O uso indiscriminado do termo ‘psicopata’ pelos meios de comunicação digitais aplicado a adolescentes em conflito com a lei
DOI:
https://doi.org/10.47456/rbps.v27i1.44670Palavras-chave:
Transtorno de Personalidade Antissocial, Adolescente, Mídia, Estigma SocialResumo
Introdução: A sensacionalização da terminologia “psicopata” e a mídia digital mantém uma relação direta com a curiosidade mórbida da população em casos criminais e, quando aplicada a crianças e adolescentes, observa-se a quebra do sigilo e da proteção assegurados por lei. Objetivo: Este trabalho, por conseguinte, teve como objetivo compreender a relação de influência da mídia digital nos casos de menores infratores e a utilização do termo sensacionalista “psicopata”, considerando a existência de pré-diagnóstico de profissionais da saúde mental. Métodos: Trata-se de pesquisa qualitativa, descritiva e analítica, de desenho misto, articulando uma revisão narrativa da literatura e a análise documental de vídeos de domínio público. Resultados: Entende-se que a causa da psicopatia é inconclusiva no meio científico, mas a Psicologia dispõe de meios científicos avaliativos para o diagnóstico confiável. Fugindo do senso comum, é importante a noção que tal diagnóstico deve ser conduzido por profissionais qualificados, sendo encarregados, da mesma forma, do acompanhamento do adolescente e da família de forma preventiva ou após o cometimento do ato infracional, os quais são essenciais para o melhor resultado do caso. Conclusão: A conscientização da população e dos profissionais de jornalismo, sobre a estigmatização que o adolescente em conflito com a lei sofre ao ser atribuído com um diagnóstico tão complexo precisa ser trabalhada para evitar a reincidência criminal e o comprometimento evolutivo dessas crianças e adolescentes.
Downloads
Referências
American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.
Davoglio TR, Gauer GJC, Jaeger JVH, Tolotti MD. Personalidade e psicopatia: implicações diagnósticas na infância e adolescência. Estud Psicol (Natal). 2012;17(3):453-60.
Brasil. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências [Internet]. Brasília: Diário Oficial da União; 1990 [citado 2023 out 21]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069compilado.htm
Lakatos EM, Marconi MA. Metodologia do trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 8ª ed. São Paulo: Atlas; 2017.
Da Silveira M, Kern C. As características do psicopata desde a infância contadas por seus familiares. Rev Soc Psicol Rio Gd Sul. 2017;6(1):78-84.
De Sena D. Fatores biopsicossociais que influenciam o desenvolvimento da psicopatia [trabalho de conclusão de curso]. Uberaba: Universidade de Uberaba; 2022.
São Judas. Pesquisa & Ação: psicopatia infantil [vídeo na internet]. YouTube; 2023 set 15 [citado 2024 maio 23]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UJjJGh78CyA
RenovadaMente. Crianças psicopatas são muito perigosas [vídeo na internet]. YouTube; 2023 jun 22 [citado 2024 maio 23]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ic4jaKzlhdk
Dr Franz Fernandes. Identificando a psicopatia infantil [vídeo na internet]. YouTube; 2023 maio 13 [citado 2023 set 16]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=y__DW_HfUj4
Leão NC. Incríveis infratores: adolescentes estigmatizados em encontro com a Gestalt-terapia. Rev Abordagem Gestalt. 2007;13(1):51-61.
Müller-Granzotto MJ, Müller-Granzotto RL. Clínicas gestálticas: sentido ético, político e antropológico da teoria do self. São Paulo: Summus; 2010.
Hauck Filho N, Teixeira MAP, Dias ACG. Psicopatia: o construto e sua avaliação. Aval Psicol [Internet]. 2009 [citado 2023 mar 6];8(3):337-46. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712009000300006&lng=pt&nrm=iso
Antony S. A clínica gestáltica com adolescentes: caminhos clínicos e institucionais. São Paulo: Summus; 2013. O adolescente com transtorno de conduta: a carência afetiva atrás da violência; p. 115-50.
Barbosa C, et al. A construção da personalidade psicopática em crianças: uma revisão da literatura. In: Interfaces da saúde mental: parâmetros e desafios. Campo Grande: Inovar; 2020. p. 70-7.
Fatos Desconhecidos. 6 casos aterrorizantes de crianças psicopatas [vídeo na internet]. YouTube; 2016 jul 19 [citado 2024 maio 23]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=NLTOhrDSLaw
Monteiro M. Fatores que contribuem para a formação de uma personalidade psicopática em crianças e adolescentes: uma análise neurológica e social. Rev Psicol Criança Adolesc. 2016;7:365-76.
Receitas Psi. O que é a psicopatia infantil? (como identificar?): momento psi [vídeo na internet]. YouTube; 2022 maio 26 [citado 2024 maio 23]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dceEjjaTy3g
Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 [Internet]. Brasília: Diário Oficial da União; 1988 [citado 2024 maio 23]. Disponível em: https://legis.senado.leg.br/norma/579494
Rios D. Crianças e adolescentes psicopatas: transtorno de conduta e suas punições [trabalho de conclusão de curso]. São Mateus: Faculdade Vale do Cricaré; 2019.
Góes J. Jornalismo sensacionalista: a construção de uma esfera pública limitada. In: Anais do 5º Congresso da Compolítica; 2013 maio 8-10; Curitiba, Brasil. Curitiba: Compolítica; 2013.
Santos L. Crimes midiáticos: os reflexos do sensacionalismo da mídia no tribunal do júri [trabalho de conclusão de curso]. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie; 2021.
Lacerda J. Análise crítica acerca da influência da mídia no processo criminal [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro; 2013.
Paes PCD, Amorim SMF. Adolescentes em conflito com a lei: fundamentos e práticas da socioeducação. Campo Grande: UFMS; 2010. (Série Programa Escola de Conselhos).
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Débora Teixeira da Cruz, Gabriela Vitória Pereira Bombonatto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista Brasileira de Pesquisa em Saúde (RBPS) adota a licença CC-BY 4.0, o que significa que os autores mantêm os direitos autorais de seus trabalhos submetidos à revista. Os autores são responsáveis por declarar que sua contribuição é um manuscrito original, que não foi publicado anteriormente e que não está em processo de submissão em outra revista científica simultaneamente. Ao submeter o manuscrito, os autores concedem à RBPS o direito exclusivo de primeira publicação, que passará por revisão por pares.
Os autores têm autorização para firmar contratos adicionais para distribuição não exclusiva da versão publicada pela RBPS (por exemplo, em repositórios institucionais ou como capítulo de livro), desde que seja feito o devido reconhecimento de autoria e de publicação inicial pela RBPS. Além disso, os autores são incentivados a disponibilizar seu trabalho online (por exemplo, em repositórios institucionais ou em suas páginas pessoais) após a publicação inicial na revista, com a devida citação de autoria e da publicação original pela RBPS.
Assim, de acordo com a licença CC-BY 4.0, os leitores têm o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial;
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença. De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de maneira alguma que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.