β-glicosidase como indicador de manejo em cafezais comerciais do Cerradomineiro

Autores/as

  • Maria Eduarda da Silva Valadão
  • Ingrid Alves Moraes Capucho
  • Rayner Hugo Cassa Louzada dos Reis
  • Erick Picoli Crisanto
  • Diego Lang Burak

Resumen

RESUMO: O papel dos microrganismos é fundamental para a ciclagem e manutenção de nutrientes
provenientes da decomposição da matéria orgânica, principal fonte de carbono e energia para os
microrganismos. Microrganismos exercem intensa atividade funcional por meio da síntese de enzimas de
vários grupos, incluindo das β-glicosidases, modulando os teores de carbono orgânico e a biomassa microbiana
do solo, sendo potenciais indicadoras das mudanças no uso, manejo e qualidade dos solos. A β-glicosidase
(BG) catalisa a clivagem de ligações β-1,4 na celulose, liberando açúcares que alimentam a microbiota e
participam da formação de agregados estáveis. Por esse vínculo estreito com a ciclagem de carbono, BG é
considerada marcador sensível de qualidade do solo; contudo, evidências em lavouras comerciais de Coffea
arabica ainda são escassas. Assim, o presente estudo teve como objetivo a verificar se a BG discrimina
tecnologias de manejo contrastantes em solos de cafezais do Cerrado mineiro. O estudo foi conduzido em
campo em áreas comerciais no Cerrado mineiro. Foram avaliados 24 tratamentos (T1–T24) distribuídos entre
quatro protocolos comerciais: KIMB (T1–T5; ácidos orgânicos + bioestimulantes), BIO (T6–T10; ácidos
húmicos/fúlvicos), ARK P (T11–T18; fosfato organomineral) e BIOTA (T19–T24; inoculante microbiano).
Amostras de solo (0–10 cm) foram coletadas em quatro repetições por tratamento (n = 96). A BG foi
quantificada colorimetricamente pela liberação de p-nitrofenol (µg PNF g⁻¹ h⁻¹). A β-glicosidase foi
quantificada colorimetricamente pela liberação de p-nitrofenol (µg PNF g⁻¹ solo hora⁻¹). Os dados foram
avaliados normalidade, homogeneidade de variância, e submetidos a ANOVA e as médias foram comparadas
pelo teste de Tukey (α<0,05) no software Sisvar. A atividade de BG variou de 87,6 µg PNF g⁻¹ h⁻¹ (T13,
ARKOPHOS) a 243,5 µg PNF g⁻¹ h⁻¹ (T19, BIOTA), representando um gradiente de 2,8 vezes. A inoculação
microbiana da BIOTA elevou a BG ao máximo, evidenciando maior atividade celulolítica e provável
incremento de carbono lábil na rizosfera. Os húmicos da BIOFOL promoveram ganho intermediário, enquanto
o organomineral fosfatado isolado mostrou a menor resposta, confirmando que suprimento de P sem carbono
prontamente disponível não impulsiona a ação microbiana de degradação de resíduos. A ordem média de
eficiência foi BIOTA > BIO ≈ KIMB > ARK P. A BG distinguiu claramente os extremos de manejo, validandoa como bioindicador em sistemas cafeeiros. Estratégias que combinam microrganismos e carbono
biodisponível aceleram a ciclagem de C, potencializando a liberação de N, S e micronutrientes. Para avaliações
detalhadas, recomenda-se integrar β-glicosidase a outras hidrolases (arilsulfatase, fosfatase) em um índice
multienzimático de qualidade do solo.
Palavras-chave: Enzimas do solo; Atividade microbiana; Cafeicultura sustentável.

Publicado

2025-06-23