Kant e a gênese de um relativismo pósmoderno

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/sofia.v14i2.48162

Palavras-chave:

coisa em si, realismo, pós-moderno, relativismo

Resumo

Este trabalho explora a relação entre o pensamento de Immanuel Kant e o relativismo contemporâneo, argumentando que as premissas filosóficas de Kant, embora ele próprio fosse um defensor da universalidade da razão, abriram caminho para interpretações que alimentaram correntes relativistas e pós-modernas. O artigo sugere que o relativismo presente em autores como Foucault, Latour, Kuhn e Rorty pode ser compreendido, em alguma medida, como uma consequência inesperada de um ajuste no sistema kantiano, ainda que eles não se autodenominem kantianos, pois reproduzem e, em muitos casos, intensificam problemáticas já presentes na Crítica da Razão Pura. Isso se deve a irresolução do estatuto ontológico e da relação causal do Ding an sich; b) a possibilidade de interpretar as formas a priori não como transcendentais e universais, mas como estruturas contingentes (históricas, linguísticas, culturais). Ao enfatizar que o conhecimento é sempre mediado por estruturas simbólicas, históricas e culturais, tais correntes acabam por relativizar a verdade e por questionar a possibilidade de um acesso direto à realidade. Assim, este trabalho pretende contribuir para o debate acerca dos limites e possibilidades do conhecimento, evidenciando a necessidade de uma investigação que dialogue tanto com as raízes kantianas quanto com as críticas e reinterpretações pós-modernas do saber.

Biografia do Autor

  • Domingos Braga Da Silva, UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    Leonardo Domingos Braga da Silva é doutorando em Filosofia (Filosofia da Ciência),trabalhando a partir de um naturalismo realista. Sua pesquisa propõe uma “atualização” crítica de teses metafísicas centrais do marxismo em diálogo direto com debates contemporâneos da filosofia analítica, com ênfase em ontologia científica.Seu trabalho articula influências da tradição marxista (especialmente Lukács, Della Volpe, John Bellamy Foster e Paul Cockshott) com autores centrais da filosofia contemporânea e da filosofia da mente (como McDowell, Dennett, Bunge, Sellars e Jessica Wilson), além de interesses em realismo e antirrealismo, realismo estrutural e modal e na metafísica das práticas científicas. Estuda alemão e inglês e busca formular um programa naturalista filosoficamente rigoroso, compatível com padrões explicativos das ciências, sem perder de vista as ambições teóricas da crítica social.

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Publicado

27-01-2026

Como Citar

Da Silva, D. B. (2026). Kant e a gênese de um relativismo pósmoderno. Sofia , 14(2), e14248162. https://doi.org/10.47456/sofia.v14i2.48162