em domicílio, por sua vez, observou-se uma postura um
pouco mais transigente em relação a se manterem subjugadas ao poder financeiro
dos maridos, o que vem junto de maior esforço para conciliarem o trabalho e a
manutenção de responsabilidades tradicionalmente atribuídas à mulher, como lavar,
cozinhar, cuidar da casa, dos filhos e do marido. O fato de trabalharem em casa
parece reforçar papéis de gênero tradicionais e perpetuar a sobrecarga colocada à
mulher em relação às atividades domésticas, reforçada com o fato de acumular as
atividades com a costura. Isso converge ao que Guiraldelli (2012) apontara: o trabalho
em domicílio na cadeia de confecção como reforço dos tradicionais papéis de gênero.
Analisando os dados coletados nesta pesquisa, é inegável que a conquista da
independência financeira é motivo de orgulho e satisfação para essas mulheres,
conforme relatado por E13:
As mulheres hoje “to”... no “to” deixando mais ficar mais por baixo dos
homens. As mulheres hoje “to” sempre evoluindo, n? Por exemplo, se eu
quero comprar alguma coisa, vou ficar dependendo de homem? “Ah, eu quero
dinheiro pra isso”. A eles geralmente no perguntam? “Pra que que voc quer?”.
Eu nunca fiz isso. Toda vida eu fui independente. (E13)
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Estudos ressaltam que mulheres, ao empreenderem, podem conquistar no s
maior autonomia financeira (Fernandes et al., 2016), como tambm capacidade de
assumir decises que at ento ficavam apenas a cargo dos homens da famlia (Mota-
Santos, Carvalho Neto, Caeiro, Versiani, & Martins, 2016). Entretanto, nesta
pesquisa, a conquista da independência financeira é, também, fator de conflito, por
colocarem as mulheres em condição de igualdade com seus maridos ou, ainda, por
se sentirem invadindo um espaço que deveria ser, por excelência, deles. Uma das
entrevistadas, dona de uma das mais antigas e bem estabelecidas fábricas da cidade,
casada por 22 anos, atribui o fim do seu casamento a seu sucesso como empresária
e à sua independência financeira, conquistados por meio da produção de lingerie:
Às vezes eu me pergunto se não foi isso que acabou com meu casamento...
porque ao mesmo tempo... às vezes... não sei... teve uma traição e tudo... não
sei o que que foi. Às vezes eu ocupei muito meu tempo, né? Por eu trabalhar,
ns no “ficava junto”... s vezes eu me afastei um pouco... no sei... no sei, eu
que me pergunto, se eu não tive a culpa, né, às vezes (...). Só eu que dominava
tudo, só eu que sustentava tudo. (E7).
Na fala de E7, ficam evidentes traços de uma identidade ainda quase patriarcal,
na qual os lugares de poder da mulher são a casa e a maternidade, não sendo
permitido a ela conquistar poder financeiro e expandir seu campo de atuação e tomada
de decisões. Ao conquistar o espaço comercial e a independência financeira, essa
mulher compromete seu papel por excelência, de cuidados com a casa, o marido e as
crianças, e invade um espaço que seria restrito a eles. Para E7, isso passou dos
limites que o marido poderia aceitar.
As expectativas sociais sobre essas mulheres ainda recaem fortemente sobre os
cuidados com a casa, os filhos e o marido, sendo a independência financeira delas
uma novidade naquele contexto social, a qual traz sentimentos ambíguos e
reconfigurações nos arranjos familiares. Isso corrobora o que Eagly & Karau (2002)
ressaltam, que tambm no trabalho que muitos dos conflitos advindos dos
esteretipos e papis sociais vm tona, afetando as identidades socioprofissionais
dos sujeitos. Além disso, o quanto fica evidente o impacto que os esteretipos e
expectativas da sociedade e dos prprios trabalhadores acerca de suas profisses
tm sobre a construo de suas identidades (Cantarotti, 2017; Minini e Ferraz, 2015).
Relevncia do associativismo para a noção de pertencimento e
construção de identidade
Essa categoria investiga o associativismo e as relações estabelecidas, por meio
dele, pelas mulheres de Taiobeiras, bem como sua relevância na construção e
fortalecimento das identidades dessas mulheres. Tenta-se, com isso, apreender a
percepo que as mulheres tm de fazer parte de um grupo, de se apoiarem e de
tomarem decises coletivamente. Como parte dessa categoria, foram observados
fatores ligados identidade profissional e tambm em relao identidade de gnero,
ou seja, da percepo de se apoiarem enquanto empresrias, costureiras, e tambm
enquanto mulheres, as quais enfrentam desafios semelhantes em seu dia.
Cabe lembrar que Taiobeiras conta, desde 2015, com a Associao de Moda
ntima e Praia de Taiobeiras (Amip), a qual tem trabalhado o fortalecimento do
municpio enquanto polo de lingerie, por meio do fomento cultura do associativismo,
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da fora da coletividade e da cooperao, tendo reflexos na forma como as produtoras
se relacionam no dia a dia: “L mesmo na associao todo mundo muito unido,
assim, em questo de ‘ah, tou’ precisando de certo material porque o meu acabou
aqui, voc pode me emprestar?” (E6).
Nas palavras da empresária identificada como E7, antes da criação da
Associao, estava todo mundo “esparramado”, agora elas se apoiam, trocam
informações e se capacitam em grupo. Esta constatao dialoga com os achados de
pesquisa de Ettinger, Jnior, Setenta e Cavalcante (2015), que constata a fora do
associativismo na constituio de identidades coletivas e no fortalecimento do lugar
social das mulheres em pequenas comunidades.
A participao na Amip forte entre as donas de fbrica, sendo que, de todas
as empresrias entrevistadas, apenas uma no associada. presença de uma
forte rede de apoio e aprendizado, sendo fluida a troca de informaes,
compartilhamento de materiais e a participao em eventos em grupo, como feiras e
cursos de aperfeioamento. A atuao da Associao criou uma forte parceria e
conscincia de grupo, que extrapola os ganhos diretamente relacionados aos
negcios, como compra e venda de mercadorias, participao em eventos, aes de
benchmarking e gerao de laos comerciais. Formaram-se, tambm, laos de
confiana e parceria.
A dona de fbrica E8 explica como esta rede de apoio funciona:
Concorrncia existe aqui e existe em qualquer lugar. Mas o que eu olho, assim, o melhor
disso tudo a parceria. No vou dizer todas, mas tem muitas das meninas tambm que
so bem parceiras mesmo. Voc precisa de ajuda com um molde, elas ajudam. Ou com
um cliente. Voc fala “oh, ‘tou’ com tal cliente aqui, ele precisa de um produto diferente,
eu sei que voc que tem”. Entendeu? A gente faz muito essa troca. Ou at uma troca
de material, por exemplo. A gente troca muito. (...) Inclusive a gente tem at um grupo
aqui [WhatsApp]. (...) entre a gente mesmo, e como mulher at, a gente se ajuda bem.
(E8).
Na fala de E8, possvel verificar que existe uma rede de colaborao, que as
fortalece enquanto empresrias, mas tambm enquanto mulheres. Elas contam umas
com as outras para a troca de informaes, indicao de clientes, fornecedores e
emprstimo de materiais. Nesse caso ocorre, se no uma conscincia de gnero, ao
menos a percepo de que se tornam mais fortes ao se unirem umas às outras.
Pouqussimas foram as vezes, durante as entrevistas, em que essas mulheres
manifestaram qualquer tipo de crtica, anlise ou ponderao em relao a questes
relacionadas ao gnero, seja em relao ao acmulo de responsabilidades, seja a
respeito de qualquer fator de desigualdade de condies. Tampouco fizeram
ponderaes ou demonstraram reprovar alguma postura de seus maridos ou de
qualquer outro homem. De alguma forma, entretanto, percebem que precisam se unir
para se fortalecerem, criando uma rede de mulheres costurada com laos de
confiana.
Essa parceria ocorre tambm com foco no melhor atendimento ao cliente,
conforme a empresria E15 explica:
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Igual mesmo, tem a outra colega aqui na rua, assim, sempre que chega algum
aqui eu no tenho [o produto] eu mando pra ela, chega l e ela no tem, ela
manda pra mim. Se chega um cliente querendo que faz e ela no pode pegar
mais, ela manda pra mim, se eu no posso, eu mando pra ela. Que igual assim,
se chega algum l tem um suti que serve na cliente que procurou e ela “num”
tem a calcinha, ela manda a cliente vim aqui que a s vezes a cliente compra o
soutien l e compra a calcinha aqui. (E15).
Um aspecto que chama a ateno e a que muitas se referem a troca de moldes
de costura entre elas, como uma evidncia da parceria. Por diversas vezes, a questo
citada, em especial entre as donas de fbricas, mas tambm entre faccionistas,
conforme exemplos abaixo:
A gente “so” muito unidas, sabe? Assim, se precisa de alguma coisa... at um
molde, s vezes, a gente troca uma com a outra. (...) Mas tem concorrncia, tem
que ter, n? Mas a gente “so” muito unidas. Se precisa de alguma coisa... tipo,
o material faltou, voc pediu e demorou de chegar, voc vai l e pega
emprestado, depois voc devolve. Ns somos muito unidas. (E13).
s vezes, assim, a gente precisa de alguma coisa, a gente vai na casa de uma
“oh, me empresta isso?”, a pessoa empresta, n, pelo menos as que eu convivo,
n? (...) A gente se apoia. s vezes chega l em casa “oh, eu ‘tou’ precisando
de um molde, voc pode me emprestar?” eu falo “tenho, empresto”. Esses tipos
de coisa assim n?! (F17).
Quando perguntadas sobre a relao com outras mulheres da cadeia de lingerie,
várias vezes elas citaram essa troca para explicarem como se apoiam e contribuem
para o crescimento umas das outras. Esse compartilhamento de material apreendido
como um apoio s questes prticas da produo, como expresso de solidariedade
entre elas, e tambm como um smbolo de parceria, amizade e apoio: “At os ‘molde’
a gente divide, a gente troca, sabe... Aqui no tem isso [de concorrncia] no”. (E7).
Enquanto essa rede de parceria e apoio entre as donas de fbrica forte, entre
as faccionistas/trabalhadoras em domiclio, por outro lado, foi observada no s a
baixa adeso Amip (apenas uma participa da associao), como tambm uma rede
de apoio muito mais frgil ou quase inexistente. Nesse tocante, constata-se que a
realidade das mulheres de Taiobeiras converge com o que a teoria diz sobre as
mulheres que trabalham em domiclio: o enfraquecimento das possibilidades de
constiturem identidades de grupo e se fortalecerem por meio da coletividade
(Carvalhal, 2012; Enoque & Pimenta, 2005).
Uma das faccionistas atribui exatamente ao fato de ficar grande parte do dia em
casa o baixo interesse em se associar: Nem sei como que funciona direito, ‘c
entendeu? Porque eu fico mais em casa (risos). Costuro mais pra faco, ento,
eu nunca fiz questo de entrar”. (F22).
Grande parte delas desconhece ou no percebe qualquer benefcio em se
associar, talvez por no precisarem lidar diretamente com questes relacionadas ao
mercado consumidor e gesto do negcio. Também por entenderem o
associativismo apenas como um meio para acessar melhores preos e outros
mercados:
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Na verdade, assim, eu no tenho muito conhecimento. E como eu j produzo e
no tenho que vender, empresa mesmo, eu acho que, pra mim, no meu caso, eu
acho que no tem muito a ver. De repente, se eu tivesse contato com cliente,
teria mais utilidade, no sei. (F18).
Entre as trabalhadoras em domiclio, no h tambm, ao contrrio do que foi
observado com as donas de fbrica, a percepo do ganho secundrio de
fortalecimento no s da cadeia de lingerie, como tambm delas mesmas como
mulheres e trabalhadoras:
Eu nunca participei [da Amip]. Eu “num” sei como que funciona isso, nunca tive
curiosidade de participar pra” passar saber... “num” sei. Nem conheo, na
verdade eu nem conheo. J me procuraram “pra” participar assim que comeou,
n, mas s que eu “num” participei... (F17).
No caso das faccionistas de Taiobeiras, como prprio dessa modalidade de
trabalho, todo o material necessrio para sua produo entregue normalmente nas
suas casas pelas prprias donas de fbrica, seus maridos ou por funcionrios das
fbricas, os quais tambm retiram os produtos prontos para a revenda. As
trabalhadoras em domiclio, ento, no tm qualquer contato com fornecedores,
clientes ou mesmo com outras faccionistas. A exceo vlida, entretanto, quelas
que conciliam o trabalho em domiclio com empregos nas fbricas.
Perguntadas sobre o relacionamento com outras mulheres da cadeia de lingerie,
muitas tiveram dificuldade em responder ou deram respostas vagas e superficiais:
“No tenho muito tempo no ‘pra’ conversar... mas eu tenho uma relao boa ‘cs’
outras. S no tenho muito tempo ‘pra’ sentar e conversar com elas. (...) fico muito em
casa...” (F11). “Assim...  difcil eu ver elas [outras costureiras]...” (F12).
No possvel inferir, a partir dos dados desta pesquisa, se a baixa interao
entre as faccionistas se deve ao modelo de trabalho em domiclio, ou mesmo concluir
o oposto, que, em um ambiente propcio ao empreendedorismo, mantiveram-se em
trabalhos mais precrios aquelas que no possuam previamente uma rede forte de
relacionamentos.
Da mesma forma, não se pode afirmar se o sucesso das fábricas é resultado da
capacidade de suas gestoras em estabelecer fortes laços de parceria ou, ao contrário,
se foi o trabalho que impulsionou as interações, fortalecendo a rede de apoio. O que
se pode depreender é que há uma diferença evidente entre os dois grupos no que diz
respeito à percepção de si mesmas como parte de uma coletividade. Essa percepção
pode emergir tanto pela consciência de uma identidade de gênero quanto por
necessidades comerciais, ou ainda por uma combinação de ambos, refletindo
diferentes dimensões da experiência compartilhada por essas mulheres
trabalhadoras. A Tabela 1 apresenta uma síntese dos principais resultados do estudo.
Tabela 1 - Síntese dos resultados
Categoria
Faccionistas
Empreendedoras
O trabalho como fonte de
pertencimento
As faccionistas, principalmente
as que trabalham apenas em
domicílio, demonstram maior
dificuldade em expressar
As empreendedoras
apresentam maior senso de
pertencimento, sensação de
utilidade, produtividade,
valorização, reconhecimento
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autoestima e identidade
autônoma.
social e autoconhecimento por
meio do trabalho.
O trabalho como
desenvolvimento pessoal e
equilíbrio emocional
As faccionistas destacam o
trabalho como um meio de
superação pessoal e
socialização, ajudando-as a
vencer a timidez e desafios
emocionais.
As empreendedoras percebem
o trabalho como um elemento
de equilíbrio emocional e
conquista de status social,
tornando-se referências de
sucesso.
O trabalho como
possibilidade de autonomia
financeira
As faccionistas valorizam o
trabalho como meio de
sustento e melhoria de vida.
Porém, a maioria ainda concilia
suas atividades com as
responsabilidades domésticas.
As empreendedoras tornam-se
referências de sucesso e
autonomia, assumindo a
gestão do próprio dinheiro e
ganhos para família. Contudo,
elas se deparam com conflitos
conjugais ao desafiarem
normas patriarcais de gênero
Relevncia do
associativismo para a noção
de pertencimento e
construção de identidade
As faccionistas que trabalham
em casa têm pouca ou
nenhuma interação com a
associação, limitando sua
percepção de pertencimento e
seus relacionamentos. Sua
rede de contato é frágil ou
inexistente.
As empreendedoras participam
ativamente da associação,
beneficiando-se de redes de
apoio, troca de materiais e
fortalecimento coletivo.
Fonte: Elaboração própria (2025).
Conclusões
Este trabalho fez parte de uma pesquisa mais ampla sobre mulheres
(faccionistas e empreendedoras) de um pequeno município produtor de moda íntima
no norte de Minas e teve como objetivo compreender o trabalho como fonte de
desenvolvimento pessoal, pertencimento e espaço de constituição de identidades
dessas mulheres. Como parte da compreensão de suas identidades, destacou-se a
relevância do associativismo na constituição da noção de pertencimento e de grupo.
Também se investigou a dimensão financeira enquanto fator importante na construção
e reconfiguração de suas identidades, uma vez que, ao conquistarem sua
independência financeira, passaram a questionar também suas relações conjugais e
sociais, bem como sua capacidade de tomada de decisões.
Por meio da pesquisa, percebeu-se que a relação das empreendedoras e das
faccionistas com o trabalho perpassa a dimensão do pertencimento. Quando se
compararam as realidades das faccionistas e das empreendedoras, observou-se a
presença de pertencimento e valor social por meio do trabalho, entretanto, isso ficou
mais evidente entre as empreendedoras.
Uma outra categoria acerca da identificação das entrevistadas com o trabalho
une dois aspectos intrinsecamente relacionados: o primeiro a percepção deste como
impulsor de seu desenvolvimento pessoal, o que as torna mais aptas não apenas ao
desenvolvimento do trabalho, mas também para se relacionarem com outras pessoas
e se posicionarem frente a novos desafios. O segundo, um desdobramento do
primeiro, o trabalho como fonte de sentido para suas vidas. Esses dois aspectos, ainda
que com nuances diferentes, aparecem tanto quando se fala das faccionistas, quanto
quando se fala das empresárias.
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GESTÃO & CONEXÕES - MANAGEMENT AND CONNECTIONS JOURNAL, VITÓRIA (ES), V. 15, N. 1, DE 2026.
Outra dimensão foi em relação ao quanto as conquistas financeiras impulsionam
mudanças nas relações conjugais e sociais dessas mulheres. Ao se desenvolverem e
conquistarem ganhos financeiros, alcançam visibilidade e respeito social.
Principalmente, quando se fala das donas de fábrica que se tornaram referência de
mulheres bem-sucedidas. Entretanto, a dimensão financeira extrapola as conquistas
materiais, ficando também evidente quando dizem da possibilidade de oferecerem um
presente e um futuro confortáveis para seus filhos, proporcionado pelos ganhos com
a costura.
A questão da autonomia é evidente no caso das donas de fábrica. Elas relatam
fazer viagens juntas para feiras e eventos, tomar decisões sozinhas sobre a condução
do negócio e mostram uma postura de modo geral bastante proativa e otimista. Por
sua vez, entre as trabalhadoras em domicílio, observou-se uma postura um pouco
mais transigente em relação a se manterem subjugadas ao poder financeiro dos
maridos, o que vem junto de maior esforço para conciliarem o trabalho e a manutenção
de responsabilidades tradicionalmente atribuídas à mulher.
Outro ponto de destaque é que, enquanto a rede de parceria e apoio entre as
donas de fbrica forte, entre as faccionistas/trabalhadoras em domiclio, foi
observada no s a baixa adeso, como tambm uma rede de apoio muito mais frgil
ou quase inexistente. A partir desse aspecto, no foi possvel inferir, a partir dos dados
desta pesquisa, se a baixa interao entre as faccionistas se deve ao modelo de
trabalho em domiclio, ou mesmo concluir o oposto, que, em um ambiente propcio ao
empreendedorismo, mantiveram-se em trabalhos mais precrios aquelas que no
possuam previamente uma rede forte de relacionamentos. Tampouco foi possvel
dizer se as fbricas bem-sucedidas o so devido capacidade de suas gestoras em
criar fortes laos de parceria, ou se o contrário se deu: o fortalecimento de uma rede
de apoio a partir das interações impulsionadas pelo trabalho. O que se observou, foi
a notria diferena entre os dois grupos no que diz respeito a se perceberem enquanto
parte de uma coletividade.
A relevância deste estudo está em discutir a realidade de um contexto
socioeconômico com desafios específicos e em apontar as diferenças de
possibilidades e desafios do trabalho feminino relacionados a dois grupos,
empreendedoras e faccionistas, além de aprofundar a discussão sobre identidade no
trabalho e pertencimento. Às pesquisas futuras, sugerem-se novos estudos sobre
identidade e gênero, que ampliem a escuta a outros envolvidos, como funcionrios,
familiares, clientes, entre outros, possibilitando novos olhares para as questes.
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