A função da catarse na experiência ético-estética
notas sobre a Poética de Aristóteles
DOI:
https://doi.org/10.47456/sofia.v15i2.52647Palavras-chave:
Aristóteles, tragedy, catharsis, mimesisResumo
Este artigo investiga o estatuto da tragédia na Poética de Aristóteles, tomando como eixo central a relação entre mimesis, ação e catarse enquanto fundamentos de uma experiência ético-estética. Parte-se da hipótese de que a tragédia aristotélica não se reduz à mera imitação do real, mas constitui uma forma privilegiada de representação da ação humana, capaz de suscitar no espectador processos de reconhecimento, elaboração afetiva possibilitando uma leitura de alcance ético-formativo. Inicialmente, examina-se a noção de mimesis articulada à centralidade do enredo e da ação trágica. Em seguida, analisa-se o conceito de catarse a partir de suas principais interpretações históricas, especialmente como purificação, expurgo e clarificação das emoções. Por fim, investiga-se a função formativa da experiência trágica, compreendendo a catarse não apenas como experiência estética, mas como possibilidade de reordenação das paixões e de constituição ética do espectador.
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