Triazóis derivados do timol: Síntese e avaliação fungicida para o controle da podridão no mamoeiro
Abstract
RESUMO: O setor agrícola é uma das principais bases para o desenvolvimento da economia brasileira,
através da produção e exportação dos produtos gerados com suas atividades. O mamão é um fruto que
detém grande valor econômico no Brasil, em especial no Espírito Santo, estado que está entre os maiores
produtores brasileiros do fruto. Entretanto, diversas problemáticas são enfrentadas durante seu cultivo,
como o acometimento por fitopatógenos, especialmente de origem fúngica. O apodrecimento de caules
e frutos, causada pelo fungo Fusarium solani, é responsável por levar a perdas expressivas na produção
e comercialização da cultura do mamoeiro. O controle dessa fitopatologia é realizado,
predominantemente, por meio da aplicação de fungicidas comerciais que, embora apresentem elevada
eficácia, seu uso indiscriminado compromete o manejo, além de gerar resíduos tóxicos que representam
riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Nesse contexto, os 1,2,3-triazóis, conhecidos por sua ampla
bioatividade, destacam-se por suas aplicações agroquímicas, especialmente pela ação antifúngica,
configurando-se como uma alternativa promissora no enfrentamento de cepas de fungos. Dessa maneira,
o presente trabalho teve como objetivo sintetizar três 1,2,3-triazóis inéditos (1a-1c) a partir do timol, um
fenol natural, e avaliar sua atividade antifúngica frente ao F. solani. Os novos compostos foram
sintetizados por meio de três etapas simples e de fácil execução, cujo a principal etapa foi a reação click
chemistry. Os compostos (1a, 1b e 1c) foram obtidos com rendimentos de 51%, 61% e 57%,
respectivamente, e suas estruturas químicas foram confirmadas via Infravermelho e Ressonância
Magnética Nuclear de 1H e 13C. Na avaliação da atividade antifúngica a partir da inibição do crescimento
de F. solani, os triazóis foram testados em concentrações variadas entre 300 µg/mL e 0,58 µg/mL. Os
fungicidas comerciais Tebuconazol e Tiabendazol foram utilizados como controle positivo e os ensaios
foram feitos em duplicata. O composto 1b apresentou forte atividade inibitória frente ao fungo,
constatada através do baixo valor de Concentração Inibitória Mínima (CIM), de 1,17 µg/mL,
significativamente inferior ao controle positivo tiabendazol (7,00 µg/mL). Apesar da atividade
antifúngica relatada na literatura para compostos triazólicos, especialmente aqueles contendo grupos
fluorados, os compostos 1a e 1c não apresentaram atividade frente ao patógeno avaliado, ao contrário do
observado para o composto 1b. Essa diferença nos resultados pode estar associada à posição do grupo
trifluorometila (–CF₃) no anel benzênico dos derivados. No caso do triazol 1b, a presença deste grupo na
posição meta pode favorecer a interação do triazol com o sítio ativo do alvo biológico, promovendo
ligações de hidrogênio, interações π–π ou dipolo-dipolo mais eficazes. Por outro lado, para os triazóis 1a
e 1c, a posição do grupo pode gerar impedimentos estéricos que dificultam a interação do composto com
os alvos presentes na membrana celular do fungo, comprometendo sua atividade antifúngica. Nesse
sentido, o triazol 1b mostra-se como um potencial agente antifúngico para o controle da podridão no
mamoeiro, fazendo-se necessária ainda a realização de investigações adicionais com testes in vivo a fim
de melhor compreender sua atividade inibitória e seu mecanismo de ação nos sítios enzimático de F.
solani.
Palavras-chave: Fenol natural; Click chemistry; Fusarium solani; mamão.
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