AS PRÁTICAS E AS REPRESENTAÇÕES DAS CRIANÇAS SOBRE A CIDADE
Résumé
Resumo
Na contemporaneidade, processos de interdição na cidade inscrevem diferenciados graus de acessibilidade que permitem ou impossibilitam o aparecimento público das crianças nos diferentes tempos e espaços sociais. Da cidade repartida, desordens sociais resultam em proibições, segregações e tipificações de quem pode e quem não pode nela ter acesso e transitar livremente. Em seu livro “A cidade e a criança” Mayumi Lima (1989) expõe algumas “tiranias” decorrentes do processo de subalternização das crianças frente os adultos na configuração da cidade e na organização e uso dos espaços nas escolas públicas. Embora não reconhecidas na urbe, as crianças experenciam cotidianamente diferentes espaços da cidade, transgridem o olhar dos adultos e são capazes de subverter a ordem normatizadora dos contextos onde habitam. Por meio de um estudo exploratório realizado com 90 crianças de cinco e dez anos de idade moradoras de duas cidades localizadas em contexto rural e urbano do Estado do Espírito Santo, esta pesquisa propõe-se identificar as brincadeiras vivenciadas pelas crianças no contexto rural e urbano; identificar os espaços mais utilizados e os modos peculiares de representação sobre a cidade. Os resultados da pesquisa apontam que as crianças fazem experiência da cidade por meio de diferentes práticas sociais e culturais e suas representações sobre a cidade estão intimamente ligada às influências das imagens socialmente disponíveis e inscritas nos diferentes modos de inserção segundo as suas condições materiais de vida e de simbolização do mundo. Essas formas peculiares de vivenciar e representar a cidade expõe os constrangimentos imposto às crianças quando a cidade, como aglomerado de preocupações privadas e tempos socialmente demarcados não levam em consideração no planejamento urbano os direitos das crianças e as culturas infantis.
Palavras-chave: Criança e cidade. Planejamento urbano e direitos da criança. Cidade e culturas infantis.
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