GUSTAVO SILVEIRA DE OLIVEIRA, CAROLINA SEVERINO LOPES DA COSTA, ALINE ESTHER MORETTO CARBINATTO 133
A evolução do conceito de liderança é amplamente evidenciada na literatura (por
exemplo, DAY et al., 2014). Ele evolui de abordagens centradas no líder, suas
habilidades e traços de personalidade, para abordagens mais atuais que veem a
liderança como uma relação interpessoal entre líder e seguidor; não apenas uma
relação, mas uma que deve ser autêntica, na qual o líder genuinamente se importa
com seu seguidor e o envolve na tomada de decisões.
Paralelamente a essa evolução, também ocorreram mudanças significativas no
mundo corporativo na chamada quarta revolução industrial, onde o ambiente é volátil,
incerto, complexo e ambíguo, exigindo, portanto, características de liderança mais
flexíveis e colaborativas que lidem adequadamente com a complexidade do mundo
contemporâneo. Pesquisadores da área devem estar atentos à transformação do
conceito de liderança, que é um constructo dinâmico sujeito a mudanças influenciadas
por cultura e transformações de valores geracionais, entre outros.
O estudo evidenciou que, apesar das diferenças ontológicas entre mulheres e
homens que impactam seus padrões discursivos, o cenário atual favorece, tanto na
visão dos homens quanto na visão das mulheres, a valorização, para o exercício da
liderança, do conjunto de habilidades interpessoais tão característico do gênero
feminino, tratado como características “comunitárias” em estudos de estereótipos de
gênero. Em conclusão, isso nos leva a acreditar que a lacuna apontada pela Teoria
da Congruência de Papéis de Eagly e Karau (2002) pode estar se fechando. Portanto,
este estudo destaca uma mudança nas perspectivas de liderança e o papel que as
mulheres podem desempenhar no cenário corporativo atual e futuro.
Em relação à motivação, observa-se que o nível de motivação entre homens e
mulheres apresenta valores semelhantes, sendo até mais elevado entre as mulheres.
Ambos os gêneros se sentiram valorizados e respeitados em relação às suas opiniões.
As razões apresentadas por aqueles que não se consideraram valorizados ou
escutados não estavam, de modo geral, relacionadas a questões de gênero, mas a
fatores como falta de tempo, conhecimento, menor dedicação e outros aspectos
pessoais ou de personalidade. Portanto, o estudo mostra que o nível de motivação
das mulheres não é necessariamente inferior na presença de estereótipos de gênero.
Essa análise remete à complexidade e à força do ser humano, que consegue se
adaptar às condições mais adversas e ainda encontrar sentido e razões para ser,
como apontado por Frankl (1966). De fato, o presente estudo mostrou que as
mulheres apresentam altos níveis de motivação para desempenhar papéis de
liderança dentro da equipe, mesmo em situações em que há comportamentos
estereotipados em relação ao gênero. A perspectiva proposta é que os estereótipos
de gênero podem, de fato, condicionar alguns sentimentos e comportamentos das
mulheres nas organizações. No entanto, eles não os determinam, havendo sempre
liberdade e possibilidade de superação.
Além disso, a análise mostra que a questão da motivação é muito mais complexa
e depende de muitos outros fatores, talvez mais importantes do que as questões de
gênero. Essa afirmação não tem a intenção de desconsiderar a influência das
questões de gênero na motivação das mulheres nas organizações, mas de oferecer
uma perspectiva mais otimista ao perceber que baixos níveis de motivação podem ter
outras causas, como falta de conhecimento, de recursos para realizar bem o trabalho
ou de tempo para se dedicar como desejariam, evidenciadas neste estudo, além de
GESTÃO & CONEXÕES - MANAGEMENT AND CONNECTIONS JOURNAL, VITÓRIA (ES), V, 15, N. 1, DE 2026.