Avaliação de antifúngicos naturais e compostos bioativos no controle damancha-preta do mamoeiro
Resumen
RESUMO: A incidência de doenças fúngicas em culturas agrícolas pode prostrar-se como uma ameaça à
produção global, causando severas perdas econômicas e impactos negativos aos índices de exportação de
diferentes insumos, como o mamão. Dentre essas doenças, a mancha-preta, causada pelo fungo Asperisporium
caricae, é reconhecida por gerar prejuízos significativos à cultura do mamoeiro, motivando a busca por
alternativas naturais aos defensivos agrícolas convencionais. Os óleos essenciais (OEs), consolidam-se como
uma alternativa promissora no manejo de doenças fúngicas, sendo ricos em metabólitos secundários bioativos
que podem contribuir significativamente para o controle de patógenos agrícolas, como A. caricae. Este trabalho
teve como objetivo avaliar a ação de OEs de Cinnamomum verum (canela, OEC), Syzygium aromaticum
(cravo-da-índia, OES), Origanum vulgare (orégano, OEO) e Thymus vulgaris (tomilho, OET), além de seus
constituintes majoritários, carvacrol (CAR) e eugenol (EUG), na inibição da germinação de esporos de A.
caricae e na redução da doença em frutos de mamão no pós-colheita. A coleta dos frutos contaminados foi
feita na Área Experimental da Universidade Federal do Espírito Santo. Para os ensaios in vitro, os OEs foram
inicialmente testados na concentração de 1000 µg mL⁻¹, sendo selecionados para as próximas etapas apenas
aqueles que apresentaram inibição superior a 95% na germinação dos esporos. O fungicida comercial Tecto®
foi utilizado como controle positivo. Nesta avaliação inicial, OET (23,93% de CAR) apresentou baixa
atividade, enquanto OEO (67,67% de CAR), CAR e EUG inibiram completamente a germinação dos esporos
fúngicos. Por outro lado, OES (87,66% de EUG) e OEC (77,95% de EUG) inibiram 98,65% e 99,73% do
desenvolvimento do fungo, respectivamente. Na avaliação de OEO, OES, OEC, CAR e EUG na faixa de
concentrações de 0 a 2000 μg mL⁻¹, foi possível obter as concentrações responsáveis por inibir 50% (IC₅₀) e
100% (IC₁₀₀) da germinação dos esporos fúngicos, uma vez que com o incremento da concentração dos
tratamentos observou-se um aumento na atividade inibitória. Dentre os compostos majoritários testados, o
carvacrol inibiu 50% e 100% da germinação nas concentrações de 166,76 e 690,74 µg mL⁻¹, respectivamente.
Já dentre os OEs, o OEO alcançou os mesmos efeitos com 257,29 e 789,41 µg mL⁻¹. Os ensaios in vitro
realizados demonstraram que, com exceção de OET, todos os tratamentos apresentaram efeitos inibitórios
semelhantes ao controle positivo (Tecto®, 100%), indicando que o efeito inibitório de OEs está intimamente
relacionado à concentração de seus componentes majoritários. Nos ensaios in vivo, realizados em frutos de
mamão armazenados, o tratamento com soluções de CAR e EUG, em concentrações de até 2000 µg mL⁻¹,
resultou em significativa redução da incidência de manchas. As eficiências relativas variaram de 80,7 a 95,5%
para EUG, e de 82,5 a 96,5% para o CAR, sendo mais bioativo. A ação inibitória do CAR frente a germinação
dos esporos pode estar relacionada com a indução da morte celular do fungo por meio do acúmulo de radicais
superóxido, danificando sistemas de membrana. Portanto, OEO e CAR podem ser alternativas viáveis aos
agroquímicos convencionais no manejo da mancha-preta do mamoeiro, especialmente em estratégias voltadas
para a pós-colheita.
Palavras-chave: Óleos essenciais; Mamoeiro; Mancha-preta
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Derechos de autor 2025 Gisely Ferreira Moura, Willian Bucker Moraes, Moises Zucoloto

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