Cosmotécnicas Ayahuasqueiras
alianças vegetais e experimentação etnográfica em contextos urbanos
Resumo
Este trabalho é fruto de uma pesquisa de doutorado em andamento que se debruça sobre as cosmologias e as cosmotécnicas implicadas em rituais ayahuasqueiros urbanos. A questão central que orienta a pesquisa consiste em indagar quais conhecimentos se articulam, quais entram em disputa nos processos de ressignificação dos rituais ayahuasqueiros em contextos urbanos. Busca-se, ainda, problematizar o próprio experimento etnográfico, interrogando as possibilidades de tradução — e os equívocos inevitáveis — envolvidos na tentativa de etnografar experiências inefáveis que escapam à linguagem.O objetivo geral é investigar de que modo as alianças com vegetais operam como cosmotecnologias de mediação e produção de conhecimento. O estudo dialoga com perspectivas do multinaturalismo e do anarquismo ontológico. A noção de vegetalismo (Luna, 1986) é retomada como chave analítica para reposicionar as plantas-mestras como entidades ativas relacionais e dotadas de agência, capazes de afetar e serem afetadas. Metodologicamente, a pesquisa adota o experimento etnográfico, concebendo o campo não como um dado prévio, mas como uma prática de copresença e abertura, tecida por intra-ações (Barad, 2017), agenciamentos e alianças multiespécies com outros-que-humanos. Em fase exploratória, o estudo investe na construção de ferramentas conceituais e sensíveis que possam sustentar uma futura imersão em campo, propondo uma etnografia colaborativa, responsiva e orientada por um exercício de desaprendizagem, no qual o conhecimento é concebido como tarefa compartilhada com espécies companheiras.

