Fio de Ariadne: o método marxiano na construção do Código de Ética
DOI:
https://doi.org/10.22422/temporalis.2026v26n51p168-185Palavras-chave:
Código de Ética, Serviço Social, Método marxiano, Projeto Ético-PolíticoResumo
O presente artigo propõe-se a resgatar os fundamentos do debate ético do Serviço Social brasileiro, fazendo o caminho inverso, do Projeto Ético-Político (PEP) aos seus fundamentos. O objetivo é explicitar que as tensões políticas e disputas no seio da profissão são expressões das lutas sociais fundamentais. Defende-se que a direção social do PEP, desde a hegemonia da corrente Intenção de Ruptura, tem suas bases mais sólidas e radicais nas conquistas do debate ético desenvolvidas a partir da apropriação e uso do método marxiano. Para demonstrar a tese, o artigo divide-se em duas partes: a primeira é dedicada à síntese do processo de constituição do Código de Ética de 1993 (CE) como resultado do movimento de apropriação do método marxiano na construção desse documento central. A segunda parte realiza a análise dos elementos marxistas que tensionam este projeto à emancipação da sociedade dividida em classes sociais. Os resultados demonstram que a apropriação da teoria marxiana representa um divisor de águas histórico, sendo fundamental para a superação do legado conservador e para a conformação do PEP. O CE de 1993, que permanece vigente, consolida uma concepção ética de base ontológica e introduz a liberdade como valor fundante. Em síntese, a apropriação da teoria marxiana forneceu uma base ontológica para a Ética, permitiu a crítica radical ao moralismo e orientou o projeto profissional para o compromisso de classe e o horizonte da emancipação humana.
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