Razão e magia natural
Aspectos esotéricos na filosofia de Giordano Bruno
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v15i1.51777Palavras-chave:
desencantamento do mundo, ciência, magia natural, hermetismo, astrologiaResumo
O artigo discute a posição liminar de Giordano Bruno entre as heranças místico-esotéricas tardo-medievais e renascentistas e as novas exigências modernas de inteligibilidade da natureza. Busca-se esclarecer como o autor incorpora e reorganiza tradições esotéricas no seu projeto filosófico. Para tanto, examina-se, com base historiográfica e nas obras do autor, como astrologia, hermetismo e magia natural são rearticulados como recursos conceituais, simbólicos e retóricos e integrados a uma filosofia da natureza reformadora. Sustenta-se que, em Bruno, esses repertórios não operam como práticas de encantamento ou superstição, mas como instrumentos para pensar conexões, causalidades e vínculos internos ao cosmos.
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