O ARQUÉTIPO DA MULHER NEGRA À FIGURA DA BRUXA: DUPLA COLONIZAÇÃO NO POEMA A LENDA DA BRUXA, DE CONCEIÇÃO LIMA

Autores

  • Clara Mayara de Almeida Vasconcelos
  • Rafael Francisco Braz
  • Sueli Meira Liebig

Resumo

O lugar delegado à mulher negra nas sociedades colonizadas é marcado por uma dupla colonização, uma vez que ela foi subalternizada e outremizada por europeu e homens de seu mesmo povo. Dessa maneira, a marginalização da mulher negra em ex-colônias e a sua inferioridade constituía-se como algo indiscutível quando colocada diante da figura masculina. Neste sentido, a inferioridade da imagem feminina negra é duas vezes aprofundada, assim, seguindo a linha de pensamento de Buchi Emecheta (2017) de que não pode haver a independência das ex-colônias sem a independência feminina, este artigo tem por objetivo analisar a representação feminina no poema A lenda da bruxa, de Conceição Lima (2004). Este trabalho se justifica pela necessidade de compreender o desamparo e exclusão sociocultural que as mulheres negras idosas sofrem. Dessa forma, nossa fundamentação teórica baseia-se nas considerações de Ashcroft; Griffiths; Tiffin (2004), Bonicci (2004), Fanon (2005; 2008), Mendes (2017), Ribeiro (2015; 2018), Said (1995; 2003a; 2003b; 2006; 2007) e Silva (2018). Os resultados alcançados nesta pesquisa demonstram que, no poema A lenda da bruxa, a mulher negra, pobre e abandonada pela família e pelo Estado é comparada a imagem da bruxa. Desse modo Conceição Lima (2004) denuncia a dupla colonização feminina nas ex-colônias europeias no continente africano.

Palavras-chave: Literatura africana. Outremização feminina. Conceição Lima. A lenda da bruxa.

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Publicado

2021-01-27

Edição

Seção

GT1 - Africanidades e Brasilidades em Literaturas e Linguística