SAMARA SIMON SCHMOOR, TAINARA DOS REIS DA SILVA, CARLOS RAFAEL BOGDEZEVICIUS, ATTAWAN GUERINO LOCATEL SUELA 140
Introdução
A população, nacional e mundialmente, atualmente sofre com o aumento
considerável de doenças físicas e psicológicas, provenientes de causas genéticas e
de influências externas. Um desses males é a obesidade, classificada pela
Organização Mundial de Saúde - OMS como o excesso de gordura corporal que pode
acarretar prejuízos ao organismo (World Health Organization, 2020).
Podendo surgir por fatores genéticos, emocionais ou ligados ao estilo de vida, a
obesidade se constitui como um problema de saúde pública e envolve outros
expoentes, como a ingestão de alimentos com alto teor de gordura e açúcar, a falta
de atividades físicas e o excesso do tempo despendido em redes sociais e aparelhos
eletrônicos (Neves, Rodrigues, São Bento & Minayo, 2021; Santos et al., 2025a).
Atrelado a isso, evidencia-se que as redes sociais se consolidaram como a
maneira mais rápida e disseminada para comunicação e troca de informações,
mostrando utilidade ainda no mundo do marketing e dos negócios (Kotler, Kartajaya,
Setiawan, 2017; Agusiady, Saepudin, Aripin, 2024; Duffett & Maraule, 2024). Em
especial, o Instagram, uma plataforma digital com crescimento acelerado
comprovado, e oferece várias opções de compartilhamento de imagens e vídeos
(Costa & Brito, 2020; Silva & Suela, 2024; Santos et al., 2025b).
Mesmo com abrangência e benefícios, o Instagram tem, em suas diretrizes, um
viés oculto de discriminação em relação a alguns grupos minoritários, sem punir e
retirar veementemente, por exemplo, comentários/perfis gordofóbicos, que acabam
por expor e ridicularizar corpos obesos (Natividade & Costa, 2021; Peters, 2022;
Santos et al., 2025c). Este público então busca quebrar tais barreiras de expressão e
inclusão, visando fortalecer sua autoimagem, alavancar suas possibilidades de
influência na rede social, e ainda cunhar a força de novos nichos de mercado através
do marketing no Instagram.
Nesse processo de luta e empoderamento, vem à tona a moda plus size.
Caracterizado como o mercado que atende o público de vestuário acima do 44, o
termo plus size surgiu em 1922 e nos anos seguintes foi sendo implementado, a
passos lentos, no mercado da moda mundial (Büttner & Strehlau, 2022). Porém, a
verdadeira explosão desse nicho está atrelada ao aumento da obesidade, fortemente
evidenciado ao longo das duas últimas décadas, uma vez que a demanda expandiu e
as marcas visualizaram que a questão de saúde pública havia se tornado um fator
determinante a ser abordado no ramo da moda (Favero & Vieira, 2020; Peters, 2022).
A responsabilidade social empresarial tem um papel fundamental na promoção de um
ambiente mais inclusivo e saudável, especialmente quando se trata de saúde e bem-
estar de pessoas obesas, e a moda plus size emerge como um exemplo prático e
relevante dessa abordagem. Além de oferecer produtos que melhor se ajustem às
necessidades das pessoas com corpos maiores, as empresas têm a oportunidade de
apoiar uma imagem corporal positiva e combater a discriminação, fomentando a
aceitação e o respeito às diferenças (Vilela Júnior & Demajorovic, 2020; Lopes &
Demajorovic, 2020; Christino, Paula, Ferreira, 2023).
Acompanhando assim o aumento da obesidade, o advento do marketing digital,
e o espaço que as redes sociais ganharam na vida da população, percebeu-se no
Instagram a possibilidade de crescimento para o mercado plus size, a necessidade de
GESTÃO & CONEXÕES - MANAGEMENT AND CONNECTIONS JOURNAL, VITÓRIA (ES), V. 15, N. 1, DE 2026.