Autoritarismo identitário
quando o adversário se torna obstáculo
DOI:
https://doi.org/10.47456/simb.v13i2.54271Palavras-chave:
identitarismo, mediações institucionais, crise de representação, autoritarismo identitárioResumo
O artigo propõe o conceito de autoritarismo identitário para descrever uma forma específica de organização do conflito político contemporâneo. Argumenta-se que, à medida que instâncias coletivas de representação e pertencimento – partidos, sindicatos, associações – perdem capacidade de mediar interesses e identidades, a identidade tende a ocupar sozinha o lugar antes dividido entre mediação institucional e pertencimento pessoal, passando a funcionar como critério direto de legitimidade política. Esse deslocamento tem uma consequência específica: como a identidade não admite negociação da mesma forma que um interesse, sua politização tende a converter divergências em ameaças existenciais. O artigo distingue essa dinâmica do conflito político moralizado em geral por um traço preciso: o autoritarismo identitário ocorre quando o adversário deixa de ser percebido como parte legítima da disputa e passa a ser compreendido como obstáculo à própria realização identitária – o que torna a restrição de sua presença e participação no debate público não uma exceção, mas uma consequência coerente do raciocínio, ocorrendo à direita e à esquerda. Trata-se de uma formulação teórica, construída pela articulação entre tradições da teoria social e da ciência política, que busca oferecer uma chave analítica para fenômenos hoje descritos, de forma genérica, como polarização ou populismo.
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