Microtrabalho de mulheres autistas no Tiktok

atomização do freakshow moderno

Autores

  • Gabriela Pereira da Silva Universidade Federal do Espírito Santo
  • Maria Cristina Dadalto

Resumo

Esta comunicação analisa o microtrabalho realizado por mulheres autistas na plataforma TikTok, compreendendo atividades como produção de vídeos, marketing de afiliados e outras ocupações como um fenômeno sociotécnico marcado pela espetacularização e precarização da deficiência. No cenário brasileiro, onde 85% dos autistas adultos estão desempregados, as plataformas digitais surgem como alternativas flexíveis de renda, mas que mascaram a exploração e a ausência de direitos. A pesquisa utiliza abordagem bibliográfica e observação não-participante em um grupo de mensagens instantâneas para investigar como a experiência dessas mulheres é transformada em capital algorítmico. O objetivo geral é analisar como o TikTok transforma a experiência cotidiana de mulheres autistas em precarização do microtrabalho, articulando esse fenômeno aos conceitos de cultura por Marshall Sahlins (1976), economia psíquica dos algoritmos (Bruno, Bentes e Falley, 2019), sociedade do espetáculo (Debord, 1967) e Internet 3E (Hine, 2015). Os resultados revelam que as mulheres autistas pertencem a dois grupos: as influencers que usam a bandeira do autismo como forma de engajamento, promoção do espectro e divulgação entre seus seguidores no Tiktok, e outro grupo que usa a plataforma como uma fonte de renda extra, alimentando os algoritmos de forma anônima. Os resultados demonstram que a deficiência é explorada como persona para entretenimento e alimentação algorítmica. A economia psíquica e a lógica do espetáculo explicam a transformação da existência em matéria-prima. A atuação da mulher autista é reduzida ao átomo, unidade mínima de trabalho, onde sua vida cotidiana e subjetividade são integralmente incorporadas como capital para a economia algorítmica contemporânea.

Biografia do Autor

  • Gabriela Pereira da Silva, Universidade Federal do Espírito Santo

    Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) – Brasil

  • Maria Cristina Dadalto

    Doutora em Ciências Sociais e docente do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) – Brasil

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Publicado

09-04-2026