Antropologia da toxicidade
mundos mais-que-humanos após o desastre
Resumo
Este trabalho, investiga a toxicidade do solo após o rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015, a partir do diálogo com cientistas do solo e da etnografia em laboratório. Apoiada pelos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), pela crítica feminista e pelas etnografias multiespécies, a pesquisa analisa como se constroem narrativas científicas e institucionais sobre a presença ou não de toxicidade em ambientes e corpos. Os resultados iniciais indicam que o problema não se restringe à contaminação química por metais pesados: os rejeitos, ao endurecerem, alteram a estrutura física do solo, criando os chamados “tecnossolos” – híbridos instáveis entre rejeito e solo original. Nesses contextos, fungos micorrízicos arbusculares surgem como agentes regenerativos, restaurando parcialmente a vitalidade subterrânea. Compreender a toxicidade exige vê-la não apenas como dado técnico, mas como processo que reorganiza ecologias, temporalidades e mundos possíveis.

