Teores de glomalina facilmente extraível em cafeeiros sob diferentes manejos

Autores

  • Maria Eduarda da Silva Valadão
  • Ingrid Alves Moraes Capucho

Resumo

RESUMO: A glomalina é uma glicoproteína produzida por fungos micorrízicos arbusculares e tem sido
proposta como bioindicador rápido da qualidade/saúde do solo, pois se associa à formação de agregados,
estabilidade estrutural, sequestro de carbono e imobilização de elementos potencialmente tóxicos. Entretanto,
há pouca informação sobre seu comportamento em áreas comerciais de café, onde os manejos variam entre
tecnologias empregadas. Assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar se a concentração de glomalina
discrimina manejos contrastantes café arábica em áreas comerciais em Minas Gerais. Foram coletadas amostras
de solo (0–10 cm) em 24 tratamentos definidos: (i) KIMB (T1–T5), (ii) BIO (T6–T10), (iii) ARK P (T11–T18)
e (iv) TIM (T19–T24). Respectivamente, as tecnologias aplicadas foram: (i) fertilizante fosfatado com matriz
orgânica e química (organomineral); (ii) ácidos orgânicos; (iii) nutrição em solo e folha com ácidos orgânicos,
bioestimulantes e indutores de resistência; (iv) fertilizantes químicos. Cada tratamento foi amostrado em
duplicata em dois talhões (n = 96). A glomalina facilmente extraível foi extraída por citrato de sódio em
autoclave (121°C, pH 7,2) e determinada colorimetricamente. Os dados foram avaliados normalidade,
homogeneidade de variância, e submetidos a ANOVA e ao teste de Tukey (α<0,05) no software Sisvar. A
concentração de glomalina foi semelhantes entre as áreas, mas foi maior quando se aplicou fertilizante
organomineral. Embora o P solúvel possa reduzir a micorrização, o fosfato organomineral do protocolo ARK
P libera P gradualmente e agrega carbono lábil, fatores que mantêm ou mesmo estimulam colonização fúngica.
Os resultados indicaram maior acúmulo de glomalina nos tratamentos 1 a 5, com concentração média de 202
µg g-1
solo, ao passo que o pior desempenho foi verificado para o manejo exclusivo com fertilizantes químicos
(T21 e T23, 61 µg g-1
solo). Esse aumento da presença de glomalina no manejo com organomineral sugere
uma melhor estruturação do solo, substrato aos microrganismos do solo e maior atividade destes, logo, maior
produção de proteínas extracelulares. Os tratamentos T6 a T9 e T11 a 24 diferiram estatisticamente em relação
ao manejo com organomineral, com médias inferiores a 90 µg g-1
solo. Diante disso, a glomalina é
suficientemente sensível para distinguir estratégias de fertilização/biológicas adotadas nas áreas estudadas.
Assim, a glomalina mostrou-se um bioindicador robusto para diferenciar manejos em cafezais e pode ser útil
para monitoramento do solo. Estudos futuros integrarão glomalina a outros bioindicadores para verificar de
forma abrangente a qualidade de solo em sistemas cafeeiros.
Palavras-chave: Cafeicultura; Bioindicadores do solo; Agricultura sustentável.

Publicado

2025-06-23