Pensar filosoficamente com outros pensares
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.48676Palavras-chave:
decolonial, sabedoria, indígenas, coletividade, contemporâneoResumo
A presente pesquisa tem como objetivo investigar em que medida os saberes dos povos indígenas podem contribuir para a decolonização do pensamento. A metodologia adotada baseia-se na leitura e análise de obras de quatro autores cujas contribuições ampliam as concepções de mundo e questionam a hegemonia de uma única narrativa. Destaca-se a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, cuja crítica à “narrativa única” denuncia os riscos da homogeneização do pensamento. No contexto brasileiro, as vozes de Ailton Krenak e Davi Kopenawa reafirmam a centralidade da ancestralidade, da espiritualidade e da relação com a natureza como fundamentos ontológicos indispensáveis à compreensão de outras formas de existência. Complementando essas perspectivas, a contribuição de Eduardo Viveiros de Castro, especialmente por meio do conceito de perspectivismo ameríndio, oferece caminhos para acessar formas distintas de percepção e conhecimento. O perspectivismo de Friedrich Nietzsche também será considerado, por seu potencial de ampliar a visão crítica e romper com o fechamento em uma única perspectiva interpretativa. Conclui-se que a adoção de epistemologias diversas favorece um diálogo filosófico mais inclusivo e plural, evitando o confinamento da reflexão em uma visão homogênea. O reconhecimento de múltiplas vozes revela-se essencial para uma compreensão mais rica e complexa da realidade, reafirmando o compromisso com a diversidade e com a superação das visões hegemônicas.
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