DESAFIOS ENFRENTADOS POR ESTUDANTES COM CEGUEIRA E BAIXA VISÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA

Autores

  • Ananda Paula Martins Pereira Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
  • Lucas Barcelos Sales Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
  • Luiza de Carvalho Alzuguir Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
  • Leandro da Silva Barcellos Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo investigar os desafios enfrentados por estudantes com cegueira e baixa visão no processo de ensino-aprendizagem em ciências e biologia. Para tanto, realizamos uma pesquisa de cunho qualitativo e natureza narrativa, no primeiro semestre de 2019. Participaram do estudo três sujeitos com diferentes idades, nível de escolarização e capacidade visual. Os dados foram produzidos e coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, as quais foram gravadas e, posteriormente, transcritas e analisadas por meio da análise textual discursiva. Três categorias emergiram do processo interpretativo, a saber: (i) A trajetória no ensino básico, em que os sujeitos resgataram partes de suas experiências em aulas de ciências e biologia, destacando a vivência de práticas como prova oral e textos ampliados, além do crescimento da dificuldade em visualizar esquemas e imagens conforme a perda da visão ocorria. Esta dificuldade era superada pela ajuda de amigos que auxiliavam na leitura e descrição dos temas abordados em sala de aula; (ii) Vivências extracurriculares, em que os sujeitos destacaram experiências relacionadas direta e indiretamente a trajetória escolar, como a falta de acessibilidade às instituições de ensino e suporte oferecido por elas, e a ausência de políticas públicas que garantissem a inclusão efetiva; e (iii) O professor do aluno com deficiência visual, em que os participantes narraram elementos da prática docente em aulas de ciências e biologia. Chama atenção o despreparo dos professores para lidar com alunos com deficiência visual. Alguns docentes demonstraram falta de respeito e empatia, enquanto outros juntamente com os demais alunos, realizaram práticas altruístas. Nossos sujeitos de pesquisa foram escolarizados em décadas e escolas distintas, mas compartilham de muitos desafios como o descaso de instituições e do Estado, no que tange a disponibilização de recursos para atender suas necessidades educativas e políticas efetivas para a inclusão, a qual, na maioria das vezes, se deu por ações isoladas de amigos e alguns professores. Também surgiram diferenças relacionadas à tecnologia e recursos de ensino disponíveis que possibilitam a inclusão, os quais variam com o tempo e contexto social dos sujeitos. Nossos resultados evidenciam a necessidade de políticas públicas efetivas e formação docente para que a inclusão ocorra, além da importância de se investigar mais profundamente o processo de escolarização desses sujeitos para que tenhamos subsídios que nos ajudem a (re)pensar as práticas de sala de aula.

Palavras-chave: Deficiência visual. Inclusão em aulas de Ciências. Pesquisa narrativa.

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Publicado

2020-06-30